O maior zagueiro do futebol amador de Minas Gerais

Zagueiro sem grife, mas com futebol.

Amigo torcedor, amigo leitor. Ao meu pai, minha homenagem, ao maior zagueiro da história do futebol amador, Sr. Dorival de Oliveira Gomes. Eu sei o que você deve estar pensando, autorzinho puxa saco de meia tijela. Respeite meu amigo, Dorival foi o maior zagueiro que eu vi jogar e, aposto que, ao final do texto, você também irá achar isso, mesmo sem o ter visto em campo.

Antes de tudo, é importante que eu lhe informe, caso você não saiba, que em muitos campeonatos de Várzea, o jogador expulso atua no jogo seguinte, desde que pague uma “multa”, normalmente revertida em 5kg de alimento, ou coisa do tipo. Esse detalhe é importantíssimo. Ele quem fazia meu pai atuar em todos os jogos. Isso porque com ele não tinha brincadeira, estivesse o time perdendo de 1 a 0 ou ganhando de 4 a 0.

Recordo-me até de um jogo onde o Grenalco.F.C (time de família existente desde 1978) onde ganhávamos por um placar elástico quando o atacante do time rival para em frente ao meu pai e o “chama” para cima. O velho, na maior calma do mundo, aguarda a atitude do atacante (zagueiro não pode ser afobado) até que Oseias, não o famoso, mas um homônimo, dá um tapa na bola pra frente. Ignorando os gritos de calma do meu tio, que também era o técnico, o melhor 3 de todos os tempos, vai no “meio” do camisa 11, que cai aos gritos. Zagueiro não pede desculpa, então, meu pai simplesmente virou as costas e deixou o campo. Ele não mereceu a bola na trave do Pinilla, se quer o 7 a 1 em terras mineiras.

Campo de várzea e a beleza do terrão (Foto: sportacao.com.br)

Calma, confrade, sei que você ainda deve achar isso pouco, zagueiro que bate temos aos montes na história, mas a melhor deste conto é aquele que comprova a eficiência de meu Velho, vem agora. Era uma final de campeonato, a semifinal havia sido um dos maiores jogos que Sete Lagoas-MG já assistiu, apesar das poucas pessoas ao redor do campo do Eldorado, mas esse jogo será em outro texto, se contenham.

Final de campeonato, campo rodeado por torcedores e curiosos, o Grenalco longe de ser favorito, jogando contra o Santos, não de Pelé e Pepe, mas sim, de Dinho, ex seleção brasileira e Grêmio e Tocha, um camisa 9 que carrega a alcunha de matador dos veteranos. Ele fazia gol de todos os jeitos, era o Túlio Maravilha da várzea sete lagoana e o cara que mais preocupava, Sonicley, o goleiro do time, e Zezé, o zagueiro pela esquerda. Preocupava aos dois, não ao meu pai. Esse nunca temeu atacante algum.

O Super 3 (Foto: Arquivo pessoal)

Ainda na beira do campo, antes do jogo, a instrução do meu Tio foi simples: “Dori, se o Tocha for cagar, senta ao lado dele. Se ele for beber, peça um copo, mas não dê espaço”. Dito e feito. Onde ia o 9 com sua blusa vermelha listrada, lá estava o 3, filho da Dona Dair e Sr. Manoel.

Ao final do primeiro tempo, com o Grenalco vencendo por 3 a 0 e Tocha sem ser visto em campo, o atacante santista que pouco tocou na bola e nada fez, tem uma conversa com meu velho, essa que ele ainda me recorda rindo. “O Tocha me disse que iria sair, que ele já tinha visto que comigo o marcando, ele não iria fazer nada mesmo, que como o time dele já perdia por 3 a 0 e que com um zagueiro como eu, ele jamais faria 3 gols em um tempo, que ele provavelmente mal tocaria na bola”, contou.

Pois é, final de campeonato é jogo de cachorro grande, amigos. E meu Pai, Dorival de Oliveira Gomes, foi o maior zagueiro da história da Várzea e eu pude vê-lo jogar e fazer atacante matador e craque pedir arrego. Eu já sabia disso, agora vocês já sabem, ou alguém ainda tem dúvidas?

Texto: Daniel Bravo @Dbravo_01

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