O inevitável, aconteceu! – A queda da Portuguesa até a Série D

A torcida da Lusa amarga mais um rebaixamento. (Reprodução/Trivela)
Por: Max Galli, SP

O inevitável, infelizmente, aconteceu. A queda da Portuguesa de Desportos para a Série D fecha um ciclo de rebaixamentos e sofrimentos para o torcedor lusitano. Muitos que não torcem ou vivem a realidade do time também estão tristes pelo ocorrido, ainda mais depois de exatos 20 anos do maior feito que a equipe da Zona Norte de São Paulo alcançou, o vice-campeonato brasileiro em 1996. Mas o pior ainda está por vir: a Portuguesa ainda pode fechar as portas e clama por ajuda a quem for.

O clube paulistano, que precisava fazer a sua parte na cidade de Tombos, em Minas Gerais, ainda tinha que torcer contra o Macaé que jogava contra o Botafogo-SP, no Rio de Janeiro, mas transpareceu toda a crise que lhe assola e saiu derrotado por 2 a 0 pelo Tombense, caindo para a última divisão do futebol brasileiro. A campanha na Série C foi um tanto que desastrosa. Dos 54 pontos possíveis em 18 jogos, conseguiu só 14, ficando a frente somente do Guaratinguetá, que ficou em último do grupo B, com 4 pontos.

Cerca de 25 torcedores foram até Tombos tentar reviver o time, mas não foi o bastante. (Reprodução/GloboEsporte.com/Leonardo Lourenço)
Cerca de 25 torcedores foram até Tombos tentar reviver o time, mas não foi o bastante (Foto: Reprodução/GloboEsporte.com/Leonardo Lourenço)

Clube onde já passaram Djalma Santos, Roberto Dinamite, Leivinha, Evair, Capitão Oleúde e lançou Rodrigo Fabri, Zé Roberto e Dener para o mundo, hoje, se vê numa crise eterna. Mesmo tento alguns altos e baixos, podemos dizer que a fase ruim começou logo após o vice-campeonato brasileiro de 96 e da eliminação nas semifinais do Paulista de 1998 para o Corinthias. Ainda assim, tentou se reerguer trazendo o técnico Zagallo, em 1999, para ajudar a continuar o nível alto do time. Nada feito. Um dos piores trabalhos feitos pelo técnico que não só não caiu no Brasileirão daquele ano por causa do regulamento. Isso só fez com que a Portuguesa fosse de mal a pior. O resultado: 2002, o primeiro rebaixamento da história do clube em 82 anos para a Série B do nacional.

Em 2006, amarguraria mais um recesso, mas, dessa vez, do Campeonato Paulista e escapou de um descenso para a Série C por um milagre na última rodada contra o Sport, na Ilha do Retiro, com um gol de Alex Alves aos 44 minutos do 2º tempo, e isso deu ânimo para o ano seguinte, onde finalmente a Portuguesa voltaria a respirar os ares das elites. Voltou para a principal divisão paulista com uma ótima campanha com o técnico Vagner Benazzi, que achou na base da equipe uma fórmula para vencer e isso se deu efeito também na disputa da Série B com o time brigando pelo título até as últimas rodadas, ficando na terceira colocação, conseguindo, assim, acesso para a Série A do Brasileirão.

Os lusitanos voltava a ter orgulho da equipe em campo. (Reprodução/Arena/Gustavo Epifânio)
Os lusitanos voltavam a ter orgulho da equipe em campo (Foto: Reprodução/Arena/Gustavo Epifânio)

Mas veio 2008 e tudo mudou como se fosse da água para o vinho. Mais uma triste campanha na principal divisão nacional e mais um rebaixamento para a Série B, e lá ficou até 2011. No início daquele ano, com uma equipe formada por Jorginho e Anderson Lima mesclou jogadores da base com jogadores até então desconhecidos no futebol brasileiro, como o goleiro Weverton (medalhista olímpico), Edno, Guilherme, Luís Ricardo, Ananias e Marco Antônio. Foi chamado de “BarceLusa”, com comparativo ao futebol jogado pelo Barcelona. Até quem não torcia para a Portuguesa tinha orgulho da equipe que se apresentava no Canindé e fora dele. Na campanha, ficou apenas 3 rodadas fora do G-4 para classificação para a Série A e esteve na liderança desde a 10ª rodada do campeonato.

Barcelusa, equipe campeã da Série B em 2011. (Reprodução/posterdetimescampeoes.blogspot.com)
Barcelusa, equipe campeã da Série B em 2011 (Foto: Reprodução/posterdetimescampeoes.blogspot.com)

Com todo o ímpeto e projeto feito em 2011, a Portuguesa veio como uma das francas favoritas para a disputa do Paulistão 2012, mas o que foi visto era uma equipe totalmente diferente da que embelezava os campos no ano anterior. Com a venda de muitos jogadores, a equipe não manteve o alto nível e chegou até a última rodada dependendo só de si para escapar da degola, mas não conseguiu e, com isso, teve que se entristecer com mais um amargo rebaixamento para a segunda divisão paulista. Isso se deu reflexo na disputa do Brasileirão, onde teve que lutar pelo rebaixamento até a última rodada e com um empate, conseguiu fugir de mais um vexame.

