Na Copa do Brasil, o hino dita as opções do Flamengo: vencer, vencer ou vencer

A temporada, que muito prometia, mudou de figura rapidamente

A conquista da quarta estrela é hoje a maior esperança de não ficar, mais uma vez, de mãos abanando (Foto: Julio Cesar Guimarães/UOL)

Hugo Netto | MG

 

Na primeira versão deste texto, o primeiro parágrafo era de exaltação, parabenizando o Flamengo pela temporada que vinha fazendo, e demonstrando confiança na conquista da Copa do Brasil, até então, apenas “um dos” títulos a serem almejados. A derrota para o Cruzeiro na Libertadores, em casa, e o 3 a 0 para o Atlético-PR, no Brasileirão, acendiam um alerta, mas o geral ainda era positivo.

Porém, desde o momento em que a primeira palavra da análise foi escrita, vieram quatro partidas fundamentais na busca pelo tão sonhado – e “inalado” – heptacampeonato brasileiro, e apenas quatro pontos. O sentimento da torcida é de que ficou, mais uma vez, para o próximo ano. Além disso, também houve a segunda partida das oitavas da Liberta, que frustrou mais uma, das incontáveis ilusões com o bicampeonato do título mais importante das Américas.

Os erros defensivos foram fundamentais para a derrota no Maracanã e a consequente eliminação para o Cruzeiro (Foto: REUTERS/Pilar Olivares)

Agora, ainda que o título do Brasileirão não tenha sido completamente descartado, nesta quarta-feira, o clube tem pela frente uma verdadeira obrigação, para que não desperdice, mais uma vez, uma temporada promissora. Pela semifinal da Copa do Brasil, o adversário é o Corinthians, que passa por situação semelhante. Experimentou o mesmo gosto amargo da eliminação continental, para o Colo-Colo, e não empolga no cenário nacional, quando se trata dos pontos corridos, ocupando apenas a décima colocação, tendo perdido também uma série de pontos “fáceis”, além do clássico contra o Palmeiras, no último domingo.

 

Quem faz a diferença

No clássico das duas maiores torcidas do país, a rubro-negra é quem recebe primeiro seu time. Com uma média de 35 mil pagantes por partida (a maior do futebol brasileiro no ano), e que aumenta em mais 16 mil, considerando apenas as duas partidas em casa na Copa do Brasil, a Nação é, definitivamente, o maior trunfo flamenguista para a partida.

O 12º jogador rubro-negro já mostrou do que é capaz, na decisão das quartas de final, contra o Grêmio (Foto: Lucas Dantas/Flamengo)

Tamanho esforço dos adeptos de comparecerem aos jogos, mesmo quando não são correspondidos em campo, será replicado também pela diretoria e por outras duas peças-chave nessa temporada: os meias Lucas Paquetá e Gustavo Cuéllar serão trazidos por um avião fretado, um dia depois de participarem dos amistosos de suas seleções. Apesar do desgaste, só de serem relacionados para a partida, a equipe já inspira mais confiança.

Paquetá, mesmo no período pós-Copa, quando sofreu uma nítida queda no desempenho, continua sendo o líder nas estatísticas do time em finalizações, dribles e gols, além de ser o segundo em passes certos e o terceiro em desarmes e assistências. Cuéllar, para exemplificar sua principal função, executou impressionantes dez desarmes em uma só partida, a maior marca nesse Brasileiro.

A dupla digna de seleção faz falta no meio-campo, embora não seja justo dizer que há uma dependência (Foto: Lance!)

Além dos selecionáveis, Everton Ribeiro vem cada vez mais demonstrando a categoria e a visão de jogo diferenciada que sempre se espera dele. E, no gol, o grande problema, que aparece até hoje nos pesadelos dos flamenguistas, ao recordar, entre diversas outras falhas, da disputa de pênaltis da final do ano passado, por exemplo, foi resolvido. Diego Alves, mesmo passível de erros, transmite segurança à torcida e aos companheiros de equipe.

 

Outros destaques (positivos ou não)

Também não podemos esquecer de Diego Ribas, que, logo quando chegou, conquistou toda a torcida, atuando como um verdadeiro símbolo rubro-negro, mas foi caindo de produção, até chegar à relação conturbada, repleta de altos e (mais) baixos, que é hoje.

Ele é prova de que, para jogar no Flamengo, não basta uma ou outra boa atuação, e é justamente por isso que as primeiras desconfianças e críticas já começavam a sondar Vitinho. A contratação mais cara da história do Flamengo conseguiu, depois de nove partidas e algumas boas jogadas, marcar seu primeiro gol pelo time de infância, e agora mantém viva a esperança de que reaprenda a jogar no futebol brasileiro e faça valer o altíssimo investimento.

Em contrapartida, com a exceção de Léo Duarte, mais uma excelente prata da casa, que chegou para oferecer velocidade à zaga, além de contribuir, com excelência, nos desarmes, a linha defensiva do time da Gávea é, sem dúvidas, o setor mais carente. O capitão Réver em péssima fase, cometendo falhas grotescas, não faz nem sombra do xerife que um dia chegou a ser no Flamengo, muito menos em toda a sua carreira. A deficiência em ambas as laterais é unanimidade para os milhões de “torcedores-treinadores” Brasil afora. Se é raridade encontrar um lateral no futebol mundial hoje em dia que desempenhe bem as funções tanto de ataque quanto de defesa, o Flamengo está bem servido de jogadores que não exercem nenhuma das duas. Um festival de cruzamentos errados e enormes avenidas são, hoje, os maiores obstáculos no trajeto do time.

A lateral direita, principalmente, que durante muitos anos foi indiscutível, hoje sofre com o revezamento de opções inconsistentes

Saindo do quesito “jogadores”, um dado que pode pesar a favor dos cariocas é o retrospecto recente na competição. Das últimas seis copas, incluindo a atual, chegaram às semifinais em quatro, tendo sido campeões em 2013 e vices em 2017. Porém, ao mesmo tempo em que transmite uma certa tradição em mata-matas, pode também fortalecer a “essência” das piadas dos rivais, dependendo, principalmente, dos desfechos de 2018.

 

Fontes: FOX Sports, Globo Esporte: Avião fretado, Globo Esporte: Média de público

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