O Coritiba é campeão… de novo!

 A saga alviverde até se reencontrar com seu mais familiar troféu

Festa Coxa Branca em seu 38º título paranaense (foto: globoesporte.com)
Por Diego Giandomenico, PR

No dia 8 de maio de 2016, às 18h, no Couto Pereira, a torcida atleticana fazia a festa no alçapão Coxa Branca. Foram duas derrotas pesadas. 3 a 0 na Baixada e ali, poucos minutos antes, 2 a 0 para sacramentar o 23º título do Furacão e aumentar o tempo de distância entre o Coritiba e a taça de campeão paranaense. Porém, ela não poderia ficar muito tempo longe do lugar onde mais se acostumou a estar: no Alto da Glória.

A campanha do Coxa em 2017 foi, de longe, a que começou de maneira mais complicada. O Verdão do Alto da Glória iniciou a sua saga perdendo para o Cianorte, depois empatou com o Cascavel e nesse meio tempo perdeu para o ASA na Copa do Brasil, sendo eliminado de maneira muito precoce da competição. Enquanto isso, o Paraná triturava os adversários no Paranaense e o Atlético, seu maior rival, ia se classificando nas fases preliminares da Libertadores. Que vida dura, a de um Coxa Branca. Porém tudo mudou exatamente nesse período, e a saída do técnico Paulo César Carpegiani abriu espaço para o auxiliar e ídolo da torcida Pachequinho assumir interinamente.

Derrota para o ASA foi uma das duras quedas do Coxa no início do ano (foto: ESPN Brasil)
Derrota para o ASA foi uma das duras quedas do Coxa no início do ano (foto: ESPN Brasil)

E o começo não poderia ser mais complicado: enfrentando o rubro-negro da capital na Arena da Baixada. O Atlético ainda não havia vencido, estava jogando com o time reserva e aparentemente sem interesse algum no confronto. O Coritiba havia sido eliminado da Copa do Brasil, recém demitido seu técnico e apostava todas as suas fichas no Paranaense. É, perder pro rival com time reserva foi difícil para Pachequinho.

Mas a pedido dos próprios jogadores, aliado com as boas performances que se seguiram dentro de campo, Pachequinho foi aos poucos deixando de ser interino e formando uma equipe sólida para o campeonato, com destaque ao veterano e polêmico Kleber Gladiador.

Pachequinho, o interino com cara de efetivo (foto: globoesporte.com)
Pachequinho, o interino com cara de efetivo (foto: globoesporte.com)

O atacante foi, sem dúvida alguma, a peça chave para o Coritiba ganhar esse título. Com seus 11 gols conquistou a artilharia e a confiança da torcida que estava abalada após alguns casos polêmicos que o atleta se envolveu. A classificação para a segunda fase veio com certa facilidade – ao contrário do rival – e com ela o confronto que colocaria o Coxa como senhor do campeonato.

Kleber, Gladiador e Artilheiro (foto: Gazeta do Povo)
Kleber, Gladiador e Artilheiro (foto: Gazeta do Povo)

Na primeira fase o Coritiba havia encontrado muitas dificuldades contra a honrosa equipe do Cascavel e o empate por 0 a 0 mostrou bem isso. Pois bem, nas quartas de final o Coritiba veio disposto a quebrar a defesa do Cascavel e tudo se encaminhou no primeiro tempo quando Walisson Maia, Anderson, Kléber e Willian Matheus abriram 4 a 0 para o Coxa. Placar final 5 a 0.

Ainda tinha mais para a volta. No Couto Pereira, Kleber marcou três vezes e o Coxa venceu no agregado por 9 a 0. Indo com muita moral para o jogo contra a excelente equipe do Cianorte.

Contra o Leão do Vale, o Coritiba teve muita dificuldade. Na primeira partida, o Cianorte voltou a vencer o Coxa pelo placar mínimo. Já no Couto Pereira, o Coxa pertou no início e fez dois gols com Henrique Almeida e Kleber, mas o Cianorte desconto com Vinícius ainda no primeiro tempo, placar que levaria a partida para os pênaltis. E no segundo tempo, a estrela do atacante Iago – que há muito estava apagada – brilhou e o atacante deu a classificação ao Coritiba, para enfrentar o seu rival Atlético na final.

Vitória contra o Cianorte deu ao Coxa mais uma final no currículo (foto: globoesporte.com)
Vitória contra o Cianorte deu ao Coxa mais uma final no currículo (foto: globoesporte.com)

Não sei se você, leitor de outro estado, sabe que a Arena da Baixada ganhou a alcunha de salão de festa devido a alguns títulos que o Coxa ganhou no começo desse milênio por lá. Sendo verdade ou não, a mística da Arena voltou com força em 2017.

Estava eu voltando de um trabalho no domingo, quando passando perto da região do estádio do Furacão, começo a ver alguns torcedores voltando para casa cabisbaixos. Ali tive a certeza que, mais uma vez, o Coritiba tinha feito valer a lenda e conquistado uma vitória. O que não sabia era que tinha sido da maneira que foi.

O Atletiba começou com o Furacão quase abrindo o placar num chute de João Pedro. Mas aos 16 minutos, o zagueiro Werley abriu o marcador para o Verdão. Iago, que havia desencantado no campeonato há pouco tempo atrás, viu num gol de cobertura sobre o goleiro Weverton a sua redenção final. A partir daí, o que se viu foi um Coritiba bem superior ao seu rival. E o melhor, com os titulares de ambas equipes em campo. Após o 2 a 0 no primeiro tempo, Kleber ampliou logo na volta e deu números finais a partida, 3 a 0, fora o baile, era o que diziam os torcedores do Coritiba. O Atlético ainda perdeu Gedoz expulso. Estava bem claro que só um milagre mudaria a situação no jogo de volta.

A minha timeline no Facebook, Instagram e Twitter estava abarrotada de festa de torcedores do Coritiba, antes mesmo do jogo começar. Isso é perigoso. Mas a forma que veio a vitória e o fato do Atlético estar em um momento decisivo na Libertadores, fez com que todos acreditassem no título Coxa Branca. E ele veio. Com um 0 a 0, mas mais comemorado do que uma goleada.

E assim, num campeonato onde o tumulto, confusão e inovação deram o tom em alguns momentos, o Coritiba ergueu sua tão conhecida taça, a 38ª da coleção, 15 a mais que o Atlético. Parabéns, nação Coxa Branca! Vocês podem comemorar.

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