Marcelinho Carioca: o Pé de Anjo

Jogador destacou-se pelas belas jogadas e pelas polêmicas

Marcelinho Carioca foi o grande ídolo do Timão nos anos 90.(Foto: Reprodução/UOL Esporte)
Por: Marco Aurélio, SP

Marcelinho Carioca, o Pé de Anjo, um dos grandes cobradores de falta da década de 1990, ganhou muitos títulos no Brasil, porém também esteve em muitas polêmicas, que acabaram custando um preço alto na carreira do meia, principalmente em relação a seleção nacional. Marcelo Pereira Surcin nasceu no dia 1 de fevereiro de 1971, no Rio de Janeiro. Começou a jogar nos juniores do Madureira, onde ficou até 1986, visto que suas atuações chamaram a atenção do Flamengo, para onde foi.

O início no Rio de Janeiro

No rubro-negro, teve a oportunidade de ver de perto outro grande mestre das bolas paradas, Zico. Inclusive em um treino, ao perguntar se poderia vê-lo treinar faltas, Zico negou e disse que, na verdade, eles deveriam treinar juntos. Marcelinho sempre destaca que a proximidade e a convivência com Zico foram muito importantes para a sua formação como jogador.

Marcelinho estreou entre os profissionais do Flamengo no dia 30 de novembro de 1988, substituindo Zico na vitória por um a zero contra o Fluminense. Apesar de já ter estreado nos profissionais, continuou atuando também na base, onde ao lado de nomes como Djalminha, Paulo Nunes, Nélio e Júnior Baiano formou um dos grandes times de base do Brasil, inclusive vencendo a Copa São Paulo de Futebol Júnior em 1990.

Pelo Flamengo, conquistou também a Copa do Brasil em 1990 e o Campeonato Brasileiro de 1992. De negativo, o pênalti perdido contra o São Paulo na semifinal da Supercopa Sul-Americana de 1993. Naquele mesmo ano foi vendido ao Corinthians para, segundo Marcelinho, bancar os gastos com os medalhões da equipe. Fato é que mesmo contra sua vontade foi no Alvinegro da capital paulista que ele viveu o auge de sua carreira.

A chegada ao Corinthians

Pelo Corinthians, conquistou os quatro campeonatos paulistas: uma Copa do Brasil, o bicampeonato Brasileiro em 1998/99 e o Mundial de Clubes da FIFA, em 2000. Ao chegar em 1993, adicionou o Carioca ao nome, visto que havia outro Marcelinho na equipe. Em 1995 , foi quando realmente estourou pelo clube com seus gols de falta, sendo que o mais importante foi  no segundo jogo da final do Paulista contra o Palmeiras, que  vencia por 1 a 0 até os 15 minutos do segundo tempo, quando Marcelinho cobrou uma falta com perfeição no ângulo de Velloso e passando sobre  Müller, que estava embaixo do gol. O Corinthians venceria na prorrogação com gol de Elivélton e seria campeão paulista. Ainda em 1995, ele brilhou também na Copa do Brasil, fazendo gol nos dois jogos da final contra o Grêmio-RS, sendo que no primeiro jogo, no Pacaembu, anotou mais uma vez de falta.

Após o título paulista de 1997, Marcelinho foi vendido ao Valência da Espanha. Apesar da expectativa, ele não se adaptou ao clube e queria voltar ao Brasil, tendo seu passe comprado pela Federação Paulista de Futebol. A federação criou o Disk Marcelinho, onde a torcida (dentre as quatro maiores do estado) que mais ligasse teria o craque no seu time. A votação foi vencida pelo Corinthians e, assim ,ele estava de volta ao Parque São Jorge.

A volta ao Timão e o auge da carreira

Apesar de ter vencido o Paulista em 1997, o Corinthians foi mal no Campeonato Brasileiro, título que ainda faltava para Marcelinho no alvinegro. Isso durou só até o ano seguinte, pois em 1998, o Corinthians sagrou-se campeão com Marcelinho como um dos destaques da conquista. Ele foi artilheiro do Timão na competição com 19 gols, dois a menos que Viola do Santos, artilheiro do campeonato. Curiosamente, Marcelinho fez o primeiro e o último gol do campeonato, contra Vasco e Cruzeiro respectivamente. Marcelinho marcou nos três jogos da final contra o time mineiro.

