O futebol que não vemos: Amapá

O futebol entre dois hemisférios

Santos é o atual tetracampeão do Amapazão (foto:globoesporte.com)
Por Diego Giandomenico, PR

Em 2007 o Náutico buscou reforçar seu ataque em terras estrangeiras. Voltou com Alberto Martín Acosta, o Acosta, saudosamente chamado de Lula Molusco pelos torcedores do Timbu. Naquele ano, Acosta fez 19 gols no Brasileirão, perdendo apenas para Josiel, mas o suficiente para garantir seu nome como Bola de Prata da Placar e um contrato com um dos maiores times do país, o Corinthians. Lá, não foi tão eficiente quanto se esperava e ele começou a sua saga pelo Brasil. Voltou ao Náutico, passou por Brasiliense, Central de Caruaru, Operário de Vargem Grande e, em 2013 começou a escrever sua história no Amapá, mais especificamente no Santos do Amapá.

AMA - Acosta - globoesporte

Não foi a mais gloriosa história dele no futebol, não foi como em Recife, nem em São Paulo, mas ele novamente atraía a atenção da mídia nacional. Já o Santos e o futebol do Amapá ganhavam a atenção que nunca haviam recebido. Não foi a principal história da vida do uruguaio andarilho, mas marcou aquela região e me marcou.

Diferentemente de Roraima, o Amapá já havia me chamado a atenção com seus clubes. O primeiro, não preciso nem pestanejar em dizer, foi o Mazagão. Existem duas formas de um clube menor chamar a atenção: ou ganha de alguém “grande” ou tem algo peculiar. O Mazagão nem precisava de mais do que 5 segundos para atrair o olhar estranho: hoje na TV teremos Mazagão e Fluminense pela Copa do Brasil. Não lembro como conheci o Mazagão, mas ele definitivamente nunca me saiu da memória.

Falar do futebol amapaense, me fará recorrer diversas vezes sobre o que disse a respeito do futebol roraimense (numa versão relativamente melhorada): o futebol ainda é amador, as pessoas da região torcem para clubes de fora, sua capital é distante e pouco se ouve falar das equipes em competições nacionais. Claro, é melhor que Roraima. Por exemplo, federação e um ou outro clube tem site, ao menos. Cidades como Belém não ficam tão distantes de Macapá, a capital do estado, mas simplesmente não tem como atingir esse rincão do norte do brasil sem atravessar um rio – ou mar. A não ser que você venha do Suriname, Guiana, Guiana Francesa ou de Roraima. Qualquer outro estado que constitui nossa amada República, tem que passar por rio para chegar até Macapá – ou ao menos sobrevoar um.

Segundo o site da FAF (Federação Amapaense de Futebol) existem em funcionamento 10 clubes: Santos, São Paulo, Trem, Independente, Santana, Ypiranga, Macapá, São José, Cristal, e Mazagão. Porém, não são todos que encontraram facilidades para participar do Amapazão 2017. Deles, apenas 7 irão se digladiar em busca do cobiçado troféu de campeão do estado: Santos, São Paulo, Trem, Macapá, Independente, Santana e Ypiranga.

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O campeonato

Com a exceção do Amazonão, que terá sua final disputada entre Manaus e Nacional nas próximas semanas, todos os estaduais já tiveram seu campeão definido. Sejam campeonatos longos ou curtos, todos encontraram seu fim e os principais clubes estão disputando suas respectivas divisões nacionais. O que faz muito mais sentido na mente da pessoa que vos escreve e, acredito eu, na sua também. Mas o mundo roda diferente para a Federação Amapaense. O que acontece por lá, e isso é apoiado pelos clubes, pelo menos oficialmente, é que no primeiro semestre as competições de base e o campeonato não-profissional sejam disputadas. Desta maneira, as equipes poderiam encontrar revelações, montar times e trabalhar bem o seu elenco para a grande competição do ano. Continua não parecendo ser bom, mas tem lá a sua lógica, já que as equipes do Amapá não tem uma equipe de scout igual a sua do FIFA 17 para sair caçando talentos mundo afora.

O campeonato é bem curto, não tanto quanto o Roraimão, mas se tudo der certo, até a primeira quinzena de agosto conheceremos o nosso campeão.

Este ano, o torneio será disputado da seguinte maneira: grupo único, turno único, todos contra todos. Os quatro melhores passam para as semifinais em jogo único e os vencedores se enfrentam em jogos de ida e volta na finalíssima. Ou seja, são necessários 27 jogos para descobrirmos o desfecho do Amapazão.

Dos 7 clubes participantes, o Santos é que tem o melhor retrospecto recente: é o atual tetracampeão da parada. Trem, Independente e São Paulo correm por fora. Santana, Macapá e Ypiranga serão gratas surpresas se forem longe.

