O futebol é pela paz, não pela guerra

Estádio é lugar de diversão, e não campo de batalha

Briga entre vascaínos e atleticanos em Joinville (Foto: Reprodução internet)
Por: Daniel Bravo, MG.

Amigo torcedor, amigo leitor. Estamos começando mais uma temporada do nosso querido futebol brasileiro, mas por mais que doa, e dói, não podemos deixar de continuar batendo nos erros do nosso futebol. A CL já falou do entristecedor estado em que se encontra o Maracanã, maior templo do futebol desse país, e não deixaremos de criticar o péssimo calendário que temos e/ou a atrasada CBF, entidade máxima do futebol no país e gerida por homens que sequer podem sair do Brasil.

Contudo, chegou a hora de falar dos crimes e mortes que ocorrem nos estádios e seus arredores, tudo isso causado por algo que só deveria nos fazer bem: torcer.

Ir ao estádio de futebol é algo que não deveria gerar preocupação alguma aos torcedores ou familiares, mas infelizmente, não é esta a realidade vivida nos estádios brasileiros, principalmente em clássicos, de todas as categorias, da base ao profissional. A primeira morte em um estádio brasileiro foi registrada após partida em 23 de janeiro de 1992. A vítima, Rodrigo de Gásperi, defendia que “jogo de criança, não tem perigo”.

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Túmulo de Rodrigo, com escudo do Corinthians (Foto: Rodrigo Faber)

O garoto de 13 anos saía para acompanhar um Corinthians x São Paulo pela Taça São Paulo de Futebol Junior. Após uma confusão, foi atingido por uma bomba vinda da torcida são-paulina. Vinte e cinco anos se passaram e nenhum responsável foi identificado. O crime que deveria ser o ponto final para a violência, acabou sendo o primeiro dos, até hoje, mais de 300 homicídios registrados em estádios de futebol ou por decorrência de atividades esportivas neles. Segundo Rodrigo Vessonni, em entrevista ao Globoesporte.com, ainda há a morte de um diretor da Mancha Verde, em 1988, fora do estádio, mas ligada ao esporte mais querido do país.

Se fizermos uma busca rápida pela internet, não é difícil lermos histórias e mais histórias parecidas com a de Rodrigo ou mesmo com um final igual, crimes bárbaros e sem culpados. Dos mais de 300 crimes, muitos são decorrentes dos confrontos entre torcidas organizadas rivais, mas nem sempre em dia de jogo ou dentro dos estádios. Com encontros marcados pela internet, grupos de diferentes torcidas transformam ruas, parques ou praças em verdadeiros cenários de guerra.

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Pai chora ao carregar filho nos braços em briga no clássico Palmeiras x Flamengo (Foto: PremiereFC)

Para quem não sabe, o Brasil é o país recordista em mortes decorrentes do futebol. Apesar de várias intervenções da polícia e do Ministério Público para afastar as organizadas dos estádios, os números continuam alarmantes e os fatos permanecem recorrentes. Desde brigas entre torcidas do mesmo estado, até confusões entre corintianos e vascaínos em Brasília, ou palmeirenses e flamenguistas.

No último domingo, 12/02/2017, um torcedor do Botafogo foi morto antes do clássico contra o Flamengo. Membro de uma torcida organizada do clube, o botafoguense Diego Silva dos Santos foi baleado no peito e não resistiu. Em 2016, Eros Dátilo Belisário, de 37 anos, foi morto no estádio Governador Magalhães Pinto. Os seguranças na época chegaram a notificar que a morte havia sido causada por um infarto fulminate, fato negado pelo IML. Os autores, contudo, ainda não foram descobertos e presos. E o caso, como tantos outros, acabou caindo no esquecimento.

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“Não foi infarto”. Torcida do Cruzeiro protesta por torcedor morto por seguranças no Mineirão (Foto: Superesportes.com)

Pois bem, confrades, o Cenas Lamentáveis, deixa claro, mais uma vez, ser contra qualquer tipo de violência, briga ou morte e defende sempre o respeito e a amizade entre todas as torcidas brasileiras. Que fique sempre claro que rivalidade deve ser saudável e dentro de campo, restando ao torcedor sofrer ou comemorar respeitando a equipe rival. Quanto a todos os casos, pedimos sempre que os culpados sejam responsabilizados e paguem por seus erros. O futebol é um lugar de paz.

Pesquisa: Globoesporte.com e OGlobo.

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