O livro do Bruxo: a história de Ronaldinho Gaúcho – Parte 1

A história de um garoto gaúcho que queria ser jogador de futebol

Ronaldinho comemora gol pela seleção em 2002 ( foto: Globo esporte/Reprodução)

Ronaldinho Gaúcho é um dos maiores futebolistas de todos os tempos. Uma das poucas pessoas que pode se orgulhar de ser reconhecido no mundo inteiro. Após dezoito anos de carreira profissional, ele decidiu anunciar sua aposentadoria dos gramados e procurar outros projetos profissionais. A sua história precisa ser contada e sua magia com a bola nos pés nunca se apagará. Ronaldinho Francês, Gaúcho, Bruxo, R10 são algumas alcunhas que ele carregou em sua brilhante carreira. O seu livro de magias encantou Grêmio, PSG, Barcelona, Milan, Flamengo, Atlético Mineiro, Querétaro e Fluminense.

A decisão de encerrar a carreira não veio como um choque para todos seus fãs. Apesar de sempre apresentar bom futebol por onde passou, sua vida como futebolista chegaria certamente a um fim cedo ou tarde. Vários títulos nacionais e internacionais o consagraram. Sua história será lembrada por torcedores de várias nacionalidades. Esta é a primeira parte de uma grande história que o Cenas Lamentáveis traz para toda a confraria.

O garoto de Porto Alegre (1980 – 1998 )

O porto alegrense Ronaldo de Assis Moreira, filho de João Assis e Miguelina não imaginava o que o futuro lhe reservava. Nascido em 1980, sua infância nas ruas do Rio Grande do Sul não foram fáceis. Aos oito anos teve de superar a perda do pai e foi criado pela mãe e o irmão Roberto. Durante sua juventude falava e brincava apenas de futebol.

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Os irmãos Ronaldo e Roberto. (Fonte: Superesportes/Reprodução)

A profissionalização do irmão Roberto, em 1987, trouxe uma possibilidade de melhoria de vida para a vida da família Assis. O irmão de Ronaldo foi disputar  jogos pelo Grêmio e outros vários times entre 1987 e 2000, e seu auge veio pelo FC Sion da Suíça, no começo da década de 90. Peça fundamental na vida do craque, Roberto empresariaria toda carreira do irmão mais novo no futuro.

Seus primeiros jogos foram dentro das quadras, onde rapidamente se destacou pela qualidade com a bola nos pés. Os que viram os primórdios da sua vida junto ao futebol já se espantavam com a grande habilidade do garoto sorridente que fazia o gostava e o que queria com a bola. Acompanhava seu irmão nos treinos do Grêmio e seu sonho era apenas um: se tornar jogador de futebol. Numa entrevista, em 2013, ao jornal mineiro Superesportes ele foi enfático:

“Desde criança, sempre foi o que eu quis fazer. Sempre me imaginava jogador, sempre quis ser o que meu irmão Assis era dentro de casa. Vendo ele todo o dia treinando e atuando, eu me inspirava e sonhava em vestir a camisa do Grêmio um dia. Quando pequeno, não tinha dúvidas que o futebol seria minha profissão. Assistindo à Copa do Mundo de 1994 e acompanhando o tetra da Seleção, eu pensava ainda nas categorias de base: ‘quero fazer aquilo ali que o Romário está fazendo. Quero isso para a minha vida”, disse.

Sua determinação se tornaria talento. Nunca abandonando a companhia da bola, Ronaldinho ingressaria na base do Grêmio, e jogaria também nas seleções de base.

O começo da sua história nos gramados pelo Grêmio ( 1998 – 2001)

Ainda garoto, Ronaldo ingressou na base do Grêmio nos anos 90 para começar a sua carreira como atleta. Após a vitória da equipe sub-17 tricolor, o garoto alcançou o time profissional. Sua estréia nos gramados do time principal do Grêmio de Porto Alegre veio em plena Copa Libertadores da América, em 1998. Já cotado como uma grande revelação do futebol, não demorou para que os gols aparecessem e ele ganhasse notoriedade. Em três anos jogando como profissional, marcou mais de 70 gols em aproximadamente 150 jogos. Em 2000, o sonho de vestir a amarelinha chegou: sua primeira convocação através do técnico Vanderlei Luxemburgo.

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Ronaldinho com a camisa do Grêmio (Foto: Arquivo Folha/Reprodução)

A partir de 2001, seu passe começou a ser negociado pelo clube gaúcho. Propostas do Leeds e futebol italiano foram negadas pelo seu time. Ronaldo, então, assinou um pré-contrato com os franceses do Paris Saint German, o que na época gerou uma batalha judicial com seu clube formador. Após dois meses impedido de jogar, sua estreia no velho mundo era realidade.

