No bom estilo sul-americano, Uruguai acaba com tabu de 44 anos

Celeste vence o Egito em sua estreia na Copa de 2018

O momento em que o recorde negativo foi quebrado (Foto: Reuters)
Por Hugo Netto, MG

No Brasil, muito se comentava do camisa 10 do Uruguai, Giorgian de Arrascaeta. De forma orgulhosa, da parte dos cruzeirenses, com uma ponta de inveja dos rivais, ou até mesmo de forma mais neutra, destacando apenas o quão inusitado era o fato de a Seleção possuir um ataque de Champions League, com Luis Suárez e Edison Cavani, e um meia que disputa o Campeonato Mineiro, jogando até contra equipes da Série D do Campeonato Brasileiro. Também havia quem se recusasse a esquecer o estranho hábito de Luisito, aparentemente já superado, de morder seus adversários, assim como fez na última Copa.

No mundo, o assunto principal era a possível volta aos gramados de Mohamed Salah, estrela do Liverpool e ídolo máximo do Egito, em quem seus conterrâneos depositam toda a gratidão pela classificação ao mundial, e a esperança em uma campanha de maior sucesso.

“O Faraó” quase ficou de fora da Copa do Mundo (Foto: Paul Ellis/AFP)

Realidades

Na prática, Arrascaeta, assim como seu companheiro de meio-campo, Nahitan Nandéz, não fizeram valer o ataque de respeito e criaram poucas chances, sendo substituídos com atuações apagadas. Salah foi poupado, mesmo com seu time correndo riscos de ficar atrás no placar durante toda a partida, e mesmo assim foi destaque em um primeiro tempo sem graça, por seu simples gesto de cortar uma caneleira, registrado pelas câmeras. Suárez, felizmente, terminou mesmo o jogo sem exercitar a mandíbula.

Foram personagens bem menos improváveis que chamaram a atenção. No lado africano, o goleiro El Shenawy, quando o ataque adversário finalmente funcionou, tratou de fechar o gol, fazendo excelentes defesas, inclusive uma à queima-roupa em um raro chute certo do atacante do Barcelona. E, quando Cavani resolveu assumir a missão de balançar as redes nos últimos minutos, com dois lindos chutes, o arqueiro também demonstrou sua elasticidade e sorte, ao contar com a trave na cobrança de falta do atacante do PSG.

E na seleção sul-americana, os destaques foram a dupla de zaga. Diego Godín não deu brecha para as ofensivas egípcias, e em toda a partida parecia ser o único com real desejo de ganhar, participando até mesmo no ataque. Mas foi a cabeçada do outro zagueiro, José Giménez, em um cruzamento na falta cobrada por Sánchez, que permitiu à Celeste saber novamente como era vencer a primeira partida em uma Copa do Mundo. Desde 1970, quando venceu o Israel por 2 a 0, isso não acontecia.

Foi no desespero, quebrando jejum, em uma das muitas bolas lançadas na área desesperadamente, aos 44 minutos do segundo tempo. A segunda partida da Copa do Mundo de 2018 foi um exemplo de que, como bom sul-americano, “se não for sofrido, não é Uruguai”.

Fontes: Lance, Globo Esporte

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