Jogos Memoráveis: Olimpíadas de 84 – O improviso que valeu prata

A geração de prata que honrou a camisa amarelinha nas Olimpíadas

(Foto: Reprodução/O Povo do Clube)

A história do futebol nos Jogos Olímpicos só começou em 1908, sendo a segundo modalidade coletiva a entrar no programa das olimpíadas. Sendo uma das modalidades mais imprevisíveis dos jogos, por ter uma grande variação de vencedores e presenças no pódio deixa a competição ainda mais empolgante. Limitando-se apenas à participação de jogadores amadores em seu início, o que fez com que o Brasil não conseguisse bons resultados em sete olimpíadas anteriores, sem contar a de 1980 em que nem chegou a se classificar, o torneio de futebol teve suas regras alteradas nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984. O COI e a Fifa permitiram a participação de atletas profissionais, sem limite de idade, porém os mesmos não poderiam ter disputado partidas de Copa do Mundo. Isso deixou a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) sem saber quem levar para o Pré-Olímpico de Guayaquil no Equador no início do ano, com isso enviou uma equipe com jovens e veteranos, e sem muitos sustos, classificaram para as Olimpíadas.

Entretanto, um turbilhão passou pela CBF dias antes de partir para Los Angeles e houve troca de técnico, Jair Picerni, técnico que havia feito uma ótima campanha com o Santo André no recém-encerrado Campeonato Brasileiro assumia o comando da equipe. Com as poucas liberações de atletas pelas equipes, a Confederação enviou um convite ao Fluminense para representar a seleção nos jogos, o clube carioca rejeitou por preferir fazer uma excursão na Europa. Com isso, o convite foi feito ao Internacional que deixou de lado o Gauchão e cedeu 11 jogadores para a seleção, sendo eles: Gilmar Rinaldi; Luis Carlos Winck, Pinga, Mauro Galvão e André Luis; Ademir, Dunga e Milton Cruz; Paulo Santos, Kita e Silvinho. Se juntaram a eles o lateral-direito Ronaldo vindo do Corinthians. Gilmar Pipoca do Flamengo. Do Santos veio o zagueiro Davi. A Ponte Preta liberou o goleiro reserva Luis Henrique e o atacante Chicão e, junto com eles, Tonho, o meia que estava no Aimoré(RS) e viajaram para Los Angeles.

Equipe brasileira pronta para partir à Los Angeles. (Reprodução/Www.futgestao.com.br)
Equipe brasileira pronta para partir à Los Angeles. (Reprodução/Www.futgestao.com.br)

Na primeira fase, a seleção brasileira pegou a Arábia Saudita, a Alemanha Ocidental e o Marrocos. No primeiro jogo, contra a Arábia, o Brasil teve grande ajuda de Zagallo que era técnico por lá na época e venceu por 3 a 1 com gols de Pipoca, Silvinho e Dunga. Depois jogou contra a forte seleção alemã que tinha no elenco futuros campeões mundiais em 1990 e com um belo gol de falta de Gilmar Pipoca venceu por 1 a 0 e fechou o grupo com uma vitória de 2 a 0 sobre o Marrocos com gols de Dunga e Kita.

Milton Cruz comemora gol contra a Arábia Saudita. (Reprodução/Arquivo PLACAR)
Milton Cruz comemora contra a Arábia Saudita. (Reprodução/Arquivo PLACAR)

Nas quartas-de-final, o primeiro sufoco, jogo duro contra o Canadá que sairam na frente, mas Gilmar Pipoca, o melhor jogador da seleção, empatou e levou a partida para a prorrogação, sem gols, o jogo foi para a decisão de penalidades máximas. E foi ai que apareceu a figura de Gilmar Rinaldi que defendeu duas cobranças e ajudou a equipe brasileira a ir para as semi-finais e era nessa fase que reservava um jogo que valia como revanche, pois quem vinha pela frente era a Itália, a mesma seleção do episódio de Sarriá, na Copa do Mundo de dois anos antes. A Azzurra vinha com uma equipe com nomes como Franco Baresi, Daniele Massaro e Aldo Serena, jogadores que depois fariam historia pela seleção e pelo Campeonato Italiano. O jogo começou com o Brasil abrindo o placar com Pipoca, mas logo depois a Itália empataria e o resultado levou para a prorrogação e foi lá que o corinthiano Ronaldo acertou um chute com rara felicidade e deu vantagem para os brasileiros que seguraram o resultado até o final e com isso passagem assegurada à final.

Finalmente o Brasil teria a certeza que iria para o pódio no futebol numa Olimpíadas, mas se o jogo anterior vinha como vingança, o jogo da final seria uma prévia de um novo desastre. Partida contra os franceses que vinham de uma vitória contra os iugoslávos também na prorrogação e isso deixava mais aberto ainda a final. Porém, a França vinha empurrada do título da Eurocopa um mês antes e isso dava força para a equipe e isso se mostrou em campo, vitória por 2 a 0 e ouro para o Bleus.

A raça de Dunga foi párea para a França. (Reprodução/Arquivo PLACAR)
A raça de Dunga foi párea para a França. (Reprodução/Arquivo PLACAR)

 

Texto: Max Galli

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