Não conhece os clubes do Amapá? Sem problemas.

Os clubes

Santos-AP

Você não precisa ser um gênio para descobrir de onde veio a inspiração para o nome, cores e escudo do Santos Futebol Clube da cidade de Macapá. Criado apenas 1973, o Peixe da Amazônia demorou para conquistar o sucesso regional. Na verdade, seu primeiro título estadual veio apenas em 2000, vencendo o glorioso Mazagão. Apenas nessa década que o Santos começou a ganhar maior destaque. Além da contratação midiática de Acosta, o clube tem o tetracampeonato consecutivo do Amapazão e em 2017 chegou a inédita semifinal da Copa Verde. O Peixe da Amazônia passou por adversários mais bem estruturados que eles. Primeiro, eliminou o Fast Club do Amazonas, já nas quartas de final veio a glória: eliminaram o grande Remo. Porém, na semifinal não teve forças ante ao Paysandu.

Santos, primeiro clube amapaense a chegar nas semifinais da Copa Verde (foto: globoesporte.com)
Santos, primeiro clube amapaense a chegar nas semifinais da Copa Verde (foto: globoesporte.com)

Mesmo assim, o futebol do Amapá teve pela primeira vez um clube indo tão longe numa competição regional. Em 2014, o Santos também foi bem na Série D, chegando até às oitavas de final da competição e sendo duramente eliminado pelo Londrina. Atualmente, o Santos é tido como uma potência, com folha salarial que chega perto dos 100 mil mensais, com centro de treinamento e um calendário um pouco mais recheado que seus rivais, já que há anos é o único amapaense que participa da Copa Verde e da Copa do Brasil.

Trem-AP

Uma das equipes mais tradicionais do Amapá, o Trem Desportivo Clube foi fundado em 1947 por um grupo de ferroviários, obviamente, além de uma homenagem ao bairro de sua criação. A Locomotiva, como é conhecida, conquistou seu primeiro título amapaense na era amadora, em 1952. O segundo, foi em 1984. Quando o Campeonato Amapaense começou a ser disputado de maneira profissional, o clube teve dificuldades e deixou de participar da competição por alguns anos, principalmente na década de 90. Porém voltou na metade dos anos 2000 e encontrou o caminho dos títulos novamente, sendo campeão em 2007, 2010 e 2011.

Trem é uma das forças que tenta derrubar a hegemonia do Santos no Amapá (foto: globoesporte.com)
Trem é uma das forças que tenta derrubar a hegemonia do Santos no Amapá (foto: globoesporte.com)

Ficou conhecido também por começar a investir na sua estrutura. O resultado disso é disputa constante pelos títulos contra o Santos. Quando o assunto é competição nacional, o Trem nunca passou da segunda fase da Série D ou da Copa do Brasil.

Ypiranga-AP

Autointitulado como o time de maior torcida do Amapá, o Ypiranga Clube é o maior campeão da era profissional do Estado, com 7 títulos (8 se considerar um caneco levantado na época do amadorismo). O Ypiranga tem origens na Juventude Oratoriana do Trem e o seu escudo ostenta a torre da Igreja de Nossa Senhora da Conceição no Bairro do Trem. Fundado em 1963, conquistou seu primeiro título estadual em 1976. Mas foi na fase profissional que sua estrela brilhou, principalmente na década de 90 e começo dos anos 2000. Foi campeão em 92, 94, 97, 99, 02, 03 e 04. Depois disso, nunca mais conseguiu montar boas equipes, inclusive disputando a segundona do amapaense em 2007.

Ypiranga, um dos clubes mais populares do Amapá (foto: globoesporte.com)
Ypiranga, um dos clubes mais populares do Amapá (foto: globoesporte.com)

Voltou a aparecer bem em 2012 quando se sagrou vice-campeão de um dos campeonatos mais esquisitos da história, mas contaremos esse causo mais tarde. Já em competições nacionais, o seu melhor resultado foi ter chego até às quartas de final da Série C de 2001.

Macapá-AP

Um dos mais antigos, o mais vitorioso, entre os mais desconhecidos do grande público. O Esporte Clube Macapá foi fundado em 1944 e já conquistou 17 títulos do Amapazão, porém apenas um deles foi na era profissional, logo na primeira edição em 1991. Ou seja, faz 25 anos que o Macapá não levanta a taça.

Macapá: um dos maiores vencedores do estado, mas há 25 anos sem levantar o caneco (foto: globoesporte.com)
Macapá: um dos maiores vencedores do estado, mas há 25 anos sem levantar o caneco (foto: globoesporte.com)

Se outrora foi hexacampeão consecutivo na década de 50, o máximo que conseguiu nestes últimos anos foi o vice-campeonato em 2013. Em competições nacionais ou regionais, não se há relatos de participação do Macapá, ficando restrito ao seu estado e seu passado.

