Marcos, o defensor de todos os paranistas

ÍDOLO TRICOLOR

Marcos defendeu o Paraná em 367 oportunidades (Foto: Dudu Nobre/Do Rico ao Pobre)
Por Dudu Nobre, PR

O torcedor do Paraná Clube irá lembrar com carinho do ano de 2017. Não é pra menos: após 10 anos consecutivos na Série B, o Tricolor da Vila retorna à elite do futebol brasileiro. Mas, em meio a essa imensidão de alegria, fica uma ponta de saudade, já que uma das figuras mais simbólicas do clube tomou uma difícil decisão. Aos 41 anos, o goleiro Marcos resolveu fazer do jogo contra o Boa Esporte o capítulo final de sua trajetória nos gramados.

Esse caminho começou antes mesmo da fundação do Paraná. Nascido em Siqueira Campos, na região do “Norte Pioneiro”, Marcos chegou a capital em 1989 e se instalou no bairro do Boqueirão, próximo a Vila Olímpica – casa do Esporte Clube Pinheiros. Com 12 anos de idade, o menino do interior fez um teste e foi chamado para integrar o Leão da Vila Guaíra, que em dezembro daquele ano faria a fusão com o Colorado para formar o Paraná Clube.

Dali em diante Marcos passou por todas as categorias de base, acompanhando de perto o início meteórico da Gralha Azul – cinco títulos estaduais e um Brasileirão da Série B até 1996. Nessa época, era outro goleiro que cativava a torcida e servia de espelho para os mais jovens: Régis, que vestiu a camisa tricolor em 317 oportunidades.

Tudo seguia nesse ritmo até 1997, quando o arqueiro titular se machucou e Marcos fez sua estreia no profissional contra o Londrina pelo Paranaense. Isso, aliado a transferência de Régis para o Coritiba no ano seguinte, fez com que Marcão assumisse a titularidade e começasse a construir uma história na Vila Capanema.

Marcos comemora com os companheiros o bicampeonato da Série B (Foto: Paulo Pinto / Agência Estadão)
Marcos comemora com os companheiros o bicampeonato da Série B (Foto: Paulo Pinto / Agência Estadão)

Após viver dois anos difíceis, escapando do rebaixamento por um ponto em 1998 e caindo em 1999 por conta da fraca média de desempenho nas duas edições somadas (se contasse apenas a campanha de 1999 o Tricolor permaneceria na elite), o arqueiro seguiu na Vila para a disputa do módulo amarelo da Copa João Havelange de 2000.

A equipe se classificou em terceiro lugar no grupo A da primeira fase, eliminando Anapolina, Bangu e Remo até chegar a decisão contra o São Caetano. Após empatar na capital paranaense, o Tricolor venceu o Azulão por 3 a 1 em pleno Parque Antártica, conquistando o título equivalente a Série B do Brasileiro. Marcão, além de ter comandado a defesa menos vazada com 15 gols sofridos, foi eleito o melhor goleiro da competição.

Sucesso em terras lusitanas

O goleiro de Siqueira Campos jogou mais duas temporadas pelo Paraná, um modesto 14º lugar em 2001 e novo sofrimento em 2002, escapando da degola na última rodada após empate contra o Figueirense em Florianópolis. Depois desse sufoco Marcos decidiu tomar novos rumos na carreira, desembarcando na Ilha da Madeira em 2003 para vestir a camisa do Marítimo-POR.

Foram seis temporadas no Maior das Ilhas, período em que ajudou o Rubro Verde a participar de duas edições da Copa da UEFA (2004-2005 e 2008-2009), além de ter sido eleito o melhor goleiro estrangeiro do futebol português em 2003-2004 e o melhor arqueiro do país na sequência.

Assim como no Tricolor da Vila, Marcos teve uma longa passagem pelo Marítimo-POR (Foto: Reprodução/Site Oficial Feirense)
Assim como no Tricolor da Vila, Marcos teve uma longa passagem pelo Marítimo-POR (Foto: Reprodução/Site Oficial Feirense)

Após passar um semestre no Renate-ITA, voltou às terras lusitanas para defender o Braga-POR. Mesmo tendo poucas oportunidades, integrou um elenco qualificado que ficou em quarto lugar na temporada 2010-2011 e se classificou a Liga dos Campeões na temporada seguinte. Marcos ainda defendeu o Feirense-POR antes de voltar para sua casa no futebol.

O retorno à Vila Capanema

Era o ano de 2013 quando Marcão voltou a vestir a camisa tricolor. Era um momento difícil, já que a equipe havia acabado de voltar à elite estadual após um rebaixamento catastrófico.

O goleiro passou por momentos críticos nessa segunda passagem. Após ficar a três pontos do acesso à Série A naquele ano, a Gralha Azul acumulou campanhas frustrantes em 2014 (11°), 2015 (13°) e 2016 (15°, um ponto acima da zona de rebaixamento a Série C). Além disso, crise financeira e salários atrasados em 2014 e 2015.

Mas o arqueiro seguiu defendendo o manto que o revelou, aceitando redução no “numerário” em duas oportunidades. Mesmo já tendo se tornado o atleta que mais vestiu a camisa do Paraná (na derrota para o Brasil de Pelotas em 2016), Marcão seguia jogando. Quando renovou o contrato no final do ano passado, disse que ainda tinha um objetivo em sua carreira: o acesso à Série A.

A idade já pesava e as lesões o atrapalharam em 2017. Mas ele seguia ali, sendo uma referência no grupo e ajudando dentro de campo nos momentos necessários. O time engrenou, cresceu no momento certo e soube superar os momentos de oscilação para chegar ao dia 18 de novembro dependendo de si para acabar com uma década de sofrimento na segunda divisão.

O gol contra do zagueiro do CRB-AL Audálio libertou a torcida tricolor no estádio Rei Pelé e em todo o planeta. Marcos faz parte dessa massa, e diante desse momento sublime resolveu terminar sua carreira com um final feliz. Em uma época onde os jogadores trocam de times como peças de roupa, Marcão é um resquício de um futebol romântico, cada vez mais difícil de encontrar.

Ao apaixonado pelo Paraná, ficam as lembranças. Mas quando a saudade apertar fique tranquilo. Ele vai estar lá, onde o Tricolor precisar.

Fontes: Banda B, CBF, Clube Desportivo Feirense, Furacão.com, Globoesporte.com, Publico, Record, RPC, Terra, Transfermarkt, Tribuna do Paraná e UEFA.

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