O maior de 2016: Atlético Nacional

Mesmo em um ano que quase tudo deu errado, o Atlético foi um dos pontos positivos dentro e fora de campo

(Foto: Reprodução/veja.abril.com.br)
Por: Augusto Araujo, RJ

Se 2016 foi visto como um ano infeliz por diversos motivos, dele algo se salvou: e é o time colombiano Club Atlético Nacional S.A.. A equipe já viveu momento glorioso na parte final do século passado. Na época, foi suspeita de ter ligação com o narcotraficante Pablo Escobar. Mas o presente pode desassociar sua imagem diretamente ligada a isto nesse último ano.

“‘El Patrón’, como era conhecido o maior narcotraficante da época, era de fato um cara apaixonado por futebol. Em muitas histórias, seu nome está relacionado aos três times da região de Medellin, pois, além do Atlético Nacional, o Deportivo Independiente e o Envigado FC também seriam “agraciados” com alguma ajuda financeira do poderoso traficante. Dentre esses “regalos”, ele teria investido pesado na formação de equipes, além de suborno e ameaças a juízes e jogadores.” (Wagner Ponce, no seu texto “‘Los Puros Criollos’, o timaço do Cartel de Medellin”)

Escobar é visto como essencial para o crescimento do futebol colombiano na década de 80 (Foto: Reprodução/veja.abril.com.br)
Escobar é visto como essencial para o crescimento do futebol colombiano na década de 80 (Foto: Reprodução/veja.abril.com.br)

Se antes visto como um time rejeitado por muitos, por sua história um tanto quanto controversa, hoje, é muito diferente. O Atlético Nacional foi cada vez mais ganhando novos adeptos, novos amantes, porque claro que todos temos nosso time do coração, mas sempre cabe espaço para aqueles que chamamos de “simpáticos” e torcemos como se fosse nosso.

O ano de protagonismo

Donos de um belo esquadrão com jogadores como Borja, Marlos Moreno e Guerra, “los verdolagas” – como são chamados na Colômbia – foram tratados como um dos favoritos ao título da Libertadores desde antes do começo da mesma. Com um futebol ofensivo – o que atrai muito os brasileiros – e bem trabalhado, o Atlético conseguiu ser o melhor time da fase de grupos, saindo invicto com cinco vitórias e um empate. E se é visto como um time com um ataque de qualidade técnica acima do nível, o surpreendente é que não levou nenhum gol durante a segunda fase da competição, mostrando que, além de peças muito importantes dentro do campo, também é comandada por um técnico competente, o Reinaldo Rueda, que fez a equipe trabalhar bem em todos os setores.

Já na fase de mata-mata, mostrou o mesmo nível de futebol técnico e guerreiro que é obrigação de todo time sul-americano de qualidade demonstrar. Nas oitavas, jogou contra o argentino Huracán, fazendo da sua segunda partida a decisiva, pois a primeira terminou sem gols. Em seu estádio, venceu por 4 a 2, com direito a pênalti duvidoso e gol de bicicleta – só que do outro lado.

O próximo adversário foi novamente “hermano”, desta vez, foi o grande Club Atlético Rosario Central. O jogo de ida terminou em 1 a 0 para o time rival, então, de novo, o da volta teria que ser uma guerra, e foi. Com o placar final terminando em 3 a 1, o jogo foi tudo aquilo que quem conhece a Libertadores gosta e espera ver. Após o gol aos 49 do segundo tempo para garantir a vitória, o atacante Marlos Moreno gritou na cara do goleiro Sosa em virtude de ações racistas por conta do arqueiro e, na comemoração, quase saiu briga entre o autor do gol, Berrío, com jogadores do Rosario.

