O clássico CAJU: A rivalidade reacende

Do início da rivalidade em 1935 a uma fusão em 70, conheça o clássico CaJu, o maior do interior gaúcho

(Foto: Reprodução/Mauro Teixeira)
Por: Jean Costa, RS

Há quem diga que o estado do Rio Grande do Sul seja conhecido pelo churrasco, chimarrão e por ter uma das maiores rivalidades do Brasil e do mundo, o clássico Grenal. Mas o interior gaúcho reserva alguns duelos acirrados, rivalidades afloradas e torcidas encantadoras também. E um desses confrontos gauchescos, é um dos principais clássicos do interior gaúcho: o CaJu, duelo entre Caxias e Juventude, que ocorre na cidade de Caxias do Sul, na Serra Gaúcha.

O ano era 1913, uma equipe alviverde com nítidas raízes italianas era fundada por um grupo de 35 desportistas. Começava aí a história de 104 anos do EC Juventude. O Ju é o time mais antigo de Caxias e um dos mais antigos do estado. Por pouco mais de 10 anos, o grande rival Jaconero foi o Juvenil, clube que viria a ser o segundo fundado na cidade. Já a história do Caxias, porém, começou distante do futebol. Foi em uma eleição para rainha dos clubes da cidade, em 1935, que as agremiações conhecidas como Ruy Barbosa e Rio Branco decidiram se unir para dar início a um novo clube. Surgia então o Grêmio Esportivo Flamengo, que a partir daí viraria o grande rival do Juventude e também a futura SER Caxias.

(Foto: Reprodução/ RBS/Pioneiro)
(Foto: Reprodução/ RBS/Pioneiro)

Entre 1935 e 1971, foram disputadas 149 partidas entre os clubes, com 69 vitórias do Juventude, 48 vitórias do Flamengo e 32 empates. A primeira partida entre as equipes ocorreu no dia 4 de agosto de 35, em Caxias do Sul, com vitória por 3 a 1 da equipe Grená.

Em 1971, Juventude e Flamengo resolveram dar início a uma união para conciliar interesses comuns e tentar a formação de um único clube, a Associação Caxias, estendendo-se essa fusão até fins de 1973, quando o Juventude promoveu o seu retorno, desligando-se do novo clube. Em 1975, o nome foi alterado de Associação Caxias para Sociedade Esportiva e Recreativa Caxias, mantendo o mesmo estádio e as mesmas cores do Fla (azul, grená e branco). Naquele mesmo ano, o Juventude ergueu o estádio Alfredo Jaconi, dando o empurrão que faltava ao futebol da cidade serrana. Um ano depois, o Caxias apresentava o Estádio Centenário, que viria a ser o sucessor da Baixada Rubra.

O Juventude é o clube do interior gaúcho que mais vezes foi vice-campeão gaúcho (7), o que, diante da hegemonia de Grêmio e Internacional, não deixa de ser um fato com bastante relevância. Em 1998, após as derrotas nas finais de 94 e 96, o Juventude foi campeão do Rio Grande do Sul, terminando com um domínio da capital gaúcha que beirava 50 anos. Naquela temporada o Jaconero bateu o Colorado na final e garantiu o título de maneira invicta. Mas, a cidade da serra gaúcha ainda tinha algo reservado, que chegaria em 2000. A Ser Caxias repetia o feito do seu co-irmão e também seria campeã gaúcha diante do Grêmio, na época com Ronaldinho Gaúcho.

Desde a mudança no nome, quem vem levado vantagem nos clássicos é a equipe do Caxias, os números são sempre polêmicos. Em 282 partidas, quem venceu mais foi o Juventude (98), mas a equipe Grená desde a alteração leva 45 vitórias contra 29 do alviverde, além de 58 empates.

Lance completamente normal durante o clássico (Foto: reprodução/Ednei Torresini)
Lance completamente normal durante o clássico (Foto: reprodução/Ednei Torresini)

A rivalidade teve seu auge durante a década de 90 e início dos anos 2000. O Juventude se mantinha na Série A do Campeonato Brasileiro e formando boas equipes, além de revelar excelentes defensores. Já o Caxias vinha se estabilizando na B e almejando um acesso à divisão máxima. Era um ápice que tinha tudo para continuar, mas em meio ao prestigioso futebol também existem as crises. E a dupla Caju acabou sofrendo com elas. Em meio a quedas para divisões inferiores, a rivalidade acabou sendo afetada. Como consequência, a presença da torcida nos estádios diminuiu, mas não por culpa de alguém especificamente.