Santana e Independente-AP

Vamos abordar os dois clubes da cidade de Santana que até hoje tentam fazer frente às equipes da capital. Primeiro falaremos do Canarinho Milionário, o Santana Esporte Clube. Fundado em 1955 é o primeiro clube não-macapense a ganhar o campeonato. Não só ganhou em 1960, como repetiu em 61 e 62. Ainda foi campeão em 65, 68 e 72, quase um Santos do Amapá. Seu último gosto de glória foi em 1985.

Santana, antes glorioso, agora dono de goleadas homéricas (foto: globoesporte.com)
Santana, antes glorioso, agora dono de goleadas homéricas (foto: globoesporte.com)

Ano que por sinal decretou o fechamento das portas do Canarinho, que voltou apenas em 2008. Em sua volta conquistou dois vice-campeonatos em 2009 e 2010. Atualmente é o maior saco de pancadas do campeonato. O Independente Esporte Clube foi fundado em 1962 e fez sucesso durante a década de 80. O Verdão do Norte foi campeão em 82, 83 e 89. Depois desse sucesso, ainda conquistou mais dois títulos (95 e 2001).

O Independente teve sua era de ouro na década de 80 (foto: globoesporte)
O Independente teve sua era de ouro na década de 80 (foto: globoesporte)

Depois passou por um processo de falência até voltar em 2007. Desde sua volta, o Verdão nunca mais conseguiu fazer uma final de campeonato. No âmbito nacional, chegou a disputar a Copa do Brasil de 2002, sendo eliminado pelo Flamengo do Piauí.

Outras equipes macapaenses 

Como você deve ter percebido, o futebol do Amapá é baseado em sua capital, assim como todos os outros estados menores. Além dos clubes citados acima, outras equipes merecem seu destaque aqui no texto, a começar pelo segundo maior campeão do Amapá, o Amapá. Mais conhecido como Zebra, o Amapá Clube foi fundado em 1944, no dia 23 de fevereiro, sustentando o título de clube mais antigo do Estado. 

Tradicional, campeão e extinto, esse é o Amapá Clube (foto: história do futebol)
Tradicional, campeão e extinto, esse é o Amapá Clube (foto: história do futebol)

Foi campeão em praticamente todas as décadas de 40 a 90. O seu último título foi exatamente antes da criação da era profissional no Amapá, em 1990. O clube ainda foi vice-campeão em 93, 95, 2006 e 2007. Seu último ano de participação no Amapazão foi em 2008. Está licenciado desde então.

O Oratório Recreativo Clube, mais conhecido como Orca Demolidora foi fundado em 1969 por um grupo de católicos. Uma das práticas curiosas do clube era a de que os jogadores teriam que participam uma vez por semana da missa. Seu único título foi recente e de forma muito controversa. Em 2012, Santos e Oratório eram as principais equipes. O Oratório havia sido campeão do primeiro turno e iria decidir o segundo turno com o Santos. Porém seu jogo foi marcado junto com outro (São José x Ypiranga).

O Oratório sagrou-se campeão de um dos campeonatos mais bizarros da história (foto: poster de times campeões)
O Oratório sagrou-se campeão de um dos campeonatos mais bizarros da história (foto: poster de times campeões)

Isso mesmo, dois jogos no mesmo horário e no mesmo estádio, sendo que um deles valia muito. O jogo que aconteceu foi o de São José e Ypiranga. Como o Santos disputava a Série D, a partida demorou para ser remarcada e o Oratório dispensou seus jogadores, entrando com um recurso para se declarar campeão. Fato que se consumou no começo de 2013. Uma bagunça. A última participação do Oratório no Amapazão foi em 2015. 

São Paulo é o caçula de Macapá e ainda não foi campeão estadual (foto: globoesporte.com)
São Paulo é o caçula de Macapá e ainda não foi campeão estadual (foto: globoesporte.com)

Se a torcida do Ypiranga se diz a maior do estado, a do São José não fica atrás e juntos eles fazem a maior rivalidade do Amapá. A Sociedade Esportiva e Recreativa São José nasceu em 1946 e conquistou ao todo 6 títulos estaduais, o último em 2006. Assim como Oratório, não se inscreveu para as duas últimas edições do Amapazão. Em competições nacionais são 2 Copas do Brasil e um Campeonato da Série C em seu currículo. Ainda já foram campeões estaduais equipes como: Juventus, Cristal, Guarany e CEA, todas ou extintas ou licenciadas. A única equipe macapense ativa e não-campeão estadual é o caçula São Paulo, que somente conseguiu um vice-campeonato em 2014.

Outras equipes não-macapaenses

Aliança e Mazagão são as outras equipes que já tiveram seus momentos de glória. O Mazagão é a única equipe fora do eixo Macapá-Santana que já chegou em um final de estadual. Só que as dificuldades de locomoção e o fato de que atualmente TODOS os jogos do campeonato estadual são realizados no Zerão, em Macapá, dificulta um pouco a vida dos clubes fora da região.

