Mergulhe no universo da Suburbana de Curitiba

Conheça o campeonato de futebol amador da capital paranaense

Não tem bola perdida para quem disputa o futebol amador curitibano (Foto: Dudu Nobre / Do Rico ao Pobre)
Por Dudu Nobre, PR

A partir de sábado a bola vai rolar para uma das competições mais tradicionais do futebol amador brasileiro. O Campeonato Amador de Curitiba, conhecido popularmente como Suburbana, chega a edição de número 77 com o status de ser uma das principais atividades de lazer da capital paranaense, já que reúne 28 equipes de 22 bairros diferentes.

Os clubes estão divididos em duas divisões (12 na Especial e 16 na Série B) e submetidos a dois regulamentos que diferem na fase inicial: Na Elite, após um turno único, os oito melhores avançam; na Divisão de Acesso, foram feitos dois grupos de oito equipes, sendo que os quatro melhores de cada chave sobrevivem na disputa.

A partir das quartas de finais o esquema é o mesmo, com duas fases mata-matas até a grande decisão (que pode ocorrer em dois ou três jogos). Os dois melhores da Série B garantem o passaporte à Divisão Especial de 2018, ocupando os lugares das piores campanhas da Elite em 2017. Além dos canecos, os campeões das duas séries têm o direito de no ano que vem disputar a Taça Paraná – equivalente a Libertadores para o futebol profissional brasileiro.

Esses são os times que vão jogar a Suburbana em 2017
Esses são os times que vão jogar a Suburbana em 2017

Uma paixão construída pelas raízes

Feita a explicação burocrática dos regulamentos, é hora de mostrar quem vive intensamente a Suburbana: o torcedor. A partir do século XXI dois “estilos de torcer” coexistem nas arquibancadas curitibanas. Com suas peculiaridades, ambas ajudam a manter a tradição do certame e construir uma nova geração de suburbanos apaixonados.

O estilo clássico de torcer é o famoso corneteiro de alambrado. Por não ter fossos nos estádios da Suburbana, é possível ficar colado ao banco de reservas, ao bandeirinha e aos jogadores. Se o professor mexer errado ou o assistente marcar um lance contrário ao time da casa, já sabe que irá sair surdo de campo.

No Amador de Curitiba também existem as torcidas organizadas, e a relação entre elas é bem… Harmoniosa! Constantemente realizam confraternizações, assistem aos jogos lado a lado, até torneio de futebol já fizeram. Prova de que é possível fazer festa sem atrapalhar a diversão dos outros. Abaixo, as principais torcidas organizadas da Suburbana.

Essa é a torcida Taliban, do Santa Quitéria, cujo símbolo é o ex-terrorista Osama Bin Laden (Foto: Dudu Nobre / Do Rico ao Pobre)
Essa é a torcida Taliban, do Santa Quitéria, cujo símbolo é o ex-terrorista Osama Bin Laden (Foto: Dudu Nobre / Do Rico ao Pobre)
Torcida Organizada TOV, do Vasco, não o Carioca, mas o do Pilarzinho! (Foto: Marcelo Lopes)
Torcida Organizada TOV, do Vasco. Não o Carioca, mas do Pilarzinho! (Foto: Marcelo Lopes)
Essa é a torcida União, do Renovicente (Foto: Dudu Nobre / Do Rico ao Pobre)
Essa é a torcida União, do Renovicente (Foto: Dudu Nobre / Do Rico ao Pobre)
Essa é a torcida Ultras, do Uberlândia (Foto: Dudu Nobre / Do Rico ao Pobre)
Essa é a torcida Ultras, do Uberlândia (Foto: Dudu Nobre / Do Rico ao Pobre)
Essa é a torcida Toi Terror, do Imperial, que ostenta o fato de ter a maior faixa das torcidas suburbana (Foto: Dudu Nobre / Do Rico ao Pobre)
Essa é a torcida Toi Terror, do Imperial, que ostenta o fato de ter a maior faixa das torcidas suburbana (Foto: Dudu Nobre / Do Rico ao Pobre)
Essa é a torcida Jovem Vila, do Vila Sandra, durante caravana para Guarapuava em um jogo da Taça Paraná (Foto: Gil Pereira / Do Rico ao Pobre)
Essa é a torcida Jovem Vila, do Vila Sandra, durante caravana para Guarapuava em um jogo da Taça Paraná (Foto: Gil Pereira / Do Rico ao Pobre)
Essa é a torcida Jovem Forta, do Fortaleza do Gabineto (Foto: Rafael Buiar / Do Rico ao Pobre)
Essa é a torcida Jovem Forta, do Fortaleza do Gabineto (Foto: Rafael Buiar / Do Rico ao Pobre)
Essa é a torcida Camisa 12, do Operário Pilarzinho, que conseguiu lotar a reta do relógio da Vila Capanema em 2014 (Foto: Dudu Nobre / Do Rico ao Pobre)
Essa é a torcida Camisa 12, do Operário Pilarzinho, que conseguiu lotar a reta do relógio da Vila Capanema em 2014 (Foto: Dudu Nobre / Do Rico ao Pobre)

