Mundial 2017: Muito além do Real hexa e do sonho gremista

Nomes pouco falados fizeram atuações digníssimas. | Por Paulinho Rahs, RS

Por Paulinho Rahs, RS

O Mundial de Clubes da FIFA de 2017 chegou ao fim com um desfecho já esperado: o Real Madrid confirmou que é, sim, o dono do mundo ao vencer o Grêmio de Porto Alegre em Abu Dhabi. Mas além da vitória do time de Cristiano Ronaldo, a competição guardou surpresas.

Com três títulos de Champions League dos últimos quatro disputados, os “Galácticos” chegaram mais uma vez ao topo do mundo conseguindo seu sexto título. O troféu de 2017 se junta aos de 2016, 2014, 2002, 1998 e 1960.

Restou para o torcedor gremista se contentar com o vice do mundo e com a bravura da equipe comandada por Renato Portaluppi. Contra um adversário poderosíssimo como o Madrid, pouco se pode fazer. A final do torneio foi decidida num gol de falta de Cristiano Ronaldo numa partida onde se viu o abismo entre o futebol europeu e o sul-americano. O torneio também contou com um protagonista inesperado: Romarinho. O atacante campeão da América pelo Corinthians em 2012 marcou gol contra o time comandado por Zidane e atuou com destaque nos quatro jogos do seu Al-Jazira.

O Grêmio é vice do mundo em Abu Dhabi. (Foto: FIFA WC 2017/Reprodução)
O Grêmio é vice do mundo em Abu Dhabi. (Foto: FIFA WC 2017/Reprodução)

O torneio teve início no dia 06 de Dezembro com a partida entre os convidados do país-sede, os Emirados Árabes Unidos, representados pelo Al-Jazira e os campeões da Oceania, do Auckland City da Nova Zelândia. A partida foi daquelas de nível técnico bem abaixo do que estamos acostumados a ver, seja no Brasil ou na Europa, mas um gol de Romarinho aos 37 do primeiro tempo foi o suficiente para colocar os donos da casa nas quartas de final para enfrentar os campeões da Ásia: os japoneses do Urawa Red-Diamonds. A partida que iria definir quem pegaria o temido Real Madrid na semi também foi um jogo duro de se assistir, contudo o brasileiro salvou novamente: Romarinho fez lindo lançamento e Ali Mabkhout marcou o gol que despachou os japoneses e colocou o surpreendente Al-Jazira frente a frente com o time espanhol.

Romarinho marcou um gol histórico conta o Real Madri (Foto: FIFA WC 2017/Reprodução)
Romarinho marcou um gol histórico conta o Real Madrid (Foto: FIFA WC 2017/Reprodução)

Do outro lado das quartas, o Grêmio esperava seu adversário que sairia da partida entre Pachuca-MEX, campeão da CONCACAF e Wydad Casablanca, os marroquinos campeões da África. O resultado final desta partida mostra muito do que foi o campeonato mundial: nível técnico sofrível. Os mexicanos só marcaram na prorrogação o único gol da partida e se classificaram para enfrentar o Imortal Tricolor na semi.

Na terça-feira, 12 de Dezembro, o Rio Grande do Sul parou para assistir o Grêmio de volta a disputa de um torneio do mundo após 22 anos. Naquela oportunidade, em 1995, ainda em jogo único, o Grêmio viu o sonho do bi ser perdido nos pênaltis contra o Ajax, da Holanda. Desta vez, uma partida nervosa e com cara de Libertadores contra os mexicanos do Pachuca levou o torcedor a um sofrimento enorme. A partida disputada em Al Ain também foi para a prorrogação e só foi decidida com um golaço do menino Éverton, vindo do banco. O 1 a 0 foi suficiente para a esperança gremista de “acabar com o planeta” se manter viva. Restou apenas a partir daÍ aguardar o dia que seguinte e ver o desfecho que teria o jogo improvável de Real Madrid e Al Jazira.

Éverton marcou na prorrogação e colocou o Grêmio na semi (Foto: FIFA WC 2017/Reprodução)
Éverton marcou na prorrogação e colocou o Grêmio na semi (Foto: FIFA WC 2017/Reprodução)

Na outra semi-final, se enganou direitinho quem esperava um massacre espanhol. Bom, ao menos no placar. Os números finais mostraram que as 36 finalizações do Real contra apenas 5 do time árabe , além dos 70% de posse de bola, refletem um jogo desigual. Contudo, a lógica não se aplica no futebol. Os madrilenhos forçaram de todo jeito, mas pararam numa atuação incrível do goleiro Ali Khaseif. Aos 40 do primeiro tempo, Romarinho recebeu dentro da área num raro contra-ataque do Al-Jazira, cortou e bateu no canto. Foi o inacreditável fim de primeira etapa com o time de Cristiano Ronaldo atrás. E quase que foi pior: aos 2 do segundo tempo, com o Real pressionando muito, um contra-ataque fulminante colocou dois atletas do time adversário cara a cara com Navas. Boussoufa recebeu livre e marcou o segundo. A tragédia não se consumou, pois foi marcado um justo impedimento. A partir dai o Real engoliu, ainda mais, e foi só questão de tempo para consumar a classificação: Ronaldo, aos 8, e Bale, aos 36 fecharam a conta e confirmaram o esperado jogo final entre Grêmio e Real Madrid.

