Não se trata de rivalidade, se trata de respeito

Quando o futebol passa a valer mais que a vida

Colorados e Gremistas, juntos e em paz. (Foto: Alexandre Lops/Divulgação Inter)
Por: Daniel Bravo, MG

O que você ganha quando passa dos limites das brincadeiras envolvendo o futebol, humilhando alguém que nada mais é que um rival e não um inimigo? Quando foi e porque foi que você começou a agir e acreditar que todo tipo de palavra ofensiva cabe dentro do esporte e valha risadas e gozações? Chega. Vamos tentar desconstruir todos esses erros que, em algum momento, tomaram proporções gigantes. Que tal entender quem eu sou enquanto torcedor, quem meu rival é e quem somos quando separamos rivalidade de guerra?!

A primeira coisa que eu gostaria que pensássemos juntos é: Como meu time seria, caso o rival não existisse? Confuso? Imagine que todas as pessoas do seu bairro, cidade e até mesmo do seu estado torcessem pelo mesmo time, qual seria a graça? O que move o futebol e o faz ser o esporte mais apaixonante e acompanhado do mundo é justamente a existência de diferentes clubes e torcidas. Com isso, por mais triste que seja, precisamos citar aqui casos de desrespeito, mostrar que ainda que seja minoria, aqueles que passam dos limites precisam ser banidos do meio do futebol.

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Bonecas penduradas pelos torcedores do Celtic (Foto: Reprodução/Twitter)

No maior clássico Escocês e um dos maiores clássicos do mundo, disputado entre Celtic e Rangers no dia 9 de setembro, parte da torcida do Celtic cometeu um daqueles exageros que costumam ser criticados e causar revolta até mesmo no próprio torcedor do clube. No dia mundial do combate ao suicídio, torcedores penduraram bonecas infláveis com uma corda amarrada no pescoço, uma delas estava com um cachecol nas cores do rival, Rangers, já a outra um detalhe laranja. A ação pode ainda ter sido uma forma de ofender o ex-atacante do Ranger, Kris Boyd, que havia perdido, dois dias antes do jogo, seu irmão que se matou.

Além desse fato, por vezes torcidas se aproveitam do falecimento de atletas dos times rivais ou mesmo de parentes. Em 2003, o hoje falecido atacante Alex Alves, ou Alex Capoeira, como era conhecido, viu a torcida do Atlético-MG zombar do falecimento de seu pai. Na oportunidade, o atacante terminou fazendo o gol da vitória e se despedindo do clube mineiro. No Sul, parte da torcida gremista não poupou a morte do colorado Fernandão e cantaram músicas ironizando o falecimento do eterno capitão do Internacional.

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Em gesto que viralizou na internet, Dani Alves deu exemplo contra o preconceito (Foto: Reprodução/ Internet)

Ainda dentro do exagero e do preconceito, cânticos machistas ou atitudes racistas e preconceituosos seguem sendo entoados nos estádios, vide os berros de “BICHA” gritado por diversas torcidas quando o time adversário cobra tiros de meta ou acontecimentos como o de Daniel Alves no Barcelona. É triste e mesmo deprimente a valorização no quesito sexualidade padrão que ainda se tem dentro do futebol.

Muitos podem julgar essas atitudes como brincadeiras ou ser “CL”. Desculpe, caso seja uma decepção pra você, confrade, mas preconceito e discriminação jamais serão atitudes reverenciadas por nós. Como mostramos no site, preconceito, machismo e desrespeito não deve fazer parte do belo espetáculo que é o futebol. Que atitudes como as de Inter e Grêmio em criar um setor para que torcedores dos dois clubes fiquem juntos possam se espalhar por todos os setores do estádio. Respeito não se trata de classe financeira, mas de caráter e educação.

Fonte: Extra e Globoesporte.com

 

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