O campeão voltou? Toni Kroos recoloca a Alemanha na Copa

Alemanha vence e volta a sonhar com o título da Copa do Mundo

Foto: Odd Andersen/AFP
Por Rodrigo Rebelo, RJ

Todo o favoritismo que a Alemanha adquiriu no decorrer das eliminatórias, caiu por terra no primeiro jogo da Copa 2018. Atuando de forma burocrática, sem qualquer criatividade e demonstrando falhas na marcação, os atuais campeões mundiais foram facilmente envolvidos pelos mexicanos e amargaram a derrota logo na estreia da competição.

Mas, mais do que isso, o que chocou boa parte das pessoas foi a postura da equipe de Joachim Löw. Pouco antes da chegada à Rússia, nos amistosos contra Arábia Saudita e Áustria, o time já havia atuado de forma pouco inspirada e preocupante, mas muitos acharam que era o típico caso de diminuir um pouco o ritmo às vésperas da estreia, para evitar lesões ou qualquer outro problema.

Pois bem, não era.

A derrota para o México deixou o time em situação complicada, precisando vencer de qualquer forma a Suécia para se manterem vivos e evitar a humilhação de serem eliminados logo na primeira fase. Para isso, Löw promoveu algumas mudanças na equipe: saíram Hummels (lesionado), Plattenhardt, Khedira e Özil, e entraram Rüdiger, Hector, Rudy (que se machucou ainda na primeira etapa, dando lugar a Gündogan) e Reus, respectivamente. A mudança na equipe foi nítida, apresentando uma marcação mais atenta, cedendo menos espaços no meio campo e com maior mobilidade na parte ofensiva. Mas, ainda assim, Timo Werner ficava um pouco isolado na frente, necessitando de uma maior aproximação dos meias e laterais, o que fez a boa defesa sueca ter sucesso na maior parte das jogadas do primeiro tempo.

No setor defensivo, Jonas Hector deu mais de qualidade à marcação e Rudy mostrou-se muito mais atento à partida do que Khedira, na estreia. O mesmo ocorreu com seu substituto, Gündogan, que desde os 31 minutos do primeiro tempo esteve em campo exercendo essa função. A cobertura nas subidas de Kimmich melhoraram e isso também fez o grande protagonista da partida se destacar, para o bem e para o mal: Toni Kroos.

O destaque negativo

Apesar de um certo domínio alemão, o jogo não estava tão movimentado na etapa inicial. A Suécia já havia reclamado de um pênalti de Boateng em Berg, não marcado, e aos 32 minutos aconteceu algo que o mundo não está acostumado a ver: Toni Kroos errou um passe. Mas, para o azar dos alemães, não foi um passe qualquer. A bola, perdida quase no meio campo, ficou nos pés da Suécia e terminou com Toivonen invadindo a área e encobrindo Manuel Neuer, fazendo a torcida sueca explodir de alegria no estádio. Kroos, além de errar o passe, falhou na recomposição da jogada e nem sequer deu combate ao adversário, proporcionando, assim, o contra ataque que culminou no gol que poderia eliminar a Alemanha. Neuer ainda fez uma espetacular defesa antes do intervalo, mas ficou nisso mesmo. Mudanças eram urgentes, caso Joachim Löw não quisesse chegar na última rodada, contra a Coreia do Sul, apenas para disputar um amistoso de luxo.

Foto: Christian Charisius/DPA

Veio o segundo tempo e, com ele, o desespero alemão tendia a aumentar. Na volta do intervalo, Joachim Löw colocou Mario Gómez no lugar de Draxler e deixou claro que era tudo ou nada dali por diante. O gol de Marco Reus, logo aos três minutos, incendiou a partida e transformou o confronto em um ataque contra a defesa, com os suecos nas cordas e defendendo-se como podiam das investidas alemãs.

Após a tempestade vem a bonança

Foi então que Toni Kroos começou a se redimir da bobagem no primeiro tempo. O meia seguiu com a sua indecente média de aproveitamento nos passes e comandou de vez as ações ofensivas da Alemanha. Praticamente como um camisa 10, fazia a bola rolar e todas as jogadas passavam pelos seus pés. Como se não bastasse, ainda tentou alguns chutes de longe, assim como também fizera no jogo contra o México, quando foi o jogador alemão que mais finalizou em gol.

Mas o empate teimava em não sair. O volume de jogo alemão era muito maior e havia chances de virada a todo momento, mas sem que fossem concretizadas. Timo Werner seguia com uma atuação discreta e Mario Gómez é o típico atacante que precisa que toda a jogada seja construída para ele. Até deu uma cabeçada perigosíssima, mas faltava o último passe que deixaria algum atleta com reais chances de marcar. O time ainda melhorou um pouco com a entrada de Julian Brandt no lugar de Jonas Hector – e, a essa altura, os alemães estavam com um a menos em campo, após a expulsão de Boateng. Brandt deu mais velocidade e criatividade ao ataque e chegou a carimbar a trave com um chute de longe, mas o resultado final, aparentemente, seria um desastroso empate.

Até que, já nos acréscimos, Jimmy Durmaz, que havia entrado no lugar de Viktor Claesson, cometeu uma falta boba, quase no bico direito da área e Toni Kroos foi para a cobrança. Como o ângulo não era favorável, a lógica dizia que ele cruzaria, buscando algum companheiro bem posicionado para tentar o gol. Porém, ao invés disso – e após uma rápida conversa com Reus,  ele apenas rolou a bola para o companheiro, que parou-a para o chute certeiro que deu a vitória para a Alemanha.

Foto: Stuart Franklin/FIFA/Getty Images

Com a vitória, a Alemanha chega à última rodada com totais chances de classificação para as oitavas de final. Se vencer a Coreia do Sul por uma boa diferença de gols, chega aos seis pontos e dificilmente perde a vaga. Na outra partida, México e Suécia se enfrentam também para garantir a vaga. Os mexicanos já possuem seis pontos e um empate os coloca na próxima fase. Já os suecos precisam vencer também por um placar folgado, para garantir o saldo de gols – algo que parece ser pouco provável de acontecer.

Toni Kroos, que já era um dos destaques dessa Alemanha há bastante tempo, agora entra de vez para a história dos Mundiais. Um jogador decisivo, frio, com um grande potencial de liderança e uma qualidade técnica indiscutível. Tudo que seleção alemã precisa nesse momento.

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