 

Um jogo inesquecível: Grêmio 2 x 0 Internacional em 1999

A final do Gauchão guarda sempre muitas emoções para tricolores e colorados. Foi em um Grenal que Ronaldinho executou um de seus mais ousados dribles: a bola debaixo das pernas do então zagueiro Dunga. Ele se destacou na armação do time e teve papel fundamental na conquista do Grêmio este ano.

Padrão exportação: o Ronaldinho francês (2001 – 2003)

O ano de 2001, Ronaldinho faria sua primeira aparição nos gramados pelo time francês. Sua grande habilidade foi rapidamente notada pelo técnico Luís Fernandéz e por toda torcida parisiense. A passagem no clube que tinha astros como Jay Jay Okocha e Chulapa não decepcionou. Foi a chance que Ronaldinho teve para desenvolver seu futebol em grande nível e preparar-se para seus próximos desafios. A passagem também teve oscilações no clube. Não foi titular absoluto do time mas muitos o viam como uma grande estrela do futuro. O Paris Saint German ainda procurava afirmar-se no cenário europeu como potência.

 

Um jogo inesquecível: PSG 3 x 0 Rennes em 2oo1

O começo das suas aparições nas boates e noite na francesa não passou despercebido. O seu técnico veio a público reclamar que o jogador estava “fora do foco” que era jogar futebol. O bom status entre jogadores e torcida que Ronaldinho tinha não foram suficiente para Fernández. Ficou no banco e virou opção para o time. Uma partida histórica estava para ser feita pelo craque para calar todos aqueles que duvidavam das suas qualidades.

O jogo pela rodada do campeonato francês entre PSG e Rennes, em agosto de 2001, no Parc des Princes assistiria um grande show do craque. Após fraco primeiro tempo, o técnico Fernandéz sacou Alex Dias e colocou o camisa 21 para o jogo. O resultado foram três assistências para de gols de Jay Jay Okocha, Mendy e um escanteio batido com extrema qualidade para o confrade Aloísio Chulapa.

O topo do mundo era só o começo: A copa de 2002

O técnico Felipão anunciou, em 2002, quem seria o time que disputaria a Copa do Mundo sediada no Japão e na Coréia do Sul. Ronaldinho Gaúcho já tinha o respeito dos colegas da seleção brasileira e carinho da torcida. Faltava uma conquista e uma grande campanha. A família Scolari embarcou para a terra do sol nascente ainda desacreditada pela irregular campanha nas eliminatórias e pelo vexame da eliminação da Copa América de 2001. Um grupo acessível foi o começo: vitórias em cima de Turquia, Costa Rica e China. Os adversários belgas não assustaram também nas oitavas de final.

As quartas de final trouxeram o jogo mais difícil de toda a campanha e o maior show do craque. Foi expulso no jogo, não jogou a semi final contra os turcos. Contra a Alemanha na grande decisão participou ativamente do jogo e sagrou-se campeão.

 

Um jogo inesquecível: Brasil 2 x 1 Inglaterra pelas quartas de final

A escolha da sua trajetória na seleção não poderia ter um destaque diferente. Se faltava alguma dúvida da sua capacidade de decidir este jogo calou  todos estes críticos. Um jogo de alta qualidade técnica que de um lado tinha Beckham, Owen e Heskey enfrentando Ronaldo, Rivaldo e Cafú. Após falha do zagueiro xerife Lúcio, Michael Owen marcou o primeiro tento inglês no jogo. A situação de forte defesa deixou o jogo muito tenso para os brasileiros.

No fim do primeiro tempo, Beckham perde a bola no ataque e Ronaldinho recebe a bola para começar uma grande arrancada. Após driblar Heskey, tocou para Rivaldo finalizar e empatar a partida. Na volta do segundo tempo, o Bruxo fez um dos gols mais inacreditáveis da história da Copa do Mundo para classificar o Brasil. Os rivais juram até hoje que este foi um cruzamento e não um gol. David Seaman (o goleiro inglês do jogo) em partida beneficente, em 2015, que contou com a presença do craque propôs o desafio de executar este feito novamente. O Bruxo não confirmou no desafio, mas confirmou que bateu para o gol na hora que a seleção mais precisou.

 

Não percam a segunda parte na semana que vem!

Texto e pesquisa: Lucas Poeiras (@pueira)

1 Comentário em O livro do Bruxo: a história de Ronaldinho Gaúcho – Parte 1

  1. O Ronaldinho merece muitas homenagens, jogou demais. Parabéns pelo texto.

    Duas considerações:

    1) O Ronaldinho estreou na seleção em 1999 (se não me engano), inclusive o gol contra a Venezuela (“Olha o que ele fez…”) foi na Copa América deste ano (que ele foi convocado após arrebentar nos Grenais (Dunga que o diga) e o Edílson causar na final do Paulista – Corinthians x Palmeiras).

    2) O cara que ele entortou na Copa de 2002 foi o Ashley Cole que, inclusive, deve estar torto até hoje.

    Obrigado.

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