Mário de Castro: o homem que negou a Seleção Brasileira

" Eu nunca vestiria uma camisa que não fosse do Atlético Mineiro."

Mário de Castro ( Foto: Superesportes/Reprodução)

Mário de Castro ainda é um dos maiores artilheiros da história do Clube Atlético Mineiro mesmo 80 anos depois que abandonou os gramados. Os cinco anos que esteve em atividade (1926-1931) foram suficientes para deixar sua incrível marca de 195 gols pelo alvinegro. Natural de Formiga, Minas Gerais, cursou medicina e exerceu a profissão durante maior parte da sua vida. O único clube que defendeu foi o Galo na sua breve carreira e conquistou três campeonatos mineiro. Mário fez grande parceria com Said e Jairo e receberam a alcunha de “Trio Maldito” devido a qualidade ofensiva quando jogavam juntos. O médico e ex-jogador faleceu em 1998 aos 92 e dois anos, e sempre declarou amor a camisa do Atlético.

Os anos de 1926 a 1930

Mário ingressou no esquadrão do Atlético Mineiro, em 1926, e na época, ainda era estudante de medicina, profissão que iria exercer quando retornasse a cidade de Formiga. O atacante era conhecido por ser muito habilidoso e ter o diferencial de finalizar com os dois pés com muita força. Mantinha-se centralizado e contava com o entrosamento com Jairo e Said e quando recebia seus passes não perdia as chances.

O atacante fez a sua primeira grande temporada em 1926 marcando 20 gols no campeonato mineiro e foi coroado artilheiro isolado. Ajudou seu time a ser campeão e vencer o América-MG, na época o principal rival do Galo. A temporada de 1927 foi a melhor de sua história onde anotou impressionantes 27 gols no campeonato mineiro, conquistando o título estadual. Ainda marcou muitos gols nos anos seguintes e a grande fase nestes anos chamou a atenção da Comissão Brasileira de Desportos (CBD).

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O trio maldito: Said, Jairo e Mário de Castro (Foto: Atlético Mineiro/Reprodução)

A copa do mundo de 1930

O ano de 1930 traria ao mundo a primeira edição da mais importante competição do futebol: a copa do mundo. A primeira copa do mundo foi sediada no Uruguai e teve a participação da seleção brasileira de futebol. A formação do esquadrão possuía quase todos os jogadores vindos do Rio de Janeiro. Havia a dúvida de quem seria o atacante titular: Mário de Castro ou Carvalho Leite do Botafogo.

A CBD queria que Mário fosse reserva de Carvalho e viajasse com a equipe nacional para o Uruguai.  Carvalho jogou e fez muitos gols usando a camisa da estrela solitária, e havia travado um duelo de gols com Mário em jogos entre Botafogo e Atlético. A seleção brasileira na época ainda não possuía o prestígio que viria a ter na segunda metade do século.

O atacante mineiro recebeu por correio o comunicado para se apresentar no Rio de Janeiro e integrar o grupo, mas respondeu que não iria. Se recusava a ser reserva e se recusava a vestir uma camisa que não a do Atlético Mineiro. Os seus números falavam pela sua carreira, mas esta recusa criou o mito ao redor do atacante.

A recusa de Mário de Castro fez com que a primeira participação brasileira em copa do mundo não tivesse nenhum mineiro no esquadrão principal. Suas palavras que declararam amor o Galo também ecoaram através da história. A seleção em 1930 ainda não tinha tanto prestígio, mas a sua paixão e representação pelo alvinegro nunca foram esquecidos pela torcida nem pelo clube.

Mário de Castro com a camisa do Galo (Foto: Uol Esportes/Reprodução)
Mário de Castro com a camisa do Galo (Foto: Uol Esportes/Reprodução)

Texto e pesquisa: Lucas Poeiras (@pueira)

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