O Cienciano de 2003 e a epopeia peruana na Sul-Americana

Equipe do Peru foi a única a conquistar títulos fora do país até o momento

Por: Jean Costa, RS

A história peruana no cenário internacional pode não ser a mais popular, nem a mais rica em títulos, mas tem o seu valor. O Peru levantou duas taças da Copa América. Uma em 1939, na qual Brasil e Argentina não participaram, a outra em 1975, quando os Peruanos eliminaram a seleção brasileira formada por jogadores que atuavam em Belo Horizonte-MG. Já no cenário dos clubes, o Universitário-PER e o Sporting Cristal-PER bateram na trave ao serem as únicas equipes do país a chegarem em finais de Libertadores.

O primeiro perdeu em 1972 para o Independiente-ARG já o segundo foi derrotado pelo Cruzeiro, em 1997. Após essas quedas, surgiu um clube do interior do país que surpreendeu a todos no cenário internacional. O nome do clube? Cienciano-PER, da cidade de Cusco. A equipe se consagraria campeã da Copa Sul-Americana de 2003 ao bater o River Plate-ARG na final. Antes disso já havia eliminado campeões da América.

A trajetória na “Sula” começou contra outra equipe peruana, o Alianza Lima-PER, em duelos válidos pela segunda fase. O Cienciano-PER venceu por 1 a 0 a primeira partida em Cusco e na partida de volta, na cidade de Lima, triunfou pelo mesmo placar.

Na etapa seguinte, Los Cusqueños tinham a Universidad Católica-CHI pelo caminho e surpreenderam os chilenos. No primeiro confronto os peruanos golearam por 4 a 0 no estádio Garcilaso e deixaram a classificação muito bem encaminhada. No Chile saiu de campo derrotado por 3 a 1. A pressão no San Carlos de Apoquindo era esperança para a equipe da Universidad, mas o time de Cusco saiu na frente do marcador e ali liquidou com qualquer chance de virada histórica.

Na as quartas de final, os peruanos tinham um teste dificílimo pela frente, já o adversário seria o todo poderoso Santos, que contava com o trio Elano, Diego e Robinho. O Alvinegro praiano era apontado como um dos favoritos a vencer a competição na época. No entanto, não foi o que os Deuses do futebol permitiram.

Na Vila Belmiro, empate em 1 a 1. Os peruanos saíram na frente aos 26 minutos com um gol contra do zagueiro Alex. Robinho igualou o marcador aos 33 minutos. Em Cusco, o jogo foi decidido no primeiro tempo. Aos 11 minutos os vermelhos abriram o placar com Carty, dois minutos depois Elano empatou o jogo, o que levaria para as penalidades, mas, o goleador máximo do time peruano brilhou novamente aos 35 minutos: 2 a 1 no placar e vaga na semi. O Cienciano-PER eliminava um favorito ao título e se credenciava para algo a mais.

Se de um lado havia River Plate-ARG versus São Paulo, no outro tinha o poderoso Atlético Nacional-COL aguardando uma presa que no início parecia ser frágil, mas que vinha com moral para buscar uma vaga na final. Ainda existe bobo no futebol? Se sim ou não, pouco importava na época.

Os colombianos eram favoritos à vaga na finalíssima, mas foram surpreendidos pelos peruanos dentro de um Atanasio Giradort lotado. Carty abriu o placar para o Cienciano. Velásquez empatou, mas Paolo Maldonado colocou a equipe de Cusco novamente na frente. Um gol relâmpago de Carty no Garcilaso de la Veja aumentou a vantagem e decretou a eliminação do Nacional. Melhor que isso, confirmou a classificação de um time do interior do Peru à final de uma competição internacional, mas pela frente teria um poderoso River Plate-ARG.

A primeira partida, disputada na Argentina, foi emocionante, terminando empatada em 3 a 3. Pelo River, Maxi López marcou duas vezes para os donos da casa, e Salas completou o marcador. Do lado peruano, Giuliano Portilla também fez dois gols e Gérman Carty anotou seu sexto e último gol no torneio que terminou como artilheiro.

A última partida da finalíssima viria com uma dose de adrenalina ainda maior, o que pareceria inacreditável em outros tempos se tornaria realidade. Após o empate em 3 a 3 contra os argentinos em pleno Monumental, os Peruanos sabiam que sua história até aquele ponto poderia ser ainda maior. Depois de eliminar gigantes do futebol Sul-Americano, não havia mais nada a temer, apesar do adversário ser um dos tubarões do futebol da América.

O empate com chuva de gols trazia consigo uma confiança para a equipe de Cusco, só que no meio disso tudo havia outro porém. A segunda partida, que ocorreu no dia 19 de dezembro, não poderia ser disputada na sagrada Cusco por duas razões: primeiro porque o Garcilaso de la Vega Estádio Inca foi remodelado para sediar a Copa América 2004 e, segundo, por não ter a capacidade de sediar uma final. Devido aos fatos, a final foi disputada no Monumental da Unsa, em Arequipa.

com apenas uma derrota na competição, o Cienciano se tornava o primeiro clube a vencer uma competição fora do país (Foto: Reprodução/El Comercio)
Com apenas uma derrota na competição, o Cienciano se tornava o primeiro clube a vencer uma competição fora do país (Foto: Reprodução/El Comercio)

Como se não bastasse a mudança de mando de campo, a partida de volta reservava emoções ainda maiores para os peruanos. Era um jogo truncado e para piorar a situação e dar ainda mais emoção ao jogo, o Cienciano-PER teve dois jogadores expulsos. Apesar disso, conseguiu uma vitória por 1 a 0, com um gol aos 33 do segundo tempo, marcado pelo zagueiro paraguaio Carlos Lugo em uma bela cobrança de falta.

A reta final parecia não ter fim com uma pressão pesada dos argentinos. O River bem que tentou, mas o Cienciano-PER se segurou e levou o caneco, assim entrando para a história do país ao se tornar a primeira equipe peruana a conquistar um título no cenário internacional.

Em 2004 a equipe peruana venceu o Boca Juniors e também abocanhou a Recopa Sul-americana. É por enquanto o único time peruano campeão internacional.

5 Comentários em O Cienciano de 2003 e a epopeia peruana na Sul-Americana

  1. Realmente, foi uma grande surpresa. Um time desconhecido, mas que conseguiu jogar bem e fudeu geral. E pensar que este time conseguiu um título que ainda falta aos grandes do país (Alianza Lima, Universitario, Sporting Cristal).

  2. Correção: O outro time a chegar em final foi o Sporting Cristal, e em 97. O Alianza Lima foi batido pelo Cruzeiro no triangular semifinal,inclusive com uma das histórias mais bonitas pra mim dentro do futebol – Um 7×1 de respeito.

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