A Libertadores de 1962, a primeira do Santos do Rei Pelé

Com um dos melhores elencos já visto, o Santos trouxe a primeira Taça Libertadores para o Brasil

(Foto: Reprodução/ESPN)
Por: Augusto Araujo, RJ

Se estamos acostumados a esperar todo ano o começo de mais uma Libertadores da América, se discutimos diariamente sobre edições anteriores, sobre quem ganhou ou não, antigamente não era bem assim. A competição não tinha tanto renome na época de Pelé e Garrincha, mas isso não afetou em muito no ano de 1962, quando o Santos a venceu.

“A gente encarava a Libertadores como apenas um torneio a mais, não tínhamos a noção da importância. Foi uma pena os dirigentes terem desistido de disputar a Libertadores depois, poderíamos ter ganhado quantas Libertadores a gente disputasse com aquele time”,  afirmou o eterno Pepe.

A Competição

O formato era bem diferente de como é visto hoje. Atualmente diversos clubes de cada país podem participar – vide a Libertadores de 2017, com oito brasileiro -, porém, naquela época, apenas o campeão de cada campeonato nacional faria parte da copa. Com exceção ao Peñarol, do Uruguai, que foi campeão da edição anterior, então garantiu antecipadamente a vaga para a semifinal.

Eram três grupos, formados por: Santos, Cerro Porteño e o Deportivo Municipal (Grupo 1); Nacional, Racing e Sporting Cristal (Grupo 2); Universidad Católica, Emelec e Millonarios (Grupo 3). Cada time se enfrentava duas vezes e apenas o melhor de cada se classificava para as semifinais.

No primeiro grupo o time da Vila se classificou com sete pontos e três vitórias – sendo que cada vitória dava apenas dois pontos ao time vencedor -, sendo os jogos em casa avassaladores: 9 a 1 e 6 a 1. No grupo 2 o Nacional passou com a mesma campanha, porém mais acanhada em gols, apenas um saldo de +3. No último grupo as coisas foram mais complicadas, a Universidad Católica passou de fase apenas com cinco pontos, um a mais que o segundo colocado, o Emelec, por mais que o time equatoriano tenha ganhado do chileno por 7 a 2, com direito a cinco gols do atacante Raymondi.

Agora, já com os times classificados, as semifinais estavam preparadas: Santos x Universidad Católica e Nacional x Peñarol, o único confronto nacional possível na competição. No confronto da equipe brasileira, nada de espetáculo, o primeiro jogo, em Santiago, ficou em 1 a 1. E na partida de volta, na Vila, terminou em 1 a 0, com gol do volante da seleção brasileira, Zito. Só isso era suficiente para classificar o peixe para a final, agora só faltava saber o adversário.

No clássico uruguaio as coisas foram mais complicadas, muito mais. Na primeira partida 2 a 1 para o time mandante, o Nacional. Na volta, 3 a 1, de novo para o mandante, agora o Penãrol, com isso seria necessário um terceiro jogo, para que se desempatasse o confronto. Porém, no último jogo não houve vencedor, terminou em 1 a 1, fazendo assim que o Peñarol passasse para a final pelo gol a mais na segunda partida.

As Finais

Para quem ama futebol não haveria outra final possível, eram uns dos dois times mais fortes do mundo. O Santos tinha em seu plantel sete jogadores da seleção brasileira, porém o maior deles, o Rei Pelé, não jogaria por conta de uma lesão. Do outro lado, o Peñarol, o atual campeão da competição, que há pouco tempo tinha jogado a final do Mundial de Clubes de 61 contra o Benfica de Eusébio e ganhado por “apenas” 5 a 0.

Na foto, Zito e Gilmar chegando para o primeiro jogo da final, em Montevidéu (Foto: Reprodução/ESTADÃO)
Na foto, Zito e Gilmar chegando para o primeiro jogo da final, em Montevidéu (Foto: Reprodução/ESTADÃO)

Na primeira parte, no Centenário, a equipe santista começou perdendo, com gol aos 18 minutos do atacante Spencer – maior artilheiro da história da competição, com 54 gols -, porém a reação começou logo depois com gol de Coutinho aos 29. No segundo tempo, novamente ele, Coutinho, marcou aos 25 para decretar a virada e a primeira vitória.

Na Vila o empate já era suficiente para o Santos, só que as coisas foram bem confusas neste dia. Spencer, com habilidade, abriu o placar aos 15 minutos. Mas com gols de Dorval, aos 27, e do meio Mengálvio, aos 35, o time brasileiro virou a partida. No segundo tempo as coisas começaram a complicar. Spencer, novamente ele, empatou o confronto. No entanto, o goleiro Gilmar reclamou que Sásia, do Peñarol, jogou terra nos seus olhos no momento do cruzamento para o gol. Por conta disso, começaram as cenas lamentáveis, inclusive com uma garrafa jogada da torcida em um dos bandeirinhas. Depois de um tempo parado, o duelo retornou com o gol validado. Com a partida valendo, Sásia marcou fez mais e colocou os visitantes na frente: 3 a 2 e mais reclamações. Agora, por uma suposta falta no lance. O jogo retornou e aos 22 minutos do segundo tempo Pagão marcou o gol que empatou a partida e daria o título para o Santos. Na teoria terminou assim: comemorações, volta olímpica, tudo que o time tinha direito. Entretanto, na prática, na súmula entregue pelo árbitro o jogo terminou antecipadamente quando estava 3 a 2 para o time uruguaio. Só que ele ficou com medo de apitar o final e recomeçar a confusão, podendo acontecer algo pior. Com isso, teria que ter mais um confronto.

O jogo decisivo foi em campo neutro, no Monumental de Nuñez, na Argentina. Para os uruguaios era melhor que a final tivesse realmente terminado no segundo jogo, pois, após voltar da lesão que o tirou da Copa do Mundo, Pelé estava apto a entrar em campo. Só deu Santos. Logo aos nove minutos Coutinho fez jogada espetacular e ia abrir o placar. Contudo, Caetano, o meia rival, tentou salvar e acabou mandando para a própria rede, 1 a 0. Pelé ampliou o marcador aos três minutos da segunda etapa. Para sacramentar a vitória, Pelé ainda fez mais um no final do jogo, 3 a 0.

Para muitos, o futebol bonito é feito por equipes que gostam de balançar as redes: quanto mais gols mais linda é a festa. Então, na Libertadores com a maior média de gols da história, com mais de 4 por jogo, o vencedor foi o plantel que mais cuidou da bola dentro das quatro linhas na história.

Fontes: ESPNAcervo do Santos e Imortais do Futebol.

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