O inferno acabou, torcedor tricolor

Enfim o Leão voltou

A alegria tricolor pelo acesso (Foto: Fabio Lima/OPOVO)
Por Victor Portto, CE

O dia 23 de setembro de 2017 ficará marcado para sempre na memória dos fanáticos torcedores do Fortaleza Esporte Clube. É que depois de oito anos enfrentando o calvário da Série C do futebol brasileiro a equipe, finalmente, consegue o acesso a Série B em uma trajetória digna dos maiores dramas de um roteiro cinematográfico. Foram oito oportunidades perdidas anteriormente, às vezes ficando a um gol da classificação, parando em defesas e atuações memoráveis dos goleiros adversários, mas quando tudo parecia se encaminhar para dar errado neste ano… o Leão conseguiu o acesso.

O início do ano foi marcado pela desconfiança da torcida e por uma carga altíssima de pressão desde os primeiros jogos. A contratação de jogadores de qualidade questionável e os resultados decepcionantes já no Campeonato Cearense contribuíram ainda mais para fazer o ambiente do clube virar uma panela de pressão. Junte estes elementos ao atraso de salários de funcionários e atletas do clube, a renúncia da diretoria em meados de maio e toda a tensão de oito anos em uma divisão inferior à grandeza do clube. Sim, o Fortaleza é um dos grandes clubes do Nordeste e demonstrou com sua apaixonada torcida que nunca desistiria de lutar para sair do inferno chamado Série C, com o seu torcedor lotando e sempre acompanhando o time mesmo nas consecutivas falhas nas tentativas de subir de divisão. Macaé, Oeste, Brasil de Pelotas, Juventude e, por que não?, Sampaio Corrêa (este ainda na fase de grupos de 2013) foram os algozes do Leão do Pici nestes anos de terceira divisão.

Por 8 anos a torcida apoiou incondicionalmente o time na terceira divisão (Foto: Reprodução/IG Esporte)
Por 8 anos a torcida apoiou incondicionalmente o time na terceira divisão (Foto: Reprodução/IG Esporte)

Para a junta diretiva que assumiu o clube, depois da renúncia da diretoria em maio, restou tentar arrumar a casa. Acertando os débitos com os funcionários e jogadores, apostando fortemente no trabalho interdisciplinar da sua comissão técnica (do departamento de análise de desempenho a psicologia) e na contratação pontual de jogadores para os setores considerados pobres tecnicamente dentro do elenco. O orçamento de Série C não permitia fazer loucuras e a própria situação financeira do time não autorizava uma alteração tão grande do plantel, causando insistente desconfiança da torcida em relação aos atletas do grupo. Não foram poucos os episódios de ameaças, violência física e psicológica por setores de torcidas organizadas. Mas apesar de todo este cenário os jogadores vestiram a camisa e brigaram até o último minuto pela camisa leonina.

O início da campanha na Série C não foi fácil. Na fase de grupos, o Fortaleza fez uma campanha bem diferente do que estava acostumado nos últimos anos — quando se classificava com sobras. Classificou-se para o mata-mata na última partida com um gol de um jogador considerado reserva (Ronny, ex-Hertha Berlim e Corinthians), demitiu o técnico Paulo Bonamigo no final da 1ª fase e trouxe o antigo algoz Antônio Carlos Zago (treinador do Juventude na eliminação do ano anterior). O time jogou um futebol pobre tecnicamente a competição inteira (que tentava compensar com bastante disposição) e era considerado o pior elenco do Leão do Pici nestes oito anos de terceira divisão pela torcida e pela mídia esportiva local. O destino parecia fadado a mais um ano amargando essa situação incômoda.

Mas eis que quando tudo parecia dar errado, o time não inspirava confiança, os adversários arrancavam pontos que pareciam garantidos em campanhas anteriores, foi que o aspecto mental da resiliência dos jogadores (e um pouco de sorte) resolveu dar as caras para o Fortaleza. Enfrentando o Tupi pelo mata-mata em casa, com o apoio do seu fiel torcedor, o cenário era considerado o ideal pela torcida por acreditar que decidir a vaga em casa como nas quatro eliminações anteriores poderia ocasionar em uma pressão insuportável para os jogadores. O Leão largou em vantagem, ganhando por 2 a 0, contra os mineiros no Castelão e deixou os torcedores confiantes para o segundo jogo, atuando de forma consistente e diferente da maior parte do ano até então. O acesso parecia próximo, mas ainda faltava o segundo jogo para poder soltar, enfim, o grito de libertação da Série C.

Como sempre fiéis demonstraram ser, vários torcedores cruzaram o país de ônibus, carro e avião para apoiar o tricolor em Juiz de Fora (sendo inclusive a maioria no estádio). E em um jogo tenso, marcado pela pressão incessante da equipe do Tupi, o Fortaleza conseguiu segurar os mandantes perdendo somente pelo placar que lhe permitia se classificar (1 a 0). Os mineiros sentiram o gosto que os cearenses sentiram em todas as eliminações anteriores, mandaram bolas na trave, pararam na grande atuação do goleiro Marcelo Boeck, contaram com gol mal anulado (algo que o Leão do Pici tinha passado contra o Juventude no ano anterior) e toda uma série de acontecimentos que parecia escrito num roteiro de filme para a classificação.

Dona Toinha e a emoção da torcida tricolor (Foto: Reprodução/Esporte Interativo)
Dona Toinha e a emoção da torcida tricolor (Foto: Reprodução/Esporte Interativo)

Dona Toinha, funcionária do clube há 47 anos, personificou no campo todo o sentimento da torcida leonina atravessando o campo ajoelhada junto ao mascote do clube chorando copiosamente e agradecendo ao treinador e aos jogadores a conquista do acesso. Os jogadores e toda a comissão técnica desabaram na emoção depois do jogo, por toda a montanha russa de emoções vividas durante o ano. O time foi recebido por uma multidão com direito a carreata e desfile no carro dos bombeiros. Foi um carnaval em Fortaleza para a torcida tricolor. Resta ainda ao Leão do Pici a semifinal contra a equipe do Sampaio Corrêa e a Copa Fares Lopes (competição em que o clube luta por uma vaga na Copa do Brasil em 2018), onde jogará contra o seu maior rival (Ceará).

Mas para a torcida tricolor o ano já pode acabar. O objetivo maior foi alcançado, o inferno acabou e agora o clube pode voltar a no ano quem vem sonhar com voos mais altos depois de conseguir retornar a Série B.

Segue abaixo os melhores momentos do jogo do retorno a Série B:

 

Fonte: Esporte Interativo; Jornal O PovoTrivela

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