Em 1999, o Corinthians almejava a Taça Libertadores, porém, o sonho do primeiro título continental parou nas quartas de final contra o arquirrival Palmeiras, que venceu na decisão por pênaltis. Marcelinho não cobrou pois era o último batedor e o Corinthians perdeu ainda na quarta cobrança. Dias depois, o Corinthians ganharia o Paulista contra o Palmeiras num jogo que acabaria em uma enorme briga entre os jogadores. Naquele ano, o Corinthians levaria novamente o Brasileiro, mas, dessa vez, Marcelinho dividiria os holofotes com a dupla Edilson e Luizão.  Vale lembrar que foi em 1999 que Marcelinho fundou, juntamente com Amaral, o grupo de pagode gospel Divina Inspiração, que fez um relativo sucesso na época.

O fim da era Marcelinho no Corinthans

O ano 2000 começou bem para o Corinthians, quando venceu o Mundial de Clubes da FIFA contra o Vasco no Maracanã, mesmo Marcelinho perdendo sua cobrança na decisão por pênaltis. Todavia, o ano teria uma reviravolta com uma nova desclassificação nas Libertadores para o Palmeiras, novamente nas penalidades máximas. Dessa vez Marcelinho bateu, mas o goleiro Marcos defendeu sua cobrança e deu a vaga na final para o Palmeiras. A derrota gerou revolta nos torcedores, que invadiram o CT no dia seguinte à partida, causando uma confusão que acabou com as saídas de Edílson e Vampeta da equipe. Isso afetou a equipe que acabou ficando em penúltimo lugar na Copa João Havelange.

Em 2001 parecia que as coisas tinham voltado a dar certo para Marcelinho, pois após ficar em penúltimo lugar, à certa altura do Paulistão o Corinthians reagiu e conseguiu ser campeão, com Marcelinho marcando um belo gol de falta na final conta o Botafogo-SP . Entretanto, dias depois, Marcelinho teria de sair do clube por conta de uma briga com Ricardinho e Vanderlei Luxemburgo. Essa não foi a primeira briga entre o técnico e Marcelinho: em 1998, Luxa o deixou de fora de vários jogos no brasileiro por indisciplina. Eles chegaram a discutir em rede nacional anos depois.

O final da carreira

Após deixar o Corinthians, o jogador foi para o Santos, onde ficou até 2002, indo depois para o Gamba Osaka-JP e chegando ao Vasco em 2003. No time de São ,foi campeão carioca e, mais uma vez, destacou-se pelas cobranças de falta, pois em algumas, ele dava uma paradinha antes da cobrança para esperar a barreira pular. Após sair do Vasco, rodou por vários clubes até chegar ao Brasiliense, onde ele foi campeão regional em 2005 e ficou até 2006, ano em que retornou ao Corinthians em uma passagem apagada e que terminou após uma briga com o volante Mascherano.

Jogou ainda pelo Santo André  de 2007 a 2009, sendo campeão da Série A2 do Paulista em 2008. Seu jogo de despedida foi pelo Corinthians, em 2010, contra o Huracán-ARG, num dos eventos do centenário do clube. Apesar de ter brilhado por outros clubes, foi no alvinegro que teve sua melhor fase e é adorado até hoje pela torcida, sendo que mesmo quando jogou contra o clube, até marcando gol, foi sempre homenageado ao final dos jogos. Marcelinho foi um dos clássicos jogadores dos anos 90, bom de bola, polêmico e carismático, que apesar de chamar atenção fora de campo, foi dentro dele que mais se destacou.

Fontes: GloboEsporteUol, Marcelinho Carioca, Terceiro Tempo, Uol Biografias

1 Comentário em Marcelinho Carioca: o Pé de Anjo

  1. Esse é da época que eu amava futebol como um todo. Eu era novinho de tudo nessa final contra o Vasco e lembro de cada lance vividamente. Como era difícil torcer para o Corinthians, meu Deus! Aquilo mexia demais com a emoção da criançada e, certamente, dentre os outros ídolos (Ricardinho, Rincón, Edilson “el capetinha”, Vampeta, Fabio Luciano, Luizão), Marcelinho era o cara – pequenino em tamanho, monstro em cobrança de faltas e genialidade. Não tinha um moleque que não comemorava gol girando os braços que nem ele na escolinha do Vila Marieta!

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