Maradona: o Deus e o homem

O CRAQUE DOS HERMANOS

La mano de dios de Maradona contra a Inglaterra na Copa de 86 (Foto:Reprodução/cartacapital.com.br)
Por: Victor Portto, CE

Diego Armando Maradona, amado por muitos e odiado por tantos outros. “El diez” é o maior jogador de futebol da história para os seus compatriotas, tratado como Deus e ainda sim também visto como homem por toda a sua luta contra o vício das drogas. A sua genialidade dentro de campo foi mostrada ao mundo com a camisa 10 da Argentina na Copa do Mundo de 1986, no México, quando ele foi o grande destaque do surpreendente título da Seleção e, em Nápoles, na Itália, no time do Napoli, que o acolheu no seu auge. Mas foi também em terras napolitanas que a carreira de Maradona começou a afundar devido ao seu envolvimento com substâncias proibidas e as constantes polêmicas que se envolvia. Atleta de rara qualidade, grande inteligência, extremamente habilidoso, mas também de muitas controvérsias.

“El pibe de oro” nasceu em Villa Fiorito, subúrbio de Buenos Aires, no ano de 1960 e começou a mostrar seu talento com o pequeno time dos Cebollitas aos 9 anos. Já aos 15 de idade estreou no time profissional do Argentinos Juniors. Era um verdadeiro fenômeno aquele franzino canhotinho conhecido por ser abusado com a bola nos pés e dono de uma alegria cativante quando estava com a pelota. Em 1977, veio a primeira convocação para a seleção principal, mas logo em seguida aconteceu uma das grandes decepções de Maradona na carreira. Quando todo o povo argentino pediu sua convocação para a Copa do Mundo de 1978, que seria disputada na Argentina, “El diez” foi preterido na lista de convocados.

Diego só começou a ganhar destaque internacional em 1979 quando capitaneou e ganhou o mundial sub-21 com o esquadrão hermano. Foi a demonstração de que estava apto a fazer voos maiores e buscar a idolatria no time principal.

Maradona em sua estréia aos 15 anos de idade (Foto: Reprodução/futebolportenho.com.br)
Maradona em sua estréia aos 15 anos de idade (Foto: Reprodução/futebolportenho.com.br)

Em 1980, Dieguito se transferiu para o seu time de coração: o Boca Juniors. Contratado a peso de ouro, foi o grande destaque da campanha do Campeonato Metropolitano de 1981 (competição com mais prestígio que o Campeonato Nacional naquele período na Argentina). Sua passagem no Boca foi rápida, mas com grandes recordações por brilhar em jogos contra o grande rival (River Plate). E também por todo o talento desfilado nas canchas argentinas com a camisa dos xeneizes. A única decepção foi em seu último jogo quando acabou expulso ao revidar uma série de faltas que sofrera. Consolidado na América do Sul e visto como um futuro melhor do mundo, Maradona foi contratado pelo Barcelona como o jogador mais caro da história (até aquele período) por 7 milhões de dólares.

O Barça é um capítulo importante na história de Maradona, visto que seu envolvimento com as drogas começou na cidade (segundo o próprio jogador). Apesar de bons momentos no clube, foi de forma melancólica e sem muita pompa que “El diez” saiu do clube catalão. Chegou como promessa de virar Deus,  mas a pouca sintonia com a diretoria do clube, as lesões/dificuldades de adaptação e os poucos títulos conquistados, fizeram Diego ser considerado descartável e vendido ao pequeno Napoli da Itália. Mesmo saindo com a imagem arranhada, o craque havia sido o único jogador da história do Barcelona (até então) a ser aplaudido no Santiago Bernabeu por uma brilhante atuação na Copa do Rei de 82-83 contra o Real Madrid. Foi em 1982 que o camisa 10 disputou sua primeira Copa do Mundo e acabou expulso diante da seleção brasileira no jogo que culminou na eliminação da Argentina.

O episódio final da passagem de Maradona pelo Barça: a briga na final da Copa do Rei (Foto: Reprodução/Trivela.com)
O episódio final da passagem de Maradona pelo Barça: a briga na final da Copa do Rei (Foto: Reprodução/Trivela.com)

No Napoli, a partir de 1984, Diego virou rei e atingiu seu auge no futebol. Conduzindo o pequeno time italiano a campanhas incríveis em âmbito doméstico e internacional, ajudou a equipe a ganhar quatro títulos nacionais e uma Copa da UEFA. Maradona fez o Napoli virar um time que batia de frente com as grandes forças italianas da época (Milan, Juventus, Inter de Milão, Verona, Udinese). Mudou o clube e a carreira de patamar. Foi em 1986, atuando pela Argentina, que Dieguito atingiu o status de Deus ao levar a fraquíssima esquadra nacional ao título mundial. Ficando marcado pela partida contra a Inglaterra, quando fez um gol de mão (conhecido como “la mano de dios”) e o golaço considerado o mais bonito da história das Copas. Em 1990 quase conseguiu levar a Argentina novamente ao título da Copa do mundo, mas ficou com o vice-campeonato.

O ano de 1991 chegou e com ele o fim da lua de mel da carreira de Maradona. O argentino foi pego no exame antidoping por uso de cocaína e teve seu vício em drogas demonstrado ao público, visto que no meio do futebol a informação já era conhecida, mas nunca tinha sido oficialmente descoberta. Por conta disso, foi suspenso por 15 meses. Diego, então brigado com a diretoria napolitana, foi para o Sevilla, onde ficou por uma temporada apenas e brigou com o treinador da equipe (Carlos Billardo, campeão da Copa de 86 com ele). Maradona retornou a Argentina na tentativa de se reerguer e buscar felicidade. Acertou desta vez com o Newell’s old Boys, mas não obteve sucesso, ficando com muitas lesões musculares e fazendo apenas cinco partidas oficiais pela nova equipe.

Comemoração do último gol em copas, Copa do mundo de 1994 (Foto: Reprodução/imortaisdofutebol.com.br)
Comemoração do último gol em copas, Copa do mundo de 1994 (Foto: Reprodução/imortaisdofutebol.com.br)

A partir deste momento o craque travou uma dura batalha com as drogas e a depressão para continuar jogando, chegou a ir a Copa do Mundo de 1994, mas foi pego no antidoping pelo uso de efedrina (remédio proibido para emagrecer). Recebeu outra suspensão de 15 meses da FIFA. Maradona, em uma última tentativa de seguir jogando, acertou com o seu amado Boca Juniors. No entanto, visivelmente acima do peso, e com poucas condições de oferecer a qualidade máxima do seu talento, se aposentou em 1997, depois de duas temporadas no clube. Há a notícia que Diego deixou os gramados antes de ser pego em novo exame antidoping que atestaria positivo, visando não ser mais perseguido e viver nova exclusão do esporte.

El Pibe treinou a Seleção de seu país na Copa do Mundo de 2010 e se aventurou na área técnica outras vezes. Mas será eternamente lembrado e venerado no meio do futebol pelo momentos com as camisas 10 da Argentina e do Napoli. Hoje, ainda exerce o cargo de técnico, na equipe do Al-Fujairah, dos Emirados Árabes.

No Brasil somos meio resistentes a figura de Maradona por toda a comparação com Pelé, mas é necessário ressaltar a graça e o talento que o argentino desfilou pelos campos na sua carreira.

Gracias, Diego.

Segue abaixo o deleite de ver os melhores lances de Dieguito:

 

Fontes: Futebolportenho; Acervodabola; Uol; IG; CartaCapital e Imortaisdofutebol.

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