José Trajano, muito obrigado!

Trajano, um amante do futebol (Foto: Reprodução/oglobo.globo.com)
Por: Bruno Gabriel, PR

Como todos sabemos, José Trajano não faz mais parte da ESPN Brasil. E antes de mais nada, é importante dizer que esta é uma singela homenagem a um homem que trouxe um dos maiores e mais influentes canais esportivos do mundo para o Brasil, e que é, acima de tudo, um verdadeiro fã de esporte.

Este amante esportivo, o rabugento e mal-humorado torcedor do Amériquinha (como o mesmo gosta de chamar o América-RJ) criou o canal ESPN Brasil praticamente sozinho na metade dos anos 90 e teve a personalidade de acreditar em um projeto que até então parecia louco.

Mas louco, Trajano sempre foi. Louco por política, por ter pavio curto e dar declarações atravessadas, sem pensar em agradar um ou outro na mídia esportiva. Trajano transmitia a mais pura autenticidade. Com isso, claro, errava muitas vezes, mas mesmo assim, sempre deixava o seu recado para a sociedade e para a mídia esportiva.

Foi um dos responsáveis por uma abordagem diferente ao futebol e do esporte como um todo. Sempre dava a liberdade para que seus colegas pudessem fazer matérias polêmicas e que fossem ao fundo investigando problemas administrativos de grandes instituições (como a CBF) e que levavam à tona grandes casos de corrupção, mostrando assim ao fã de esporte como funciona os verdadeiros bastidores esportivos.

Junto com o canal, Trajano foi responsável por presentear a mídia esportiva com jornalistas como: Paulo Vinícius Coelho, Paulo Soares ”O Amigão”, João Carlos Albuquerque, Antero Greco, André Plihal, Pedro Bassan, Leonardo Bertozzi, Mauro Cezar Pereira, entre outros. Trabalhou também com Juca Kfouri, João Palomino e Fernando Calazan, que são jornalistas mais que renomados.

Jornalistas com opiniões fortes, divergentes, polêmicos e que são apaixonados por esporte. Para trabalhar com Trajano, estes deveriam ser os requisitos mínimos e, com isto, a ESPN Brasil se tornava cada vez mais uma referência esportiva no cenário nacional. Era frequente, também, discussões mais árduas sobre diversos assuntos, mas que sempre acabavam ali, no ambiente profissional, como sempre há de ser.

Igual diria Trajano: Parei!

Ao mesmo tempo que dava liberdade suficiente para assuntos que realmente viravam debates quentes, o rabugento bateu o pé, mas também aceitou e se adaptou ao clima mais leve dos canais ESPN aqui no Brasil. Quem nunca deu risada com Antero Greco e Paulo Soares nas últimas edições diárias do SportsCenter? Ou com o decreto e demais comentários do mito/monstro Alê Oliveira?

Trajano sempre deixou claro que não gosta de ”gracinhas”, porém, fica claro que o mesmo sabia da importância e relevava as mesmas. Aliás, aceitava isso. E convenhamos, como amante do futebol à moda antiga, também fazia das suas uma vez ou outra no Linha de Passe, programa do qual fazia frequentemente na ESPN Brasil.

Essa mistura de opiniões fortes, autenticidade, informações precisas e seriedade junto com a irreverência na medida certa faz, hoje, da ESPN Brasil um dos canais esportivos mais influentes e queridos do nosso país. E Trajano, muito obrigado por lutar para compartilhar este canal e a sua história conosco. É certo que, perto de seus 70 anos de vida, o torcedor fanático do Amériquinha não irá deixar o ambiente esportivo tão cedo, e pra você Trajano, nós da CL deixamos apenas uma frase: Não pare!

Muito obrigado!

 

Fontes: Terceiro Tempo, João Castelo BrancoESPN Media ZoneUOL

3 Comentários em José Trajano, muito obrigado!

  1. Comecei a admirar o Trajano quando ele teve uma discussão com o Juca Kfuri no Cartão Verde pelo fato do Juca achar normal o que o juiz Castrili tinha feito com a Portuguesa contra o Corinthians….foi sensacional, a partir daí fiquei seu admirador um grande jornalista.

  2. o comentário com mais curtidas na postagem do face é de um cara dando graças a deus pq o “PTralha” saiu e pedindo a volta do PVC, sendo q sem o trajano o PVC nunca aparecia na ESPN, aliás, nem existiria ESPN… VALEU TRAJANO, O VELHO MAIS CHATO DA TV!

  3. Vocês fazem justiça ao dar a devida importância que o Trajano tem no amadurecimento do jornalismo esportivo brasileiro, e por jornalismo esportivo, me refiro ao melhor dele: conteúdo sério e qualificado, sem fechar os olhos para o que acontece de errado no mundo do esporte, sem deixar que o trabalho de repórteres e apresentadores descambe para a TIAGOLEIFERTIZAÇÃO que se tornaram as coberturas esportivas no Brasil. Me deixa perplexo, no entanto, que tantos abilolados criados a leite com pera venham até a página para criticar e nominar o referido profissional com xingamentos e alcunhas que só mostram o quanto são alienados e estúpidos, por ignorar a importância de alguém desse gabarito. Os mesmos que bradam contra o futebol e as arenas modernas, contra a ditadura das chuteiras coloridas e por aí vai, mas na primeira oportunidade mostram que não são menos merecedores do 7 a 1 do que os responsáveis por ele: um bando de entusiastas da gourmetização que batem palmas e chegam a chorar quando alguém ou instituição do futebol brasileiro se espelha no modelo europeu pra trazer alguma novidade. Parafraseando vocês, “que Deus não perdoe essas pessoas ruins”, porque vocês têm mais é que sofrer um 7 a 1 por dia.

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