Manifesto à causa futebolística

O futebol é etéreo, sem cor e sem documento, um sublime prazer à ser desfrutado por nós, meros mortais.

(Foto: Reprodução/Internet)

No embalo da torcida, em meio ao calor das disputas, alguns “torcedores” parecem se esquecer de que estão em solo sagrado e, sentindo-se protegidos pelo anonimato, de maneira estúpida e covarde, acaba tendo atitudes racistas. Muitos dizem que tais ações normalmente não ocorreriam em outro lugar, mas será tal afirmação verdadeira?

Segundo o historiador Luiz Carlos Ribeiro, da Universidade Federal do Paraná, “o racismo existe na sociedade, não é uma patologia do futebol, é uma doença social presente em toda a sociedade”. Portanto, a desculpa comumente utilizada pelos pessoas que se dizem torcedores é, de fato, mentirosa. O futebol é o espelho da sociedade no qual se insere e revela suas bênçãos e suas maldições. O racismo, em um país que aboliu a escravidão há pouco mais de cem anos, revela o quão podre e arcaico é nossa sociedade em determinados aspectos.

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Não podemos deixar que esse nobre esporte se transforme em um meio de propaganda para ideais de ódio e supremacia racial de um pequeno, porém, considerável grupo de criminosos transfigurados de torcedores. Não! O futebol é etéreo, sem cor e sem documento, um sublime prazer à ser desfrutado por nós, meros mortais.

Casos como o de Tinga, Daniel Alves e Paulão, na época jogadores do Cruzeiro, Barcelona e Internacional respectivamente, e do árbitro Márcio Chagas, devem sempre serem lembrados e utilizados como exemplos na luta contra essa grande mácula social brasileira.

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Destaca-se a atuação do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) no caso do árbitro gaúcho, vítima de insultos racistas e que teve seu automóvel depredado com bananas sobre a lataria e no cano de descarga. O pleno puniu o Esportivo, agremiação que era apoiada pelos agressores, com perda de pontos e consequente rebaixamento de divisão. Atitude correta.

A punição exemplar aliada a uma intensa e constante campanha de conscientização a respeito do problema é, sem sombra de dúvidas, o melhor modo de se atacar o preconceito. Campanhas como a #somostodosmacacos alardeada após o ocorrido com Daniel Alves, definitivamente, não auxiliam em nada na melhoria da situação.

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Pelo contrário, retiram a força de uma batalha que é bela e justa, na medida que foi criada com intuito meramente comercial. Uma companhia de marketing chamada Loducca, sobre a batuta de Neymar, responsável pela concepção do conteúdo, replicou a hastag que foi utilizada, pasmem, horas depois como estampa de camisas vendidas por um site da grife de Luciano Huck. O racismo é algo para se combater e não para auferir lucros.

Portanto, nós, amantes do esporte bretão, devemos nos opor veemente contra atitudes e atos racistas. Não compactuar com cânticos, gestos e ações de cunho discriminatório. Denunciar os criminosos envolvidos e, principalmente, ensinarmos as futuras gerações a importância do convívio harmonioso e eclético dentro dos estádios de futebol, mostrando que a união dentro e fora dos gramados é o motor das mudanças positivas almejadas por todos.

Texto: Pedro Portugal

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