O Real de Cristiano Ronaldo enfrentou o Grêmio de Kannemann (Foto: FIFA WC 2017/Reprodução)
O Real, de Cristiano Ronaldo enfrentou o Grêmio, de Kannemann (Foto: FIFA WC 2017/Reprodução)

E finalmente chegou a grande final, no histórico sábado, 16 de Dezembro de 2017. Antes da partida final entre brasileiros e espanhois, a preliminar foi a decisão do terceiro lugar. Num jogo de importância mínima, o Pachuca meteu 4 a 1 no Al-Jazira e confirmou a medalha de bronze. Assim se encerrou uma bonita campanha do time da casa que curiosamente, sendo um convidado, foi quem mais jogou no Mundial: quatro partidas.

A grande final se aproximava e durante a partida que precedeu o grande jogo, já se ouvia os gritos de  “Grêmio! Grêmio!”, dos torcedores que atravessaram o mundo para assistir o Tricolor Gaúcho. Estima-se que em Abu Dhabi cerca de 7 mil estiveram. Um número expressivo se contar que o tempo entre a final da Libertadores e a primeira partida do Mundial foi de exatamente duas semanas.

Era perto das 15h no Brasil quando as equipes estavam em campo frente a frente para o confronto que os gremistas passaram o ano imaginando e idealizando. Desde os primeiros meses já corria uma montagem nas redes sociais que imitava uma chamada da Rede Globo para o jogo. Aconteceu. Contudo a realidade foi um tanto difícil de digerir. O time que por muitos momentos no ano desfilou o melhor futebol do país, não conseguiu se apresentar diante do melhor futebol do mundo. O Grêmio não se retrancou, tentou jogar  pra cima como fez o ano inteiro. Não adiantou. A constelação do Madrid apagou o brilho de um Grêmio que já chegou desfalcado de seu melhor jogador: Arthur. Outro que foi esperado que seria um grande trunfo do time gaúcho no Mundial foi Luan. Esse fez uma partida tenebrosa, de muitos erros e zero de inspiração. Com isso, o resto do time lutou bastante, mas a dificuldade era gigante. O Real não teve dificuldades para se impor e contou com o croata Modric fazendo uma partida fenomenal. O Grêmio se segurou como pode e teve na sua defesa os grandes destaques: Marcelo Grohe, Kannemann e Geromel foram os melhores do time e os únicos que fizeram alguma frente ao gigante espanhol. Uma pressão monstruosa do Real que poucas vezes teve resposta. Na única finalização do Grêmio no jogo, Edílson bateu falta do meio da rua. Foi bem, mas por cima do gol.

O exato momento em que o sonho gremista termina: a barreira abre na falta de Ronaldo e a bola passa, indefensável para Grohe (Foto: FIFA WC 2017/Reprodução)
O exato momento em que o sonho gremista termina: a barreira abre na falta de Ronaldo e a bola passa, indefensável para Grohe (Foto: FIFA WC 2017/Reprodução)

Para o time brasileiro, era se segurar como dava. E deu. Até os sete do segundo tempo. Na chance menos provável, foi onde o Madrid marcou: Cristiano Ronaldo bateu uma falta no meio da barreira. Seria um lance qualquer, mas a barreira abriu. Lucas Barrios se virou, se protegeu de uma bolada e foi bem ali que a redonda passou. Era uma falta cobrada pelo melhor jogador do mundo e esse erro custou caro. O Grêmio sentiu o gol, ficou pior no jogo e seguiu apenas se defendendo como dava. Não abriu mão do toque de bola nas poucas vezes que a teve, mas parecia ser tarefa fácil para o Real recuperar. “Uma seleção do mundo”, como definiu o comandante Renato Portaluppi ao fim de tudo. E assim o jogo terminou. O sonho gremista do bi-mundial foi adiado, porém o sabor seguiu sendo de dever cumprido: era sabido para o Grêmio que vencer o Real Madrid seria quase impossível. 20 finalizações contra 1 mostraram isso.
O time lutou, não se acovardou e conseguiu um resultado honesto contra o maior time do mundo na atualidade. Um desfecho bonito para um ano mágico.

Já o Real confirmou mais uma vez sua supremacia. Cristiano Ronaldo, que conquistou recentemente sua quinta bola de ouro, foi eleito o segundo melhor do mundial. O craque do torneio, merecidamente, foi Luka Modric. Passou pelos pés dele o hexa do Real Madri.

E essa foi a história do Mundial de Clubes da FIFA de 2017.

Real é hexacampeão do mundo em Abu Dhabi. (Foto: FIFA WC 2017/Reprodução)
Real é hexacampeão do mundo em Abu Dhabi. (Foto: FIFA WC 2017/Reprodução)

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