Neymar e a nova elevação dos patamares financeiros do futebol

Craque da Seleção Brasileira pode ser a nova transferência mais cara da história do futebol

(Albert Gea/Reuters)
(Albert Gea/Reuters)
Por: Victor Portto, CE.

Paris Saint-Germain tenta a contratação de Neymar. Esta notícia não é nova no cenário das especulações do mercado da bola europeu. Já aconteceu outras vezes, inclusive na janela de transferências do ano passado, mas ontem voltou a ganhar bastante força na imprensa mundo afora por um possível “sim” do atacante a uma proposta do clube francês. Alguns elementos geram burburinho em uma situação como a do brasileiro: altíssimos valores envolvidos (222 milhões de euros + 30 milhões de euros por temporada de salário), o que o transforma no jogador mais caro da história com sobras, e a negação veemente dos dirigentes do Barcelona e do pai do atleta em relação a sua saída do clube. Vale lembrar que na França a taxação de impostos é altíssima — algo em torno de 50% e que deve ser levado em conta pelo staff do jogador para uma pedida salarial bem mais alta do que na Espanha.

Têm sido discutidos em todas as notícias os fatores esportivos e financeiros que levariam Neymar a aceitar essa proposta, mas aqui iremos por outro viés. Vamos pensar o que essa transferência suntuosa (caso ocorra) geraria no mercado do futebol. Algo semelhante à transferência de Johan Cruyff para o Barcelona na década de 70 (por 60 milhões de pesetas, aproximadamente 3,25 milhões de reais) e de Zidane no início dos anos 2000 para o Real Madrid (por 73,5 milhões de euros). As duas transações tiveram em comum o efeito de inflacionar os valores de vendas de jogadores no futebol mundial e ampliaram os gastos dos clubes com atletas para limites financeiros que beiravam a insanidade. Inclusive, o governo espanhol não aceitou a transferência de Cruyff na época por achar o preço muito alto, e fez o Barcelona fingir que estava comprando algodão holandês para poder registrar o jogador. O valor recorde atual é de 105 milhões de euros do Manchester United por Pogba, mas o que seria gasto com Neymar ultrapassa o dobro do que foi esta negociação do clube inglês.

A saída do brasileiro do Barça faria ou fará o futebol entrar de vez em uma nova bolha econômica, podendo gerar sanções ao PSG por gastar acima do limite permitido no fair-play financeiro da Europa e geraria um amplo debate sobre os valores que o esporte faz girar em seus negócios. Foi por esse aumento de gastos no início dos anos 2000 que surgiu o padrão Fifa de estádios, de preços de ingressos e toda uma gama de fatores que afastou cada vez mais o povo do futebol e reforça o pensamento de pessoas como o ex-presidente do Atlético Mineiro (Alexandre Kalil) que acha que o futebol não é feito para pobres. Talvez uma nova onda de gourmetização e inflação de preços surja ainda mais se transferências com estes valores se tornarem mais corriqueiras, tudo em nome do lucro e da viabilidade dos negócios.

Ok, mas o que faria Neymar trocar esportivamente o Barcelona pelo Paris Saint-Germain? O primeiro motivo claro seria tentar alcançar o status de melhor do mundo, que à sombra de Messi no Barça parece ser impossível. Ser a referência técnica de um time que visa ser uma marca mundial e entrar no rol dos times de primeiro escalão (falando somente de fator esportivo, levando em consideração resultados de campeonatos nacionais e competições continentais) como Juventus, Barcelona, Real Madrid e Bayern de Munique. Há ainda o fator títulos, que mesmo com menor diferença nesta balança é algo mais fácil de ser alcançado na França com o PSG do que na Espanha com a concorrência ferrenha do Madrid e ainda com o Atlético de Madrid brigando de vez em quando com os dois gigantes. Parece ser um passo atrás na carreira do jogador no aspecto esportivo por sair de um time que é referência mundial e ir para um campeonato menos competitivo, mas pode pesar também o fator ego e a vontade de brigar pela Bola de Ouro.

A imprensa vai adorar discutir, alguns canais já cravam o negócio como certo e esta certamente virará a novela de negociação deste período de início de temporada. E vocês, o que acham desta possível transferência? Gerará uma nova bolha no futebol, vai ser melhor para aumentar a competitividade da Champions League ou será o novo “Seedorf no Corinthians”?

Fontes: Época; FoxSports; Estadão.

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