Jogos Memoráveis – Vasco x Palmeiras: A virada do século

Uma das maiores viradas da história do futebol mundial

A virada do século aconteceu junto com um pedido de silêncio (Reprodução/NETVASCO)

Ano 2000, virada de século. Ano em que todos achavam que o fim do mundo seria inevitável aconteceu para os palmeirenses vivos, no dia 20 de dezembro. Ninguém acreditava. Ninguém piscava. Ninguém jamais se esqueceria. O brado vascaíno tomou conta do Rio de Janeiro, assim como no estádio Palestra Itália, que foi palco de uma das viradas mais incríveis da história do futebol brasileiro, ou podemos dizer, do mundo. Após este dia, mais nenhum time gritou “é campeão!” antes da partida acabar. Ou melhor, antes de acabar o primeiro tempo. E nunca mais o vascaíno tirou da memória aquela partida.

O ano já reservava grandes histórias para Palmeiras e Vasco. A equipe da capital paulista foi campeão da Copa dos Campeões e do Torneio Rio-SP, mas perdeu a chance do bicampeonato da Libertadores da América nos pênaltis para o Boca Juniors, em São Paulo. O Cruz-Maltino teria um ano pior, mesmo com uma boa geração vinda desde a conquista da Libertadores de 1998, amargava 3 vices-campeonatos até então, do Mundial de Clubes, do Torneio Rio-SP e do Campeonato Carioca, e chegava para essa final com mais uma chance para salvar o ano, mesmo estando também na final da Copa João Havelange, que ganharia posteriormente. Depois de dois jogos disputados o primeiro em São Januário, com vitória vascaína e o segundo disputado em São Paulo com vitória palmeirense, o regulamento forçava um terceiro jogo para desempate.

São Paulo, 20 de Dezembro de 2000, 21h40. Estádio Palestra Itália.

As equipes de Palmeiras e Vasco. (Reprodução/Twitter)
As equipes de Palmeiras e Vasco (Reprodução/Twitter)

A equipe alviverde queria aproveitar o momento ruim que o Vasco passava, pois quatro dias antes do jogo decisivo, o técnico Osvaldo de Oliveira foi demitido e dava lugar à prancheta de Joel Santana. O Palmeiras foi para cima desde o primeiro minuto de jogo, mesmo sabendo que, no papel, a equipe cruzmaltina era superior.

Com rápidas transições pelos lados e chutes de fora da área, o goleiro Helton trabalhou muito e ajudou a conservar o zero no placar, mas aos 37 minutos, após uma cobrança de escanteio, foi a mão de Junior Baiano que fez a defesa dentro da área vascaína. Arce na bola e gol palmeirense. Mesmo com pouco tempo para acabar a primeira parte da partida, o Vasco já mostrava que sentia o gol e deixava o Palmeiras mais afim do jogo. Na saída de bola cruz-maltina, Magrão roubou a bola, lançou Tuta que chutou, o arqueiro defendeu, mas no rebote o camisa 9 palmeirense estava lá para marcar: 2 a 0. O carnaval que a torcida alviverde fazia era de se apreciar, mas mal sabiam que ainda viria o terceiro gol. Aos 45, a zaga carioca afetada pelo baque dos dois gols bobeou, Juninho avançou pela ponta e tocou para o centroavante palestrino marcar: 3 a 0.

Festa palmeirense, gritos de “é campeão!” em uníssono no estádio. Romário apenas via tudo acontecer lá da frente. O meio campo vascaíno apático. Professor Joel não parava de olhar a sua prancheta em busca de respostas e assim acaba o primeiro tempo.

Tuta comemora o terceiro gol. (Reprodução/Palmeiras)
Tuta comemora o terceiro gol (Foto: Reprodução/Palmeiras)

Na segunda parte, a torcida do Palmeiras só esperava o tempo passar para assim afirmar que era campeão, mas o Vasco não deixava por vencido, queria o título também e com isso Nasa dá lugar à Viola e, assim, tentar ter mais força de ataque e buscar os gols. Isso mexeu com o ímpeto cruzmaltino e de repente, todos os erros que aconteceram no primeiro tempo foram esquecidos e deram lugar para um futebol concentrado e bem jogado.

O time de Palestra Itália se acomodou na zona de conforto e, assim como sua torcida, só queria que o tempo passasse. Erro fatal. Aos 14 minutos, pênalti para o Vasco e Romário resurgiu: 3 a 1. Nem comemorou, pegou a bola e foi para o meio de campo para reinício rápido de jogo. Aos 25, Juninho Paulista, com velocidade e habilidade, fez o inferno da zaga palmeirense, levou um carrinho e novo pênalti e o camisa 11 do Vasco colocou a bola no canto de Sérgio: 3 a 2 e mais uma vez o atacante não comemora. O Parque Antarctica começa a ficar um pouco mais atento a partida, a festa abriu alas para o nervosismo, os gritos de “olé!” foram embora e vieram os xingamentos.

Ainda tinham 20 minutos para o Vasco buscar o empate, mas os dois gols e a vontade de querer atacar poderiam vir por água abaixo com mais um erro de Junior Baiano fazendo falta em Flávio e sendo expulso. Pois é, poderiam. Mauro Galvão entrou e deu mais raça para o time cruzmaltino, reergueu a vontade cruzmaltina e aos 40 minutos, o resultado. Após troca de passes no meio de campo, Euller lança Romário que não domina, mas a bola sobra para o outro personagem da partida, Juninho Paulista, que chuta em baixo do arqueiro palestrino. 3 a 3. A pequena torcida vascaína no Palestra Itália ecoou sobre os mais de 30 mil palmeirenses com os gritos de “Eu Acredito!” e “O Vasco é o time da virada!”. A torcida alviverde se fechou em silêncio e medo, assim como os seus atletas e comissão técnica, tentando entender o que estava acontecendo em campo.

O fim da partida chegava, faltavam apenas três minutos que o árbitro Márcio Rezende de Freitas indicou de acréscimo e nesses mesmos três minutos parecia que o Palmeiras jogava com sete e o Vasco com 20 jogadores, era incrível a diferença dentro de campo, tanto em raça como habilidade, os vascaínos se multiplicavam a cada lance e no último minuto, o ponto final da noite. Viola parte pela esquerda, a bola rebate para dentro da área , sobra para Juninho Paulista que tenta o chute, a bola rebate no zagueiro palmeirense e sobra para o craque da Copa de 1994, Romário, ele mesmo: 4 a 3. Dessa vez ele comemorou, e comemorou muito, pediu silêncio para a torcida alviverde, na qual se encontrava em prantos e desespero. Fim de partida após reposição de jogo. O inevitável aconteceu: o épico ficou estampado, o Clube de Regatas Vasco da Gama era Campeão da Copa Mercosul de 2000.

Romário comemora o título. (Reprodução/NETVASCO)
Romário comemora o título (Foto: Reprodução/NETVASCO)

A história foi escrita e teve uma das maiores reviravoltas que se conheceu dentro do campo, ainda mais numa final de campeonato, por isso que depois desse jogo mais nenhuma equipe comemorou o título antes do fim da partida, ainda mais antes de iniciar o segundo tempo.

Texto: Max Galli

2 Comentários em Jogos Memoráveis – Vasco x Palmeiras: A virada do século

  1. Como não falar do último lance da partida, onde o Palmeiras adotou a inovadora formação 0-0-11, com todos os jogadores na pequena área do Vasco? Foi a cereja do bolo nessa partida.

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