Mané Garrincha, o profeta das Cenas Lamentáveis

(Foto: turismoadaptado.wordpress)

Em termos de “CRAQUE CL”, Mané Garrincha talvez tope a lista. Num dos contos mais inacreditáveis das Copas do Mundo, o anjo, que em um momento da história já afirmou que Pelé só tinha “sorte” e também fez um filho com uma sueca na Copa de 1958, protagonizou mais um momento que todo confrade precisa saber: dibrou uma expulsão na semifinal e atuou na final em 1962, no Chile.

Com a ausência de Pelé, questionava-se a superioridade do Brasil. Mesmo assim, o proprietário das pernas tortas fazia bonitos nos gramados chilenos, pouco antes de seu terceiro ato CL, dando MIM ACHER a torto e direito na zaga dos nossos fregueses de Copa. Marcando dois gols, Garrincha foi essencial na vitória por 4 a 2.

Mas ao final da partida vem uma das primeiras demonstrações de que haveria CL no mundo do futebol. Depois de cansar de levar tanta porrada ao decorrer da partida, Mané se irritou com Rojas, e revidou com aquele leve tapinha estilo Zandoná no Edmundo. Lembra?

(Foto: GazetaPress)
Garrincha sai de campo, expulso (Foto: Acervo GazetaPress)

O árbitro não viu, mas já que o bandeirinha acusou, Garrincha foi expulso. Só que o juizão esqueceu de anotar na súmula, e o acontecido ficou enterrado na história. Dizem as más línguas que, por pressão do então primeiro-ministro Tancredo Neves, a FIFA, após uma longa jornada no tribunal, perdoou o acontecido e permitiu que Mané atuasse na grande final.

Numa votação com resultado de 5 a 2, foi decidida a absolvição de Garrincha. O banderinha uruguaio concluíra, em uma declaração escrita, que o brasileiro apenas estava revidando as agressões dos chilenos, e que não deveria ter sido expulso. Graças portanto ao querido Esteban Mariño, o primeiro bandeirinha LENTRA A da história, o anjo das pernas tortas pôde jogar a final.

Pra completar a felicidade, o consumidor de pinga foi para o gramado na final, mesmo com 38° de febre. Dibrou a torto e direito e fez boas jogadas, mas não anotou na decisão, que foi vencida pelo Brasil por 3 a 1 contra a Tchecoslováquia.

Texto: Bruno de La Rocha | Twitter: @BrunoLad

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