LDU e sua trajetória até o “Maracanazo” de 2008

Os equatorianos derrotaram os gigantes, a mídia e o roteiro.

Antes de a bola rolar e a fatídica Copa Libertadores da América de 2008 ter o seu início, os apaixonados pelo futebol já sabiam que aquela edição seria inesquecível. Naquele ano, o maior torneio de clubes do mundo (SIM!) reuniria as equipes de maior tradição do continente. Na argentina, River Plate, Estudiantes, San Lorenzo e Boca Juniors, campeão da edição anterior, se juntariam a Flamengo, Fluminense, São Paulo, Santos e Cruzeiro. Sem contar com os outros canastrões como Nacional (URU), Colo-Colo e Universidad Católica (CHI), Chivas e América (MEX) e Cerro Porteño (PAR).

De craques a Libertadores de 2008 também não ficou carente. Nomes como DIDICO, Aloísio CHULAPA, Riquelme, Cabañas e RENIGHT GAÚCHO (como treinador) aumentaram mais ainda o charme daquele torneio. Mas, na contramão de todo o badalo e de todos os holofotes, uma tal de Liga Desportiva Universitária, ou simplesmente LDU, sobressaiu em meio aos pops daquele ano.

Liga Desportiva Universitária? LDU? “Ah não, parece nome de time que joga campeonato de várzea”. Não chega longe, eles disseram. Se é que disseram. Já que tais equipes anônimas que figuram o quadro de participantes da Libertadores nem sequer são cogitadas, comentada e nem utilizadas como tags (rs).

A arma principal dos equatorianos (ah é, a LDU é do Equador) não aparecia nas escalações pré-jogo, mas tinha nome e sobrenome: Estádio Liga Deportiva Universitária, a “Casa Blanca”, “La Maravilla de Ponciano”, um estádio com capacidade para pouco mais de 41 mil pessoas muito bem localizado nos, aproximadamente, 3.000 metros de altitude da capital equatoriana, Quito. Altitude essa que, na Libertadores, faz uma diferença absurda. Ah, a Libertadores…

No grupo 8 da fase de grupos, os Universitários duelariam contra os paraguaios do Libertad, os argentinos do Arsenal de Sarandí e os cariocax do Fluminense. Na partida de estréia, um 0x0 sem sal em casa, contra o tricolor. Na segunda partida, a primeira vitória, 2×0 sobre o Libertad, em casa. Fora de casa, em Sarandí, uma importante vitória de 1×0 em cima do Arsenal e a esperança de uma classificação acesa.

O segundo turno daquela fase não podia começar melhor para os equatorianos. Uma surra de 6×1 sobre o Arsenal na altitude de Quito e a classificação antecipada junto com o Florminense (Cuidado! Os posts da CL são monitorados pela Polícia do Clubismo). Na penúltima rodada o caldo engrossou para os líderes, a LDU perdeu para o Libertad por 3×1 em Assunção e o Flu, por 2×0 para os argentinos, mas sem pânico, o mata-a-mata estava garantido. Na rodada final do grupo, os carioca venceram por 1×0 no Maracanã e garantiram a liderança da chave.

Naquela altura do campeonato, nomes como Guerrón, Bolaños e Urrutia já tinham destaque na equipe equatoriana. Mas ainda não assustavam os soberbos da América.

O adversário das oitavas de final já dava um ar de adeus para os equatorianos: Estudiantes De La Plata (calma Cruzeiro, ainda estamos em 2008). Estudiantes x Universitários, tradição x zebra, esqueceram de falar isso para Joffre Guerrón. Detentor da pior campanha, a LDU era obrigada a fazer o resultado na primeira partida em casa. E fez, 2×0. Na partida de volta na Argentina, a vitória de 2×1 do Estudiantes não foi suficiente. Eles não chegam longe, disseram…

: Devido a sua velocidade abissal, Guerrón foi cogitado para duelar com Usain Bolt nas Olimpíadas de Pequim. Mas recusou. Foto: Autor Desconhecido
: Devido a sua velocidade abissal, Guerrón foi cogitado para duelar com Usain Bolt nas Olimpíadas de Pequim. Mas recusou. Foto: Autor Desconhecido

Outro argentino cruzaria o caminho dos Universitários naquela Libertadores, o San Lorenzo. Equipe empolgada após eliminar seu grande rival River Plate. O duelo foi o mais equilibrado da chave, decidido nas penalidades máximas após dois empates por 1×1. Vitória dos equatorianos nos pênaltis por 5×3.

José Francisco Cevallos, 38 anos (em 2008) e o nome marcado na história da Liberta! Foto: Conmebol
José Francisco Cevallos, 38 anos (em 2008) e o nome marcado na história da Liberta! Foto: Conmebol

Nas semifinais os equatorianos enfrentaram o “serial-killer de brasileiros”, América do México, comandada por Salvador Cabañas (sdds Flamengo), líder em gols, IMC, glicose e colesterol daquela edição do torneio. Nessa fase a LDU abraçou o regulamento. Empate de 1×1 no Estádio Azteca e 0x0 em casa. A Liga Deportiva Universitária era a segunda equipe da história do Equador a chegar em uma final de Libertadores. Seus arquirrivais do Barcelona de Guayaquil amargaram dois vice-campeonatos em 1990 e 1998.

: Cabañas não conseguiu repetir suas exibições devastadoras contra os equatorianos. Foto: Nidoazulcrema.com
: Cabañas não conseguiu repetir suas exibições devastadoras contra os equatorianos. Foto: Nidoazulcrema.com

Na finalíssima dois virgens da Libertadores duelariam pelo primeiro troféu. LDU x Fluminense. Quem diria, hein?

De novo com a desvantagem (para Bauza, não!) de jogar a primeira partida em casa , os torcedores equatorianos fizeram do Casa Blanca um verdadeiro inferno. Os fluminenses tentaram, mas sucumbiram ao caldeirão da altitude andina. Washington, Conca, Thiago Neves, Thiago Silva e Cia não resistiram. A última esperança era o Maracanã.

Desde 1981 o Maracanã (In Memoriam) não recebia uma final de Libertadores. Naquela ocasião, o lendário Flamengo de Zico tinha representado o (ex?) maior templo do futebol. Um público estimado de 86 mil pessoas recebeu “de braços abertos” a desconhecida equipe do técnico argentino Edgar “Patón” Bauza. Nem Thiago Neves, após ser o primeiro jogador da história da Libertadores a fazer um “hat-trick” em uma final superou a C-A-T-I-M-B-A de Cevallos, que calou o Macaranã. A historia da peleja estes vídeo mostram a vocês, Confrades.

A campanha do Fluminense Football Club era digna de cinema, reportagens especiais, homenagens e tudo mais. Mas no final das contas o que importa é o nome do time gravado no troféu para a eternidade. Esse time foi a Liga Deportiva Universitária.

Parafraseando e readaptando um grande cântico das torcidas: Ah Libertadores! No dia em que tu não existir, eu não quero sorrir nunca mais.

Texto: Mathews Moura

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