Em 2013, fez uma campanha sólida na Série A2, conseguindo retornar à elite paulista vencendo o campeonato, porém, a primeira pedra no caminho do ano foi o singelo Naviraiense-MS pela primeira rodada da Copa do Brasil. Jogando um futebol pífio, foi eliminado. Isso já deixou a equipe balançada para o restante do ano e deu reflexo num Campeonato Brasileiro marcado por protesto de jogadores e com reviravoltas no STJD. Mesmo já tendo escapado do rebaixamento, em campo, com uma campanha de meio de tabela, a Portuguesa sofreu uma perda de 4 pontos ao final do campeonato pela escalação irregular do meia Heverton na última rodada. O atleta havia sido suspenso por dois jogos pela corte do STJD, entretanto, só teria cumprido uma partida, o que fez com que o Fluminense se beneficiasse do meio e escapasse do rebaixamento.

Isso fez com o clube entrasse numa crise dentro de outra com seu presidente. Na época do rebaixamento, Manuel da Lupa, foi acusado de várias formas por ter recebido propinas de empresas, estando sob processo com um banco e, seu sucessor, Ilídio Lico, também fez acusações fortes ao Fluminense, falando que houve dinheiro no meio, porém, dias depois, disso que foi mal interpretado.

A história ainda tem feridas que não foram cicatrizadas, ainda mais no coração dos torcedores da Lusa que lutaram até o fim contra tudo, mas em vão. Restou incentivar a equipe a entrar em campo e buscar seu acesso novamente. Não foi o bastante. Em 2014, a equipe se mostrou fraca no estadual e caiu mais uma vez, e de lá não saiu mais até então. No mesmo ano, ainda ressaqueado do baque de 2013, fez uma péssima campanha e fechou em último na Série B, caindo para a terceira divisão do nacional. Em 2015, passou triscando para a próxima fase da Série C, mas não passou do Vila Nova-GO, que viria a ser campeão depois.

Torcedores da Lusa protestando contra o resultado do STJD em 2013 o que acarretou na queda do time a segundona. (Reprodução/Levi Bianco)
Torcedores da Lusa protestando contra o resultado do STJD em 2013 o que acarretou na queda do time a segundona. (Foto: Reprodução/Levi Bianco)

2016 chegou e nada melhorou. Não conseguiu classificação para a fase final na Série A2 do Paulista e tudo veio a piorar no dia 18 de Setembro, que acarretou na queda drástica para a Série D do Campeonato Brasileiro, a última divisão nacional. Além de ter que se reabilitar dentro de campo, o clube pode fechar suas portas por inumeros problemas financeiros.

No ano que vem, o time terá que conviver com os caixas ainda mais vazios, pois fora da Série C, receberá o bônus pago pela Federação Paulista para os seus filiados que jogam a Série A2 do Estado ainda menor e não receberá a cota mínima da elite paulista por estar dois anos seguidos nessa divisão. Outro problema está na disputa da Série D do próximo ano. Os clubes que jogam esse torneio não recebem cota de participação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), apenas ajuda de custo da entidade máxima do futebol nacional para viagens e hospedagens, e se caso não conseguir acesso à terceirona de 2017, fica sem vaga em todos os torneios nacionais, pois a classificação para a Série D se dá com os rebaixamentos da Série C e resultados de estaduais, sem contar que pode tentar uma vaga na Copa Paulista.

O Estádio Canindé, seu único bem e que já está penhorado, pode vir a leilão em novembro, mas nem assim poderá arcar com tudo que está pendente. A Portuguesa grita socorro para seus apaixonados torcedores e seus admiradores. A história conta que sempre se pode dar a volta por cima, uma delas é só ver o Santa Cruz, que também sentiu o gosto do fundo do poço, hoje, está na Série A depois de 10 anos. O seu atual presidente diz que o clube não fechará as portas, mas a situação é difícil.

96 anos de histórias, é hora de se levantar. (Reprodução/Adeus,Geral/Facebook/Festa das Torcidas)
96 anos de histórias, é hora de se levantar (Foto: Reprodução/Adeus,Geral/Facebook/Festa das Torcidas)

Com 96 anos de história, a Portuguesa respira por aparelhos e só depende dela para se reabilitar. A torcida pode ser papel importante nessa mudança e é isso que nós, adoradores de futebol, queremos. Não podemos ver um clube com uma história tão rica se deixar apagar por quem ignorou o que já foi escrito. Um passo de cada vez, como sempre foi feito. A caminhada pode ser longa, mas da força de um Leão nunca se colocou dúvida.

 

Fontes: ESPN, O Dia, UOL Esporte, Net Lusa, GloboEsporte.com e Trivela

2 Comentários em O inevitável, aconteceu! – A queda da Portuguesa até a Série D

  1. Ola..meu comentário é que a unica forma de ajudar a portuguesa a sair dessa situação…contratar outros jogadores……mas pra isso tem uma técnica na escolha dos jogadores….eu sei como fazer…e só assim com a qualidade desses jogadores pagaria a dívida. Obrigado

  2. E quando se fala em gestão profissional do clube, não gastar mais do que se tem e fazer um trabalho bem estruturado tem gente que fica reclamando que é coisa de Europeu e que futebol de verdade é assim mesmo, ta ai um exemplo do que Dirigentes bandidos e irresponsáveis podem fazer…

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