Moreno expressando toda sua raiva com o goleiro do Rosario Central (Foto: Reprodução/globoesporte.com
Moreno expressando toda sua raiva com o goleiro do Rosario Central (Foto: Reprodução/globoesporte.com)

Glória no fim

Na semifinal, para infelicidade – e felicidade – de alguns brasileiros, o time colombiano teve jogos mais tranquilos. As partidas foram contra o São Paulo, tanto no jogo da ida quanto da volta. O atacante Borja marcou dois gols, acabando com a esperança são-paulina e decretando 4 a 1 no placar agregado.

A grande final foi contra o clube equatoriano Independiente Del Valle, que vinha de partidas de mata-mata não tão fáceis e foi apenas o décimo clube na fase de grupos. O primeiro jogo, no Equador, terminou em 1 a 1, com gols de Berrío e Mina. O da volta, no Estádio Atanasio Girardot, o Atlético conseguiu o gol do título logo aos oito minutos de partida, sendo feito pelo seu artilheiro, o atacante Borja. Além do seu segundo título da Libertadores da América, o clube ainda se sagrou campeão da Copa e da Superliga da Colômbia. Foi seu ano mais vencedor da história.

O maior título do Atlético Nacional

Para um clube esportivo, o seu auge é quando ganha a maior competição possível. No futebol seria o Mundial, no futebol americano, o Super Bowl, no tênis, os quatro Grand Slams. Mas 2016 foi tão louco que isso não se seguiu. 29 de novembro, o dia maldito. O dia que todo amante de esporte nunca esquecerá. O dia do desastre de Chapecó. O avião que levava 77 pessoas para o primeiro jogo da final da Sul-Americana entre Atlético Nacional e Chapecoense não chegou até o seu ponto final. O motivo, agora se sabe, foi a falta de gasolina da aeronave. Setenta e uma pessoas faleceram, dentre eles jogadores e a delegação da Chape, jornalistas e tripulantes.

As duas partidas seriam as mais importantes da breve história do time brasileiro, mas por uma tragédia não puderam acontecer. Acordamos desnorteados com aquela notícia. A saga do maior verdão do Brasil acabou da forma que ninguém podia prever. O que todos esperavam eram dois jogos extremamente épicos, entre o time mais forte da América contra o clube que conquistou o Brasil. Não foi possível.

O desfecho

Repetindo: o auge para um clube é conquistar o troféu da maior Liga/Copa em disputa. E o Atlético conseguiu chegar ao topo sem vencer sua segunda competição continental no mesmo ano, muito pelo contrário. Desde que foi sabido do desastre, o time colombiano soltou uma nota oficial dizendo que abrira mão do título para a Chape. Mesmo que isso não fosse legal olhando as regras, ninguém se importava porque era o certo a ser feito. Aconteceu.

Depois de um tempo, a Conmebol consagrou o clube de Chapecó vencedor, sendo campeão da Sul-Americana.  Do jeito que ninguém queria. Entretanto, as homenagens não pararam por aí. No dia da final, dezenas de milhares de torcedores lotaram o Estádio Atanásio Girardot para solidarizar com a tragédia. Com direito a milhares de velas e flores, cânticos à Chape e gritos aos que faleceram, foi vista uma das cenas mais emocionantes da história do futebol. Poucas coisas foram tão bonitas quanto o que o Atlético Nacional e seus torcedores fizeram naquela noite.

Aquela frase conhecida “nunca será só um jogo” valeu como nunca vista naquele ano. O Atlético Nacional foi o maior dentro e fora de campo. Mostrou que sabe ser ofensivo ao máximo quando é necessário e solidário quando o momento pede. Pouco tempo depois do acidente, o clube colombiano participou do Mundial de Clubes da FIFA. Foi eliminado precocemente nas semis, mas nada disso importou porque eles já tinham ganhado o mundo antes.

O Atanásio Girardot se uniu com homenagens para a Chape (Foto: Reprodução/espn.com)
O Atanásio Girardot se uniu com homenagens para a Chape (Foto: Reprodução/espn.com)
Fontes: Veja e ESPN.

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