O Caminho da Libertadores: Botafogo

Engenhão? Prazer, Nilton Santos: em 2017, o Botafogo volta ao Engenho de Dentro impondo suas cores ao estádio olímpico (Foto: Divulgação/Botafogo F. R.)
Por: Marcelo David, RJ

Conhecido pela sua inabalável superstição, o torcedor do Botafogo já está, há semanas, fazendo das suas para que o time avance na Taça Libertadores da América em 2017. Após sorteio realizado no último dia 21 de dezembro, no Paraguai, soube-se que o caminho do Glorioso na competição continental será o mais difícil entre todos os oito clubes do futebol brasileiro que dela participarão.

A estreia do alvinegro carioca na fase prévia da Libertadores será contra o Colo-Colo, do Chile, equipe tradicional que conquistou o título sul-americano em 1991. Se passar, enfrenta o vencedor do confronto entre o equatoriano Independiente Del Valle, atual vice-campeão, ou o tradicionalíssimo Olimpia, do Paraguai, tricampeão da competição.

Mas acredite, confrades e damas: a partir daí, piora.

Caso vença essas duas batalhas, o Botafogo entrará na fase de grupos da Libertadores num grupo formado por Barcelona, do Equador, e pelos sempre favoritos Estudiantes, da Argentina, e Atlético Nacional, da Colômbia, atual campeão da competição e, no momento, “time sensação” do continente. O torcedor botafoguense, apesar da evidente dificuldade e do acúmulo de insucessos do clube em competições internacionais nos últimos anos, mantém a esperança viva – porque, em 2016, aprendeu a acreditar no impossível.

Os últimos anos do Botafogo foram uma montanha-russa. No fim de 2013, o clube conquistou uma vaga na Libertadores após 18 anos de ausência, com direito a ter o craque Seedorf no elenco, mas o ano seguinte não terminou tão bem: em meio a um desmanche da equipe, o clube terminou a competição sul-americana na lanterna de seu grupo, e no fim de 2014 terminaria rebaixado à Série B do Campeonato Brasileiro.

Em 2015, o Botafogo venceu a Segunda Divisão, retornando assim à elite do futebol brasileiro, além de ter conquistado o vice-campeonato carioca, perdendo a decisão para o Vasco. Mas esses anos foram, no geral, desastrosos para o clube, graças à pavorosa gestão do presidente Mauricio Assumpção, que conseguiu fazer do Botafogo o dono da maior dívida do futebol brasileiro – no ano passado, a partir da constatação de inúmeras irregularidades, Mauricio acabou sendo expulso do quadro social do clube.

Num estádio lotado, Dudu Cearense comemora com Sassá gol contra o Atlético: a Arena Botafogo, na Ilha do Governador, foi decisiva para a arrancada alvinegra. (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo F. R.)
Num estádio lotado, Dudu Cearense comemora com Sassá gol contra o Atlético: a Arena Botafogo, na Ilha do Governador, foi decisiva para a arrancada alvinegra (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo F. R.)

Após iniciar 2016 preocupando-se apenas em se manter na Série A do Brasileirão, e tendo ficado boa parte da competição na zona de rebaixamento, o clube iniciou uma arrancada surpreendente, após a saída do técnico Ricardo Gomes, que preferiu ir para o São Paulo. Sob o comando de Jair Ventura, que construiu um time coeso, incansável e confiante, e graças ao encaixe entre time e torcida (muito por conta da Arena da Ilha, casa provisória do Alvinegro no ano), o Botafogo, que estava em 17° lugar próximo à virada do turno, terminou o campeonato na 5ª posição.

Por tudo isso, o sentimento do torcedor alvinegro é de vitória, pois o cenário era sombrio. O último ano deu ao botafoguense o gosto do otimismo – contrariando a histórica frase de Nelson Rodrigues, para quem há, no alvinegro carioca, “a emanação específica de um pessimismo imortal”. Talvez a expressão “o que vier é lucro” poucas vezes tenha feito tanto sentido, mas futebol e razão não combinam – e lá está, na arquibancada do Nilton Santos, o torcedor alvinegro que, após passar pelo calvário de um clube falido na Série B em 2014, sonha em desbravar – e conquistar – a América apenas três anos depois.

Fontes: UOL, O GloboExtra e Blog do Juca Kfouri.

3 Comentários em O Caminho da Libertadores: Botafogo

  1. “[…]e lá está, na arquibancada do Nilton Santos, o torcedor alvinegro que, após passar pelo calvário de um clube falido na Série B em 2014, sonha em desbravar – e conquistar – a América apenas três anos depois.”
    Jesus voltou em 3 dias. 3 anos depois talvez seja o tempo pro renascimento alvinegro. Eu costumo dizer que sou ateu, mas meu deus é o Botafogo.

    Belo texto!

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