“Los Puros Criollos” – O timaço do Cartel de Medellin (Parte 4)

Em dezembro de 1989, era a vez da busca pelo inédito Mundial de Clubes.

Em Tóquio, o Nacional teria pela frente o fantástico Milan, do famoso trio holandês Rijkaard, Gullit e Van Basten. Após uma partida sem gols, o jogo se encaminhava para a prorrogação, mas, no último minuto, em cobrança de falta, o time italiano marcou com Evani e acabou com o sonho do Atlético Nacional.

A temporada seguinte era muito esperada pelo povo colombiano. Francisco Maturana havia assumido a seleção após a conquista da Libertadores, e conseguiu classificar a Colômbia para uma Copa do Mundo após 28 anos. Mas, entre todos os torcedores colombianos existiam alguns que estavam ainda mais orgulhosos, no caso, a torcida do Nacional, por seus oito jogadores convocados para a Copa do Mundo. Infelizmente a participação no mundial não acabou como todos esperavam. Os cafeeiros avançaram até as Oitavas de Final, mas foram eliminados pela seleção de Camarões, sensação daquela Copa. O jogo terminou com a vitória de 2×1 para os africanos, com um gol na prorrogação de Roger Milla, após um vacilo do goleiro René Higuita ao tentar driblar o veterano atacante.

Roger Milla rouba a bola de Higuita e faz o gol da vitória camaronesa (Foto: Reprodução)
Roger Milla rouba a bola de Higuita e faz o gol da vitória camaronesa (Foto: Reprodução)

Três anos depois, durante as eliminatórias para a Copa de 94 nos EUA, essa geração conseguiu uma das suas maiores conquistas com a camisa de sua seleção. Uma suntuosa goleada por 5×0 em pleno Estádio Monumental de Nuñez frente à Argentina, classificando a equipe para o mundial e obrigando os Hermanos a disputarem a repescagem. Isso deixou a torcida colombiana com uma confiança nunca antes vista para uma Copa do Mundo. A equipe chegou à Califórnia, sua sede e local de concentração, como uma das grandes favoritas à conquista do mundial, ao lado de seleções como Brasil, Argentina, Itália e Alemanha. Como favoritismo não ganha jogo, e muito menos se conquista uma Copa do Mundo na véspera, o time colombiano foi eliminado ainda na primeira fase. Ficou em última colocação na sua chave, após perder para a forte Romênia e para a inexpressiva seleção dos EUA, em um jogo marcado pelo fatídico gol contra do zagueiro Escobar, sobre o qual vocês infelizmente conheceram o desfecho. A vitória contra os suíços na última rodada não era mais suficiente para salvar o time tricolor, fazendo com que todas as esperanças de uma torcida se resumissem em decepção.

Após esse período de glórias e bons resultados, o futebol da Colômbia começou a entrar em declínio. Mesmo assim, ainda conseguiu ótimos desempenhos em 95 e 96, ao chegar às finais da Libertadores, com o Atlético Nacional e América de Cali, respectivamente, mas o brilho dos clubes e de suas seleções não era mais o mesmo. A formação de novos jogadores começou a diminuir e os principais ídolos não atuavam mais no país. Aos poucos o dinheiro investido pelo narcotráfico ia diminuindo, e os clubes não conseguiam mais encontrar nas “canchas” os mesmos jovens que antes tinham aos montes.

Nunca iremos saber a real influência dos narcotraficantes para o desenvolvimento dessa geração do futebol colombiano e, infelizmente, a mancha da violência acabou sendo maior do que a alegria do povo com esse esporte tão fantástico.
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¡Hasta luego!

Texto: Wagner Ponce

Confira os outros textos da série:
Parte 1: http://cenaslamentaveis.com.br/los-puros-criollos-o-timaco-do-cartel-de-medellin-parte-1/
Parte 2: http://cenaslamentaveis.com.br/los-puros-criollos-o-timaco-do-cartel-de-medellin-parte-2/
Parte 3: http://cenaslamentaveis.com.br/los-puros-criollos-o-timaco-do-cartel-de-medellin-parte-3/

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