O drama de Son: atacante sul-coreano está a um passo de ser dispensado pelo exército

Foto: Catherine Ivill/Getty Images

Por Lucas Silva, AM

A possibilidade de ter de abandonar o futebol logo no seu auge para servir ao exército da Coreia do Sul, veio à tona durante a Copa do Mundo. Apesar do bom desempenho apresentado pela seleção na competição, liderada pelo atacante do Tottenham, o exército do país não o dispensou, aumentando o drama de sua carreira. Com poucas alternativas restantes, Son precisa do título nos Jogos Asiáticos para continuar jogando.

O rígido exército sul-coreano

Com quase meio milhão de soldados apenas no exército – há ainda os militares de outras Forças Armadas – a Coreia do Sul é quem tem um dos maiores e melhores equipados exércitos da Ásia. Todos os homens nascidos no país devem servir por 21 meses. Diferentemente do Brasil, as dispensas só são cedidas em casos extremos, e Son Heung-min corre o grande risco de precisar deixar o futebol por esse período.

Até os anos 50, quando aconteceu a guerra na Coreia, o alistamento militar era opcional. Após isso, os sul-coreanos se viram obrigados a fortalecer seu exército devido a constantes tensões com os vizinhos da Coreia do Norte. A rígida exigência de alistamento sem quase nenhuma opção de dispensa foi uma medida adotada pelo governo para tentar trazer esse fortalecimento.

Apesar de toda a rigidez, o governo da Coreia do Sul já concedeu dispensas a atletas em outras ocasiões. Em 2002, tentando fugir de ser o primeiro país-sede a cair na fase de grupos, foi decidido de que todo o elenco obteria a dispensa caso avançasse na competição, e deu certo. O time não só avançou como foi o quarto lugar geral daquela Copa. Eliminou fortes seleções como Portugal, Itália e Espanha. Equipes sul-coreanas de outros esportes, como o beisebol, já conseguiram também a liberação por honras em suas respectivas competições.

A lei local permite que sejam concedidas dispensas a atletas de alto nível que consigam trazer algum mérito representando a Coreia do Sul. A princípio, para se livrar, Son precisava: conquistar os Jogos Asiáticos, o pódio de uma Olímpiada ou de uma Copa do Mundo. Com os inúmeros protestos e pedidos realizados ao governo, foi definido de que, caso a seleção se classificasse para as oitavas de final da Copa na Rússia, a dispensa seria concedida ao jogador.

 

O “QUASE” NA COPA DA RÚSSIA

 

Olímpiadas de 2016 e Copa de 2018 foram oportunidades que Son perdeu de escapar do exército. (Foto: Gustavo Andrade/AFP/Getty Images)

A Coreia do Sul foi guerreira naquela emocionante vitória sobre os alemães por 2×0, que inclusive teve gol do ponta-esquerda. Entretanto, precisavam que o já classificado México vencesse a Suécia pela outra partida do grupo. Os suecos golearam o time mexicano e esgotaram as esperanças remanescentes naquele momento por Son e seus compatriotas.

Após o jogo, a internet se mobilizou em massa com pedidos para que o governo liberasse o jogador. Sul-coreanos se colocaram à disposição da Coreia do Sul para servir no lugar de Son. Os perfis do Tottenham lotaram de pedidos para que o clube tentasse intervir na decisão do país asiático. Ainda assim, não houve qualquer nova renúncia por parte do governo.

A ESPERANÇA NOS JOGOS ASIÁTICOS

Compatriotas de Son já conseguiram a baixa do exército disputando os Jogos Asiáticos de 2014. O jogador do Tottenham poderia ser um deles. Em 2014, quando a Coreia do Sul foi campeã, Son estava convocado para disputar aquela edição. Porém, a diretoria do seu então clube Bayer Leverkusen, não o liberou porque as datas batiam com o Campeonato Alemão.

Novamente nessa competição, Son revive a esperança de ficar livre de suas obrigações militares com o país e voltar para a Inglaterra. A Coreia do Sul se classificou para a final vencendo o Vietnã por 3×1, e enfrenta no Japão neste sábado. A missão não é fácil. O Japão tem uma das melhores seleções asiáticas, e a Coreia se mostrou um time bastante inconstante durante a competição. Pelas quartas, a equipe sul-coreana venceu o Uzbequistão por 4×3. O gol da vitória veio de um pênalti marcado aos 12 minutos do segundo tempo da prorrogação.

UM POSSÍVEL TRISTE FINAL

Ponta-esquerda foi um dos destaques do Tottenham na temporada passada ao lado de Harry Kane. (Foto: Reuters)

Caso não vença o Japão e conquiste a competição, remotas alternativas restarão ao jogador. Apenas lesão muito grave poderia ocasionar uma dispensa militar, mas também o afastaria dos gramados. O que joga a favor de Son é seu status na Coreia do Sul. É considerado um ídolo no país tendo em vista suas excelentes exibições na liga inglesa.

Para ter uma ideia, de acordo com o Transfermarkt, Son está avaliado em incríveis 50 milhões de euros. Na temporada passada foi um dos artilheiros do Tottenham na liga, com 12 gols em 37 jogos. Son também marcou quatro vezes na Champions, em sete exibições. É constantemente utilizado como titular pelo técnico Mauricio Pochettino. Sua importância no elenco é tanta, que mesmo com o possível hiato no futebol, teve seu contrato renovado no mês passado, permanecendo na equipe até 2023.

Há uma nítida incoerência nas leis que envolvem o serviço militar sul-coreano. Son, hoje, traz mais honra e orgulho para o país com seu desempenho em um dos maiores campeonatos do mundo, do que vencendo os Jogos Asiáticos, pouquíssimo assistido e comentado. Resta-nos esperar por um bom desfecho não só para o jogador, como para o futebol.

Fontes: ESPN, Globo Esporte, El Pais, Blog Trivela, Terra.

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