Os Artistas do Espetáculo

Não é possível listar todos os jogadores da Suburbana. Mas alguns personagens se destacam dentro de campo, por motivos diferentes. Alguns ganham holofotes por já terem sentido o gostinho do profissionalismo, mas seguem no futebol amador por não conseguirem largar o esporte. Outros são identificados com algumas equipes, construindo uma relação de idolatria cada vez mais rara nos grandes clubes nacionais. Confira algumas figurinhas carimbadas do futebol amador curitibano.

Dolinha, atacante e ídolo do Palmeirinha, ganha a vida vendendo Crepes no terminal da Vila Hauer (Foto: Dudu Nobre / Do Rico ao Pobre)
Dolinha, atacante e ídolo do Palmeirinha, ganha a vida vendendo Churros e Crepes no terminal da Vila Hauer
(Foto: Dudu Nobre / Do Rico ao Pobre)
Lateral Luisinho Netto,que já teve passagens por Atlético-PR e São Paulo, atuando pelo Iguaçu (Foto: Yuri Casari / Do Rico ao Pobre)
Lateral Luisinho Netto, que já teve passagens por Atlético-PR e São Paulo, atuando pelo Iguaçu (Foto: Yuri Casari / Do Rico ao Pobre)
Ano passado, o alvinegro do Butiatuvinha também teve o experiente volante Léo Gago (Foto: Dudu Nobre / Do Rico ao Pobre)
Ano passado, o alvinegro do Butiatuvinha também teve o experiente volante Léo Gago (Foto: Dudu Nobre / Do Rico ao Pobre)
Zagueiro William Loco, do Operário Pilarzinho, que tem como marca registrada bater na barriguinha ao comemorar um gol (Foto: Dudu Nobre / Do Rico ao Pobre)
Zagueiro William Loco, do Operário Pilarzinho, que tem como marca registrada bater na barriguinha ao comemorar um gol (Foto: Dudu Nobre / Do Rico ao Pobre)
O goleiro Jonas, que joga há cerca de 10 anos no Santa Quitéria, foi apelidado de Rogério Ceni do Amador pelos gols de falta (Foto: Rafael Buiar / Do Rico ao Pobre)
O goleiro Jonas, que joga há cerca de 10 anos no Santa Quitéria, foi apelidado de Rogério Ceni do Amador pelos gols de falta (Foto: Rafael Buiar / Do Rico ao Pobre)

Além de tudo isso, o ambiente suburbano é um show à parte. Entrada barata (preços variam de R$0 a R$10), cerveja liberada, gastronomia tradicional (Pão com Bife, Amendoim e Bolinho de Carne), futebol de raça, mas com qualidade.

Com toda essa argumentação, espero ter convencido os curitibanos a acompanharem regularmente o campeonato e ter despertado nos fãs de futebol das outras cidades o desejo de conhecerem a Suburbana quando visitarem a capital das araucárias. Garanto que será uma experiência inesquecível.

Fontes: Do Rico ao Pobre, Federação Paranaense de Futebol

3 Comentários em Mergulhe no universo da Suburbana de Curitiba

  1. Vamos Galo! Comecei a me interessar pela suburbana em 2012, e nessas de escolher um time para torcer me encantei pelo S.O.B.E Iguaçu, alvinegro, italiano, e o principal não ganhava um título desde 1992, foi campeão e 2012 após vinte anos, bem no ano que comecei a acompanhar 😀 virou paixão! Matéria bem interessante, não sabia que o Bairro Alto tinha caído, sempre tiveram bons times. Faz mais matérias da suburbana, explica como foram os times ano passado, nunca entendi direito quando o campeonato começa, que diabo é taça paraná (que inclusive acho que o Iguaçu foi vice esse ano), enfim, tabela de jogos, vai lá CL confiamos em vocês.

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