O dia que o goleiro esqueceu o gol: a final do Campeonato Mineiro de 2007

Um derby que nenhum mineiro conseguiu entender o que deu na cabeça do goleirão Fábio

O lance histórico (Foto: Globo Minas/Reprodução)
Por: Lucas Poeiras, MG

O Campeonato Mineiro de 2007 reservava para os 40 mil pagantes uma história digna dos livros de Cenas Lamentáveis no seu primeiro jogo. Os celestes tinham Paulo Autuori como técnico e os rivais estavam sob o comando de Levir Culpi. Os torcedores de Atlético e Cruzeiro esperavam uma grande partida para a história do Derby. Os alvinegros vinham do acesso da Série B, em 2006, o ano mais negro de sua história, e os cruzeirenses tentavam o o bicampeonato regional.

A cidade de Belo Horizonte tradicionalmente abraça os times no dia do jogo. A capital inteira transforma-se em mares negro e azul e gritos de “Galo” e “Zêro” podem ser ouvidos por todos os lados. O seu estádio mais tradicional, o Mineirão, seria mais uma vez o palco para a grande decisão do campeonato. Tudo estava preparado em um estádio dividido quando as torcidas também duelavam em um espetáculo de paixão.

O Cruzeiro veio a campo com a estrela Nenê e o sólido Leo Silva na zaga. O Atlético tinha a revelação no gol Diego Alves e contava com a habilidade de Danilinho e Éder Luís no ataque. Cléver Assunção da FMF foi árbitro escalado para o apito da final.

O começo da partida Foto: Marcelo Prates/Hoje em Dia/Gazeta Press
O começo da partida (Foto: Marcelo Prates/Hoje em Dia/Gazeta Press)

O jogo quando ainda era um jogo comum

O Atlético mostrou um bom futebol, ofensivo e contundente durante a partida. A solidez defensiva na “volância” de Rafael Miranda ajudou a salvar o que seria gol da equipe celeste. O primeiro guardou um lance polêmico: falta de Gladstone em Danilinho. O zagueiro celeste foi expulso logo no fim do primeiro tempo.

No primeiro minuto da etapa complementar, em jogada de Éder Luís, os alvinegros marcaram seu primeiro tento. O jogo continuou tenso para os dois lados. A vantagem era pequena e precisava de ser alargada, pois o título estava na disputa. O final do jogo perto dos quarenta minutos Danilinho faz jogada espetacular em disputa mano a mano contra o goleiro Fábio. Ele aplica um chapéu no goleiro e bate para o gol marcando o segundo gol dos atleticanos. O jogo estava encaminhando um 2 a 0 quando Marcinho (antes de ser tornar o Marcinho das Arábias) faz arrancada, sofre falta de Fábio e se joga na área. O árbitro marca a penalidade máxima e o próprio Marcinho converte e marca o terceiro. Até então, nestes 44 minutos nada extraordinário em uma partida muito feliz dos alvinegros que consolidavam sua vitória na primeira parte da decisão.

Disputa de bola na partida Foto: Marcelo Prates/Hoje em Dia/Gazeta Press
Disputa de bola na partida (Foto: Marcelo Prates/Hoje em Dia/Gazeta Press)

A bola dentro do gol: a polêmica

Após a cobrança do pênalti, a bola ficou literalmente guardada dentro do canto direito do gol. Nenhum dos jogadores retirou a bola de lá, menos ainda os gandulas entraram em campo para removê-la. O árbitro anunciou a volta do jogo e o meio campo do Cruzeiro soltou a bola.

O goleiro Fábio tinha ido até quase a metade do campo reclamar com o juiz do jogo a respeito da marcação da penalidade e voltava de costas para as traves. O atacante Vanderlei que entrou no segundo tempo, roubou a bola perto do círculo central, avançou alguns metros bateu rasteiro de longe em direção ao gol.

Fábio estava de costas e assistiu a bola a passar e não fez nada. Sem entender o que estava acontecendo e porque a torcida estava inflamada, o arqueiro parou e procurou entender a aparição de mais uma bola. Ao perceber que havia sido anotado um gol contra sua meta, se desesperou e ficou furioso. Clever Assunção, após o gol, decretou o fim da partida e deu a vitória por 4 a 0 para o Galo.

A imprensa entrou em campo para saber o que havia acontecido e o arqueiro deu uma entrevista enfurecido. Descontrolou-se e berrou muitos palavrões a respeito do juiz logo na saída em direção aos vestiários. Ele não aceitava a bola guardada dentro do gol como bola morta e achava que ela deveria ser retirada para então retomar a partida.

O narrador Rogério Correia precisou de algumas tentativas para explicar o ocorrido. Assistam o vídeo e comentem suas hipóteses do que aconteceu!

A repercussão do lance atípico

A goleada de quatro gols ficou em segundo plano devido a falha de Fábio. Os rivais comemoraram largamente a falha do goleiro que também repercutiu internamente causando a queda de Autuori. A autoestima do time caiu para a segunda partida e relaxou os adversários. Mesmo o segundo jogo sendo vencido por dois gols, não foi suficiente para recompor o time para a decisão após o acontecido.

O goleiro não se saiu bem nas entrevistas para tentar justificar, e tentou argumentar que a bola dentro do gol estava ainda em jogo. A Federação Mineira de Futebol (FMF) explicou em nota para a imprensa que, após passar a rede era bola morta, não estava em jogo mais. O psicológico do atleta ficou abalado e ele precisou de tempo para se recompor.

O lance (Foto: ESPN/Reprodução)
O lance (Foto: Reprodução/ESPN)

Uma mancha negra para que um grande jogador pudesse se reerguer

Fábio ficou muito abalado e perdeu a posição para ser substituído por outros goleiros. Ele quase viu sua história no Cruzeiro tomar um rumo diferente. Ele manteve-se firme para continuar parte dos planos do Cruzeiro e, então, ser o capitão responsável por conduzir o histórico bicampeonato de 2013 e 2014. Sagrou-se um dos melhores goleiros do Brasil mesmo não sendo lembrado pelos técnicos da seleção brasileira. Um lance não definirá sua carreira, mas o famoso Suco de CL em abril de 2007 jamais sairá da memória.

Fontes: ESPN, Globoesporte.com, UOL Esportes e ZH Esportes

 

4 Comentários em O dia que o goleiro esqueceu o gol: a final do Campeonato Mineiro de 2007

  1. Eu estava lá nesse dia maravilhoso!!! Pouquíssimos viram o gol de costas do Fábio. …eu estava estadia do olhando pro campo e vi o lance……o repórter de campo da itatiaia foi quem narrou e o narrador oficial entrou gritando logo em seguida…… até hj o Fábio carrega essa estirpe do gol de costas….o Ramires apare eu no cruzeiro no segundo joGO da decisão. …. que jogo….. os tambores rufavam na arquibancada inferior…… Soooooomooooos, sooommmmoooossss alvinegros…..e apoiaremos o Galo para semmmmpreeeee….. Foi massa!!

  2. Alem do penal inexistente, na saida de bola do meio antes do 4o gol o mesmo jogador do Cruzeiro da dois toques na bola, que deveria ser repetida a saida, mas o árbitro ignorou o lance, deixando seguir e deu no que deu, o Fábio estava indo buscar a bola na rede quando sofre mais um gol.

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