O fim do “Futebol para Todos” e a crise na Argentina

Fim de programa governamental cria impasse sobre transmissão de jogos e receita na Argentina

Fachada do prédio da AFA (foto: Rádio Itatiaia/Reprodução)
Por Lucas Poeiras, MG

O ano de 2017 chegou com um novo desafio para a comunidade futebolística dos nossos vizinhos argentinos. Em 2016, o governo Macri decretou o fim do programa FPT – Futebol para Todos, no qual as cotas televisivas eram patrocinadas pela TV estatal e distribuídas aos clubes. Esta era a principal fonte de renda de todos os times do país, incluindo os principais como Boca Juniors-ARG e River Plate-ARG. Agora, há um imbróglio a ser definido sobre quem transmitirá os jogos e pagará as equipes.

O que era o Fútbol para Todos

Os anos do governo de Cristina Kirchner (2007-2015) trouxeram uma mudança significativa para os clubes afiliados à AFA: o fim da Televisión Satelital Codificada (TSC) que passava os jogos do futebol argentino na TV fechada e o começo do FPT, com exibição dos duelos na TV aberta, além do aumento da quantia financeira paga aos clubes. Iniciado em 2009, o programa visava salvar as equipes e tornar o esporte mais acessível aos torcedores. Na época, o valor dado à AFA girava em torno dos 300 milhões de pesos, e seria repassado de acordo com os critérios da entidade para os clubes. Os times evitariam a falência, e este compromisso deu continuidade ao modelo atual e possibilitou manter os elencos com pequenos ajustes de planejamento.

O resultado 

Os clubes puderam continuar o modelo em suas divisões e tentaram manter o talento dentro do país. O FPT foi um alívio para manter o mínimo de equilíbrio na saúde financeira das agremiações. No entanto, segundo dados da Receita Federal Argentina, as equipes acumularam uma dívida de 85 milhões de dólares no último ano. O diretor da receita ainda anunciou que o fim do programa estatal traria um rombo financeiro que os clubes não seriam capazes de resolver com seus atuais modelos de gestão e renda.

No dia 3 de março, quando os clubes iam voltar a disputar jogos, os jogadores optaram pela continuidade da greve que se iniciou no fim fevereiro. As quatro primeiras divisões do futebol argentino estão paradas e cobram atrasos nos salários de mais de cinco meses. Os jogadores, então, estão de braços cruzados e se recusaram a fazer as partidas recentes.

A AFA tem  direito a receber 30 milhões de dólares do governo devido ao término do contrato, que iria até 2019. Os jogadores em assembleia do sindicato decidiram por unanimidade a paralisação das atividades e emitiram uma nota onde salientam que as cobranças vêm desde o dia 3 de janeiro.

O fim do FPT pode levar a AFA a maior crise de sua história (foto: Site Oficial/reprodução)
O fim do FPT pode levar a AFA a maior crise de sua história (foto: Site Oficial/reprodução)

O futuro

Os clubes das divisões inferiores já estão apuros desde o fim do FPT. A crise financeira do futebol argentino bate às portas dos seus centros de treinamento. O atrasos de salários é uma realidade para todos os atletas afiliados à AFA. O cenário de dívidas fiscais é similar ao brasileiro. Os times estão em débito com a Receita Federal de seu país e têm várias dívidas trabalhistas para serem quitadas.

O delicado quadro da saúde financeira dos clubes põe em risco as temporadas e a permanência do talento na nação. Há urgência na resolução das dívidas com os jogadores e a necessidade de incrementar massivamente as receitas das agremiações. Portanto, é mais do que importante o fim do imbróglio sobre as cotas de TV e a necessidade de uma nova assinatura de contrato.

Fontes: InfobaeO GloboMediotempoGlobo Esporte

2 Comentários em O fim do “Futebol para Todos” e a crise na Argentina

  1. Se o futebol/clubes brasileiros fossem minimamente organizados o Brasil deveria dominar a libertadores, aqui os clubes tem bem mais dinheiro que a maioria dos nossos rivais e com essa situação dose argentinos só melhora a nossa condição.

  2. A função do Governo não é distribuir dinheiro a clubes de futebol!
    Estes 300 milhões de pesos seriam muito melhor aplicados se fossem para a saúde pública, mobilidade urbana e/ou educação!
    Esta é mais uma prova que o antigo governo Kirchner fazia a péssima e velha política do pão e circo, ou melhor, pão e “Fútbol para todos”!

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  1. A América do Sul ferve fora das quatro linhas - Cenas Lamentáveis

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