O mais notável dos excêntricos: a eternização do ídolo Renato Portaluppi

O MAIOR ÍDOLO DO CLUBE FOI ÀS LÁGRIMAS COM A HOMENAGEM

Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Por: Marcella Lorandi | RS

Falar sobre idolatria ainda parece pouco. Sobre canonização então, pode configurar sandice. Mas entre os gremistas existe uma palavra capaz de representar a história de amor entre Renato Portaluppi e o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense: imortal!

Está lá para quem quiser ver. Esculpida em bronze, reeditando a emblemática comemoração do segundo gol no Mundial de 1983, sob um pedestal e com mais de quatro metros de altura. A estátua de Renato abraça quem chega à Arena do Grêmio pela rampa oeste, acalenta e deseja boas vindas como quem recebe em sua casa uma torcida habituada a se ver em comemorações (muitas as suas custas). E emociona, faz do Renato um menino com saudade dos pais, um ídolo como pouquíssimos, e o porto-seguro de um Grêmio acostumado com as glórias sob seus pés e sob seu comando.

Renato reverecia a torcida do Grêmio (Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

O destino escreveu as linhas de Renato e as cruzou com as escritas do Grêmio. Um está para o outro, como o azul está para o preto e para o branco, para completar, crescer e conquistar. E juntos estão para torcida, para proporcionar lágrima escorrendo em rosto de marmanjo e sorriso para cada criança. Felicidade boba aos mais antigos, e riso inocente a quem ainda pouco entende.

Na noite desta segunda-feira, Renato foi às lágrimas. E se durante os merecidos discursos da noite que enalteceram a sua trajetória, ele, quieto, tratou de repassar o filme da sua vida, ele viu uma história linda, de muito talento e na mesma proporção, de muita polêmica. Aquele menino que chegou ao Estádio Olímpico em 1980, veio confiante, já brincando com os mais velhos do elenco dizendo que: “vou jogar nesse time, sou melhor que esses caras aí”. E ele tinha razão, naquela época mal ele sabia que seria amado incondicionalmente por uma torcida inteira, seria ovacionado, tatuado e eternizado.

Renato se emociona ao discursar para autoridades, dirigentes e torcedores. (Foto: Richard Dücker)

Pelo Tricolor, como jogador, ele conquistou a Copa Libertadores da América e o Mundial Interclubes, ambos em 1983. Em Tóquio ele marcou dois gols na vitória de 2×1 contra o Hamburgo-ALE. E como canta a torcida gremista “com dois golaços de Portaluppi, Grêmio pra sempre Campeão Mundial”. E para firmar seus feitos, ele volta como treinador. Volta mais maduro, preparado, calejado, marrento, e por incrível que pareça, volta estudado.

O Grêmio pausou sua rotina de taças e conquistas por 15 desgostosos anos. Aí ele voltou para casa! E do lado do carinho da torcida e com o respaldo da direção, ele foi pentacampeão da Copa do Brasil em 2016, já queria uma estátua desde lá. Em 2017 levou o Grêmio ao tricampeonato da Copa Libertadores da América, e a estátua voltava à pauta, em 2018 ergueu a Recopa Sul-Americana e o Campeonato Gaúcho. E em 2019, finalmente, com alcunha de melhor futebol do país, recebeu merecidamente a sonhada estátua.

O pano preto, que de forma misteriosa encobria a estátua de Renato, escorregou aos poucos sob suas mãos com ajuda da filha, Carol Portaluppi. O hino do Grêmio tocava ao fundo e às 19h03, por pura coincidência ou não, revelou aos quase 10 mil gremistas que estiveram na esplanada da Arena, o maior símbolo de gratidão que o Grêmio poderia lhe proporcionar. Renato mais imortal do que nunca!

O ângulo da torcida, dos quase 10 mil presentes na homenagem. (Foto: Thiago Greco)

Você que não é torcedor do Grêmio pode achar exagero, pode torcer o nariz para o personagem, pode preferir Rogério Ceni, Zico ou Pelé. Gostar mais de Felipão, Muricy Ramalho ou Tite. Excelentes dentro das quatro linhas, e indiscutíveis na beira do campo. Mas entenda, Renato é além, é distinto, notável! É aquele que alcançou a glória máxima dentro de campo, com protagonismo, e voltou para vencer também como treinador. Sua figura é mágica, única por si só, e com palavras dele: “se eu já era gremista, imagina agora, meu sangue sempre foi e sempre vai ser azul”. O Grêmio é o Renato e o Renato é o Grêmio!

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