Juan Pablo Sorín: um punhado de raça inquebrável

Dos argentinos, o mais cruzeirense

Minas Gerais; Brasil; Mineirao; 04/11/2009; Futebol, Cruzeiro x Argentinos Jrs; Foto Divulgação/Vipcomm;
Por: Daniel Bravo, MG.

Amigo torcedor, amigo leitor. O personagem deste texto não é um ídolo brasileiro, mas um argentino de Buenos Aires. O texto é uma homenagem ao ex-capitão da seleção argentina e do Cruzeiro, Juan Pablo Sorín. O jogador que neste dia 04 de novembro de 2016 completa sete anos longe dos gramados. Nos torcedores deixa ainda a saudade das suas incontáveis demonstrações de raça e vontade dentro de campo, fora dele, faz parte de um dos programas mais boleiros e irreverentes da atualidade, o Resenha ESPN.

Sorín nasceu em 5 de maio de 1976 e deu seus primeiros passos como profissional no argentino Juniors. Juampi, como era conhecido na Argentina despontou para o futebol após ser campeão mundial sub-20 como capitão. Após a conquista, foi para a Juventus da Itália, onde integrou o grupo campeão da Champions League. Devido à pouca idade e por problemas na legislação, Marcelo Lippi, técnico da “Juve” que dizia que Sorin era “o jogador do futuro”, aceitou seu empréstimo

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Sorín, capitão da Argentina campeã do mundo sub-20 (Foto: Reprodução internet)

Juampi voltou à Argentina para defender o River Plate, clube com o qual seria campeão da Libertadores de 1996, da Supercopa da Libertadores, três Torneios  Apertura e um Clausura, vivendo assim um dos melhores momentos da carreira. Mas seria em 2000 a transferência que mudaria toda a história da vida de um argentino e o transformaria em um quase mineiro. Foi nesse ano que Sorín desembarcou em Belo Horizonte para defender o Cruzeiro e marcar seu nome no clube das 5 estrelas.

A camisa celeste poderia ser um “algo a mais”, mas a raça e dedicação do camisa 6 fizeram com que a torcida celeste logo lhe desse o status de ídolo. Sorín venceu com o Cruzeiro a Copa do Brasil e duas Sul Minas. A segunda destas, diria eu, foi a mais especial. Era um domingo de Dia das Mães e o jogador se despedia do Cruzeiro para atuar na Europa. No primeiro tempo, um susto e alguns pontos na cabeça. No segundo, um gol com três dedos e meio, com a sempre bendita canhota, como ele mesmo relatou em um carta para a torcida celeste. Na comemoração, uma dança, muita festa e a presença de sua mãe.

Na Europa atuou por Lazio, Barcelona e viveu no Paris Saint-Germain um fato único na história do clube e um dos mais inusitados. Com a camisa do time francês, Sorín nunca perdeu e é chamado de “bonheur” (portador de sorte) pelos torcedores parisinos. Depois disso teve breve passagem novamente no Cruzeiro e voltou ao velho continente para fazer parte do famoso Villarreal que seria semifinalista da Champions, caindo para o Arsenal.

Com a seleção argentina foram duas Copas do Mundo. Na primeira, em 2002, uma eliminação precoce e uma enorme decepção. Na segunda viveu o que ele mesmo chamou de uma homenagem recebida pelo seu país, sendo o capitão na Copa da Alemanha. Sorín viveu ainda um fato inusitado com a seleção argentina: em 2003, em jogo contra a seleção brasileira, viu Belo Horizonte cheia de camisas celeste e branca, e parte da torcida brasileira presente no Mineirão comemorou o gol de honra marcado por ele.

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Juampi, capitão argentino na Copa do Mundo de 2006. (Foto:Reprodução internet)

Em 2009, após um grande numero de lesões e a decepção de não atuar na Libertadores, o jogador decidiu encerrar sua carreira. Numa quarta-feira, 4 de novembro, ele viu um Mineirão lotado de artistas, jogadores, ex-jogadores e um mundo azul assistir pela última vez a aparição de um dos maiores laterais esquerdo do Cruzeiro e da Argentina.

Juan Pablo Sorín, um autêntico argentino, que nunca negou raça ou vontade com as camisas que vestiu, principalmente, as celestes. Um ídolo do Cruzeiro Esporte Clube e um jogador que sempre será lembrado pelo seu respeito, carinho e doação para com a entidade.

Fontes: Biografia Sorín

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