Mazagão chegou a figurar entre as forças do Amapá durante a década de 90 (foto: globoesporte.com)
Mazagão chegou a figurar entre as forças do Amapá durante a década de 90 (foto: globoesporte.com)

Por esse motivo, clubes menores e sem tanta estrutura acabam abandonando o certame profissional e se dedicando a torneios municipais ou não-profissionais. Essa é uma realidade não apenas do Amapá, mas de muitos estados da região, que concentram suas principais competições nas capitais, deixando de lado os clubes mais afastados.

O estádio 

Zerão. Primeiro tempo em um hemisfério, segundo tempo no outro (foto: tripadvisor)
Zerão. Primeiro tempo em um hemisfério, segundo tempo no outro (foto: tripadvisor)

O Estádio Estadual Milton de Souza Corrêa é o palco dos jogos do Amapazão. Ele tem como principal peculiaridade o fato de ser dividido pela Linha do Equador. Ou seja, metade do campo fica no hemisfério norte e a outra metade no hemisfério sul. Ficou por alguns anos inativo, mas voltou a sediar jogos do Amapazão em 2014. Desde então é o palco principal do futebol amapaense.

Federação

Claro que um dos motivos para a falta de estrutura dos clubes vem de uma federação mambembe. Em lugares mais afastados, a renda que um clube consegue basicamente vem da federação. E aí, meu camarada, ela pode fazer o que quiser. Um dos casos mais absurdos já foi citado acima. O campeonato de 2012 não teve fim e só foi decidido nos tribunais. Tudo porque a Federação Amapaense de Futebol decidiu colocar dois jogos no mesmo horário, sendo que um deles era uma decisão de returno e partida que aconteceu foi uma que não valia lá muita coisa.

Se já parece ser meio absurdo o Campeonato Amapaense ser disputado na contramão de todos os outros campeonatos estaduais do Brasil, conflitando as agendas de seus clubes que disputam a Série D, ainda vê em sua Federação alguém que consegue atrapalhar um campeonato de tiro curto, realizado em um único estado, com praticamente todas as equipes da mesma cidade. Não sei se é amadorismo, falta de caráter, pura sacanagem ou uma mistura dos três elementos num caldeirão infernal . O fato é que no Amapá, além dos cartolas não ajudarem muito, eles fazem questão de atrapalhar.

Público

O último Amapazão contou com uma média de 447 pessoas. A equipe que mais levou gente para o estádio foi o São Paulo. E usou uma tática muito simples: fez com que os jogos do sub-13 fossem disputados sempre antes de suas partidas de profissionais. Assim mãe, pai, familiares e amigos em geral, além dos próprios atletas mirins poderiam ficar e assistir os profissionais. Resultado? Mais de 3 mil pessoas para o jogo contra o Trem. Melhor público do campeonato, lembrando que o Zerão tem capacidade para 4 mil pessoas.

Final do Amapá, um dos poucos jogos com casa cheia (foto: globoesporte.com)
Final do Amapá, um dos poucos jogos com casa cheia (foto: globoesporte.com)

No geral, o Amapá consegue ter seus torcedores. Claro que a região norte como um todo é influenciada diretamente por clubes de Rio e São Paulo  e no Amapá não seria diferente: Flamengo tem a maior torcida, seguido por Vasco e Corinthians. Outro estado que tem influência na escolha dos amapaenses é o Pará, estado mais bem sucedido da região. Papão e Remo tem sua parcela de torcida por lá. Infelizmente não temos tantos dados para quantificar as torcidas locais, mas Ypiranga e São José são as equipes mais tradicionais do estado. Além deles, Santos, Trem e Macapá tem sua parcela de torcida.

Conclusão

O futebol do Amapá já teve tempos mais turvos. Porém ainda está longe de ser um primor. Lugares mais distantes sempre terão suas dificuldades ante aos lugares mais povoados e estruturados, mas o fato de seus clubes serem extremamente dependentes de uma federação que não visa o crescimento local deixa as coisas mais complicadas. No geral, equipes como o Santos e Trem já têm desenvolvido uma estrutura melhor que os demais, mas ainda devem com relação aos maiores clubes da região norte, que naturalmente devem com relação aos clubes das outras regiões. Mesmo com esses contras, o futebol do Amapá parece estar muito à frente do seu co-irmão de sofrimento, Roraima.

Fontes: Futebol do Norte, Plano Tático Parte 1, Plano Tático Parte 2, Plano Tático Parte 3, Globoesporte.com, Federação Amapaense de Futebol, Santos – Site, Ypiranga – Site, Globoesporte.com – média de público, Ranking Torcidas

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