O Futebol moderno: Um paradoxo preocupante

Não é nenhuma surpresa que o futebol, de maneira geral, está muito sem graça atualmente. Jogador não pode mais comemorar como bem entender, entrevistas e declarações autênticas são raridade, os gramados são palco de um verdadeiro desfile de chuteiras e penteados extravagantes e os estádios cada vez mais elitizados. Partindo deste ponto, fica evidente que o jogo, o onze contra onze, é mais um atrativo em meio a um cenário com tantas possibilidades oferecidas ao espectador.

Nós, amantes do futebol brasileiro de raiz, sentimos falta exatamente do tempero que torcida, jogadores, provocações, rivalidade, chuteiras pretas, cabelos normais, camisa por dentro do calção e zagueiro com cara de mau davam ao jogo. Somos do tempo em que os dribles eram em direção ao gol, centro avante de respeito marcava no mínimo 25 gols em uma edição de Campeonato Brasileiro e Seleção Brasileira não era motivo de piada.

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De certa forma, alguns avanços são realmente necessários e totalmente compreensíveis para o futebol ser jogado de uma maneira melhor, mais dinâmica e competitiva. Europeus são e sempre foram o centro do futebol. Têm domínio da tática, esquemas modernos, dão novas funções aos jogadores, que, a primeira vista podem ser totalmente absurdas, mas são na verdade, essenciais. Neste aspecto, realmente devemos considera-los um exemplo, frente ao resto do mundo.

Hoje em dia, o domínio é europeu, mais precisamente alemão. Mas nem sempre foi assim. Nossa seleção canarinho foi motivo de pavor dos adversários durante décadas. Nossos jogadores não eram apenas jogadores de seleção, eram os melhores do mundo em suas posições. A alcunha de Seleção Brasileira era de fato um título de respeito no meio futebol. Tínhamos elenco, talentos individuais, talento coletivo, técnica de sobra, futebol alegre e principalmente, um jogo bem jogado.

Nossos jogadores desta época eram diferentes dos atuais. Percebe-se que nos jogos de hoje os atletas parecem ter milhões de coisas extra campo na cabeça, uma falta de concentração, a qual é refletida no desempenho e resultado em campo. Fato que não era visto no time campeão do mundo de 2002, por exemplo. Todo foco era no campo, nos noventa minutos de jogo. Além disso, uma pressão e cobrança para que os resultados simplesmente aconteçam.

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Tivemos um evento preocupante e que deixou mais evidente ainda a necessidade de mudança do futebol brasileiro. A Copa do Mundo de 2014 foi um divisor de águas para que tudo viesse à tona e escancarasse todos os problemas. Fomos goleados não só dentro de campo, a derrota fora das quatro linhas foi tão humilhante quanto a fatídica semifinal contra os alemães. O emocional dos jogadores estava em frangalhos, nosso jogo não era eficiente, comissão técnica e dirigentes se omitiram na hora das dificuldades e a “Neymar dependência” se fez presente de maneira incisiva.

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Toda esta bomba nos faz refletir e muito. A mudança deve ser macro e vai muito além do futebol, vide o cenário político atual. Enquanto nada acontece e continuamos na contra mão do desenvolvimento, nos resta lamentar e sentir saudades do futebol dos anos 1990 e início dos anos 2000. Nós éramos felizes e não sabíamos.

Texto: Lucas Chagas

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