Novo Hamburgo e a interrupção da supremacia da dupla Grenal

O título faz bombar críticas contra a dupla Grenal, mas dá respaldo ao trabalho que os clubes do interior vêm fazendo

(Foto: reprodução/ Twitter Diego Guichard)
Por Jean Costa, RS

Aconteceu! Após 180 minutos de disputa intensa e tensão pra mais de metro, o Novo Hamburgo sagrou-se campeão gaúcho ao vencer o Internacional nas penalidades. A partida aconteceu no estádio Centenário, em Caxias do Sul, campo neutro, mas que no fim das contas não fez lá tanta diferença. Foi o palco para a coroação de uma belíssima e humilde campanha ao longo de toda a competição.

A conquista anilada serve também para mostrar que não é só de dupla Grenal que vive o Rio Grande do Sul. Apesar da falta de investimento e consequentemente do pouco dinheiro disponibilizado, as equipes vêm melhorando nas últimas temporadas. O Novo Hamburgo provou isso. É o rompimento de uma escrita que perdurava 17 anos, desde quando o Caxias foi campeão ao bater o Grêmio. Na época, a equipe grená era comandada pelo técnico da nossa seleção.

O título faz com que as críticas para a dupla Grenal venham com força, mas dá respaldo ao trabalho que os clubes do interior vêm fazendo e fortalece uma equipe que, por incrível que pareça, estava preparada para não cair.

Jardel, Preto e Julio Santos, são só alguns dos destaques dessa campanha histórica do Anilado (foto: reprodução/ Twitter Diego Guichard)
Jardel, Preto e Julio Santos, são só alguns dos destaques dessa campanha histórica do Anilado (foto: reprodução/ Twitter Diego Guichard)

O Novo Hamburgo veio para esse Campeonato Gaúcho em meio à falta de investimento e as contas no vermelho. O orçamento cabível para a equipe era cerca de R$ 100 mil mensais. Geralmente, este valor é igual ao de clubes do interior que brigam para não cair no Sul, mas não foi nada disso que aconteceu. Se no início do Gauchão o torcedor anilado ficaria feliz apenas se a equipe permanecesse na primeira divisão, hoje, ele tem motivos para comemorar até quando bem entender!

Se fala muito no eterno clichê de Davi contra Golias quando um pequeno bate um grande, mas essa não é a linha de hoje. O Novo Hamburgo liderou o Campeonato Gaúcho de ponta a ponta, tendo alcançado a marca de seis vitórias consecutivas nas primeiras rodadas. É claro que veio o momento de baixa para a equipe: duas derrotas consecutivas na sétima e na oitava rodada e dois empates faziam parecer com que um possível conto de mágica não fosse lá tão realidade assim. Só que o Noia não perdeu a liderança, sequer foi consideravelmente ameaçado pelos rivais. O anilado ergue a taça após uma campanha de nove vitórias, seis empates e apenas duas derrotas, com 64,7% de aproveitamento.

O homem por trás do feito inédito (Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS)
Beto Campos, o homem por trás do feito inédito (Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS)

O que abrilhanta ainda mais essa campanha é o fato de que a equipe não perdeu para dupla Grenal na competição. Foram seis jogos: uma vitória contra o Colorado na segunda rodada e cinco empates. Quatro destes terminados com o placar de 1 a 1.  Com a defesa sólida e velocidade nas transições, o Novo Hamburgo explorou muito os contra-ataques rápidos e bolas áreas no Gauchão. O belíssimo trabalho do treinador Beto Campos nos remete a outra equipe azul que entrou para a história lá na Inglaterra. Não há dúvidas quanto à consolidação do técnico. Não há dúvidas de que a conquista veio com todos os méritos possíveis.

Comemoração mais que merecida (Foto: Reprodução/twitter Diego Guichard)
Comemoração mais que merecida (Foto: Reprodução/Twitter Diego Guichard)

O agora Leicester dos Pampas (expressão do cronista com tendência de uso), tem em sua sala de troféus a maior conquista. São mais de 100 anos de história e, apesar do cenário, os números e o que foi apresentado dentro de campo deram ao Rio Grande do Sul um novo e merecido campeão estadual. E não é só isso, no ano em que a dupla Grenal mais valorizou o Gauchão, nenhum dos dois foi o melhor. Isso valoriza ainda mais a conquista do Novo Hamburgo.

“Amanhã vão falar do Grêmio, do Inter, do Brasil e do Juventude, mas hoje, com todo respeito, somos os maiores!” – Matheus, arqueiro do Novo Hamburgo, após a conquista histórica do clube.

A frase acima do goleiro anilado nos remete ao que todos estão cansados de saber: a mídia sempre vai dar valor ao que mais dá audiência, o que infelizmente é normal. Mas apesar dos quatro citados serem consideradas as primeiras forças, hoje, o Novo é o melhor time.

Na cidade de Novo Hamburgo se falará de Jardel, João Paulo, Julio Santos, Juninho, Matheus e companhia por muitos anos. O torcedor anilado que frequenta, e os que frequentarão, o Estádio do Vale irão ouvir sobre aquele time que fez história ao ser campeão gaúcho em 2017. E esta história é mais que centenária, ela rompe com uma hegemonia de 17 anos. Era preciso, as equipes do interior mereciam este feito. Não é apenas para o Noia! É preciso olhar com mais carinho para os clubes do interior. Há muitos trabalhos bem feitos e que merecem ser reconhecidos.

Ao Novo Hamburgo ficam os merecidíssimos parabéns! Em meio a todos os obstáculos que tinha pela frente, a equipe se mostrou gigante durante todo o campeonato. Entra para a história com todo o merecimento do mundo. Foram 5 vices ao longo de sua vida, mas o dia 07 de maio de 2016 com certeza faz com que fiquem de lado após conhecerem o doce sabor da conquista.

Que os torcedores respeitem o Novo Hamburgo. Foi campeão de ponta a ponta, tendo a melhor campanha e eliminando a dupla Grenal no mesmo campeonato, é o primeiro clube do interior a fazer isso na história. Hoje o Novo Hamburgo é maior time do Rio Grande do Sul! Palavras de um gaúcho na CL.

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