Por um tempo, as duas equipes se confrontaram pela Série C do Brasileiro, a qualidade técnica era inferior, mas a garra gaúcha era a mesma e se mostrava presente nos clássicos. O Juventude andou tão mal das pernas até pouco tempo que chegou à Série D. De campeão da B e da Copa do Brasil para uma quarta divisão em menos de 20 anos. Por lá permaneceu três temporadas, enquanto do lado grená se lutava ora pelo acesso a segunda divisão ora para não cair.

Mas a já citada crise também derrubou o Ser Caxias. A queda para a última divisão foi só um dos capítulos. O Grená caiu para a segunda divisão do Campeonato Gaúcho. Era o cúmulo dos insucessos das equipes da serra. O Ju progredia, o rival lamentavelmente caía. O clássico se apagou, mas a rivalidade seguia ali. Não tão forte como antes, mas na espreita de um possível e alcançável progresso. As equipes progrediram, o Juventude conseguiu voltar à Série B depois de sete anos. O Caxias voltou para a principal divisão gaúcha, e o curioso nesse acesso é que a equipe disputava paralelamente a quarta divisão do Brasileiro e conseguiu a classificação para o mata-mata considerada improvável.

O Caxias pode não ter ido adiante na competição, fora eliminado pela Inter de Lages na fase seguinte, mas a principal meta havia sido conquistada. O clássico CaJu voltaria a acontecer na principal competição do estado. Lugar de onde não deveria ter saído por sinal. A rivalidade ressurgia, a crise vem sendo enfrentada pelas equipes e a torcida tem voltado a frequentar o estádio.

A expectativa no início da temporada era de que o Caxias fizesse uma campanha de transição, em que ficaria no meio da tabela e não brigaria pelo título. Não foi o que aconteceu. Uma boa equipe formada e um técnico inteligente, que sabe organizar seu time da melhor forma foram as principais cartas dessa nova fase grená. O time da serra está na semifinal do estadual, tem pela frente o Internacional, mas o sonho segue vivo. Na primeira fase derrotou Grêmio em casa e por pouco não venceu o colorado em pleno Beira-Rio. A excelente campanha dá a vantagem de decidir em casa na penúltima fase do Gauchão.

Já do lado alviverde, era esperado que a após o acesso o clube reativasse o posto de terceira força gaúcha diante dos rivais na competição. Mas no meio do caminho o Juventude teve que lidar com perdas importantes como o técnico Zago, que deixou o clube no final de 2016 para assinar com o Inter, além de Roberson e Klaus que se transferiram para o colorado também. O início de temporada foi ruim. Bons resultados com boa atuações não vieram, lesões frequentes e resultados catastróficos como a eliminação para o Murici na Copa do Brasil e a goleada sofrida para o Novo Hamburgo fora de casa alteraram o panorama. Mudou o treinador e a postura da equipe foi outra. O Jaconero bateu o Internacional dentro de casa, mas não venceu o rival Caxias em nenhum dos clássicos da temporada.

(Foto: Arthur D”Alegrave)
Caxias venceu os últimos 4 clássicos contra o Ju (Foto: Arthur D”Alegrave)

Um ano de supremacia absoluta grená, assim ficará marcada a temporada 2017 na história do clássico CAJU. Após duas vitórias nos dois primeiros duelos no campeonato, o Caxias repetiu a dose e novamente venceu por 1 a 0, gol marcado por Gilmar após cobrança de escanteio feita por Reis. O grená agora parte para a fase semifinal do Gauchão, enquanto o Juventude começa a sua preparação para a série B do Campeonato Brasileiro.

Na semana que antecedia o primeiro dos clássicos, torcedores do Juventude não pouparam os rivais. “18-03 – Juve x Sem divisão” era o que dizia uma faixa na entrada da cidade que servia de provocação para o clássico. Após o jogo, o meia Wagner retribuiu as provocações. O jogador colocou uma bandeira com as cores do Ser Caxias no meio de campo, em pleno Jaconi.

A provocação acabou gerando punição para o meia Wagner, mas o Caxias conseguiu reverter (Foto: Reprodução/Youtube)
A provocação acabou gerando punição para o meia Wagner, mas o Caxias conseguiu reverter (Foto: Reprodução/Youtube)

O clássico vem se reerguendo aos poucos. A rivalidade sempre andou junto em meio aos obstáculos que o tempo apresentou, mesmo que tenha perdido a intensidade. Mas 2017 trouxe a chama da rivalidade CaJu como não se via há tempos. Que os bons tempos retornem e que o maior clássico do interior retome a força que sempre teve!

Fontes: Francielle Fabroblogmulheresemcampo.comocuriosodofutebol.comlance.comPapo de Gringoclicrbs.com e Rádio Caxias

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