O Levante da Briosa: a Portuguesa Santista de 2003

O rubro-verde praiano fez história e ficou na lembrança dos fãs de futebol

Rico foi um dos ícones da Briosa em 2003 (Foto: Reprodução/ocuriosodofutebol.com.br)
Por: Max Galli, SP

A história da Portuguesa Santista deve ser lembrada em muitas conversas sobre futebol. O clube teve grande participação na fundação da Federação Paulista de Futebol, além de construir um dos primeiros estádios do Brasil, sendo o primeiro a ter cobertura na América Latina, o saudoso Ulrico Mursa. Disto isso, não tem como não juntar Briosa e 2003 nas sílabas de nossa boca ao lembrar fatos inesquecíveis. Você, santista, pode se lembrar de Pepe, o Canhão da Vila. Você, corintiana ou corintiano, pode se lembrar de Dinei, Ronaldo e Maurício. Você, são-paulino, pode se lembrar de Rico e Souza. Você, torcedor coxa branca, pode se lembrar de Zambiasi. Mas os fãs de histórias e boas lembranças do futebol devem juntar todos e lembrar da épica saga da Portuguesa Santista no Paulistão de 2003.

Tudo começou com a vinda de Pepe para treinar a equipe praiana ao fim do Paulista de 2002 ficando na vice-lanterna, mas escapando de fato de um rebaixamento apenas na repescagem contra a Francana-SP que era a vice-campeã da Série A2 onde decidia quem ficava com a segunda vaga da Série A1 do estadual. Com o alívio, a montagem da equipe para a próxima temporada deu início com uma peneira onde 80% dos jogadores inscritos não passaram, mas isso não era o bastante, segundo o comandante. Eis que surge a imagem de Luiz Taveira, empresário que foi atrás de atletas não utilizados em grandes clubes, com isso dois pilares da equipe vieram dessa parceria: Rico e Souza com seus cabelos pintados de loiros e que não estavam sendo utilizados pelo São Paulo.

Souza e Rico apresentados no São Paulo após o Paulista de 2003 (Foto: Reprodução/Blog Esquema de Jogo)
Souza e Rico apresentados no São Paulo após o Paulista de 2003 (Foto: Reprodução/Blog Esquema de Jogo)

Assim a base do time era formada por: Maurício; Zambiasi, Nenê e Vandir; Nelsinho, Adriano, Fabrício e Adavilson; Souza, Rico e Elizeu. E com esses comandados, Pepe levou a equipe para o interior de São Paulo para a pré-temporada, em Socorro-SP. No início do campeonato já teriam uma batalha pela frente tendo que enfrentar a ilustre Juventus-SP dentro da Rua Javari, mas sem grandes problemas, vitória rubro-verde. Já no Ulrico Mursa, encontraria a Inter de Limeira-SP, equipe onde Pepe foi campeão Paulista em 86 como treinador, mas a lembrança interiorana ficou de lado, vitória arrebatadora da Briosa. 6 a 0. Até que veio a terceira rodada, partida contra o São Paulo no Morumbi: empate suado, 1 a 1 e muito comemorado em Santos, invencibilidade se mantinha.

O jogo a seguir era contra o Santos dentro do Ulrico e tinha um tom especial, pois a Portuguesa tinha um tabu para quebrar: 34 anos sem vencer o rival. A grande imagem do campeonato para muitos foi a vitória da Briosa naquela partida, não a campanha, mas sim essa partida. Rivalidade municipal, uma equipe formada em cima da hora contra o atual campeão brasileiro com nomes com porte como Diego, Robinho e Elano. Era de fato um marco histórico. Rico simplesmente mostrou que a velocidade pode ser traiçoeira até mesmo contra quem a executava de ótima forma fazendo dois gols em lances rápidos e intrépidos.

Com dois jogos restantes, era só continuar o trabalho que a vaga estava assegurada. Duas vitórias sobre Santo André e Paulista de Jundiaí deram a primeira colocação invicta da equipe praiana. Depois de sofrer com um quase rebaixamento no ano anterior, a Briosa tinha a segunda melhor campanha do Paulistão até então, assim enfrentaria o Guarani nas quartas-de-final em jogo único. O Ulrico Mursa estava pulsando e, mesmo com um empate sem gols, a Portuguesa Santista avançou para as semi-finais para enfrentar o São Paulo. A mesma equipe que cedeu atletas para a equipe rubro-verde.

O próprio Pepe disse que a equipe sonhava com o título, mesmo sabendo que ainda teria grandes percalços pela frente como enfrentar mais uma vez um Morumbi lotado. Mas o sonho caiu por terra na primeira partida: uma apresentação esplendorosa da equipe sãopaulina, 5 a 0 e a primeira derrota da Briosa no Paulistão. A luta continuou na volta na Vila Belmiro, mas mais uma derrota tirou todas as chances da Portuguesa Santista de ir frente em busca do objetivo que veio após as quartas-de-final, sendo que o primeiro era não cair. Muitos dizem que o São Paulo trabalhou nos bastidores antes da primeira partida dizendo que Rico e Souza seriam titulares na volta deles à equipe e talvez possar ter atrapalhado o trabalho dos dois em campo. Os dois voltaram para a equipe, mas só um ganhou reconhecimento no futebol. O meia Souza foi campeão mundial pelos paulistas em 2005, enquanto Rico rodou por vários times.

A equipe não se desfez até lá conseguindo até alcançar as quartas-de-final no ano seguinte, mas o brilho foi se esvaindo com o passar dos anos, principalmente em 2006 quando a Portuguesa Santista foi rebaixada e assim como a derrocada até a Série B, a quarta divisão do estadual. Em 2016 conseguiu um novo acesso e agora está na Série A3 e tenta assim buscar repetir a história que saem de muitas bocas lusitanas praianas e de muitos saudosistas do futebol.

Fontes: Globoesporte.com, Alambrado

 

1 Comentário em O Levante da Briosa: a Portuguesa Santista de 2003

1 Trackbacks & Pingbacks

  1. O primeiro "não" brasileiro ao Apartheid e a Fita Azul: histórias da Portuguesa Santista - Cenas Lamentáveis

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*