Luciano do Valle: o “capitão” da narração esportiva

A justa homenagem da CL ao maior entusiasta do esporte brasileiro

O eterno Luciano do Valle (Foto: Reprodução/Uol Esporte)
Por: Victor Portto, CE

Hoje, temos acesso muito fácil a toda uma gama de esportes que até pouco tempo atrás, antes do processo de ascensão das redes de TV a cabo, eram desconhecidos ou pouco acompanhados pelo público brasileiro em geral. Assistir transmissões ou ouvir falar de esportes como vôlei, basquete, boxe, dentre outros no Brasil antes das décadas de 1980 e 1990 só era possível em breves notícias de programas esportivos da televisão aberta. Entretanto, um homem ajudou a quebrar esse paradigma de só consumirmos futebol e transformou tais modalidades, até então esquecidas, em esperanças de medalha nas Olimpíadas e em eventos capazes de atrair um grande público. Este foi Luciano do Valle: narrador, jornalista esportivo, empreendedor, promotor de eventos, pioneiro, técnico e uma das vozes mais marcantes do esporte brasileiro.

O paulista Luciano do Valle nasceu em Campinas, em 1947. Foi precoce em seu início na narração esportiva, começando aos 16 anos como profissional da locução na Rádio Educadora e, logo depois, se inserindo no mundo do esporte como locutor de futebol na Rádio Brasil de sua cidade. A ida para a capital (São Paulo) ocorreu com o convite que recebeu para trabalhar na Rádio Gazeta, mas seria na Rádio Nacional de São Paulo, em 1968, que viria a começar a narrar as mais diversas modalidades esportivas – onde começou a demonstrar sua aptidão para ser locutor de outros esportes além do futebol. Tinha um estilo único de narração: colocar a paixão evidente na sua bela voz, a vibração e uma forma de passar o momento do gol como um momento espetacular.

Com seu destaque na narração e, principalmente, na sua facilidade de trabalhar com outros esportes, Luciano foi convidado para compor, em 1970, a divisão de esportes da Rede Globo de Televisão, sendo a voz da Fórmula 1 naquele período da emissora e o narrador mais importante da rede de TV na época. Participou de três Olimpíadas e três Copas do Mundo pelo canal, se despedindo na Copa do Mundo de 1982 e indo para a Rede Record. Mas foi na Rede Bandeirantes onde teve mais liberdade para colocar toda a sua criatividade para fora, pois com a falta dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro na emissora, recebeu carta branca da direção para inovar e promover as mais diversas modalidades esportivas que julgava ser possível trabalhar. Não a toa, foi neste período que surgiu a famosa vinheta: “Band, o canal do Esporte”. Luciano foi o responsável por toda a revolução da transmissão esportiva brasileira.

“Gênio, gênio, gênio!”. Falar da história do esporte no Brasil nos traz a memória vários atletas, profissionais da imprensa, momentos tristes e felizes das mais variadas modalidades esportivas, mas nos faz relembrar, invariavelmente, da figura icônica que foi Luciano do Valle ou do vôlei, como era chamado, e de tantos outros esportes que ele ajudou a difundir no país. Luciano transcendeu a figura de narrador esportivo brilhante que foi e virou um patrimônio do desporto brasileiro. Foram muitas as narrações e os jargões marcantes que a sua belíssima voz nos proporcionou, mas é preciso agradecer e relembrar também o legado que Luciano deixou aos fãs do esporte.

Em um período que as grandes estrelas do futebol brasileiro das décadas de 60 e 70 já estavam aposentados e caindo no ostracismo, Luciano criou a Seleção Brasileira de Masters e promoveu jogos para matarmos a saudade de ver Rivelino, Pelé e tantos outros craques em ação de novo. Mas não só isso, foi até o técnico destes craques a beira do campo. Ousou fazer o tão famoso jogo da Geração de Prata do Vôlei em meio a um Maracanã que ficou lotado na década de 80, trouxe a NBA para o Brasil, “criou” Maguila, trouxe o futebol americano, foi transmitir “in loco” o primeiro Campeonato Mundial de Futebol Feminino em 95, quando ninguém acompanhava essa modalidade no Brasil… São tantos exemplos do homem a frente do tempo que era Luciano do Valle que faltam palavras para descrever a importância dele no esporte e na TV esportiva brasileira.

Coincidentemente e de forma triste, Luciano nos deixou aos 66 anos, com 50 anos de carreira, no ano da Copa do Mundo no Brasil, na abertura do Campeonato Brasileiro que ajudou a transmitir tantas e tantas vezes e sem realizar o seu maior sonho: transmitir a Olimpíada do Brasil de 2016. Já se passaram dois anos da morte desta figura icônica que foi Luciano do Valle, mas o Cenas Lamentáveis não cansa de reverenciar, agradecer e sentir saudade das narrações e dos domingos de futebol que parávamos para escutar esse monstro da locução narrando.

Segue adiante o vídeo da grande despedida que a Rede Bandeirantes preparou para o seu “Capitão”, algumas narrações memoráveis de gols e a importância de Luciano para o esporte simbolizada pela homenagem da ESPN:

 

Fonte: Memóriaglobo.com, Correio24horas, G1 e Folha de São Paulo.

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