O novo Comitê para o Futebol Feminino da CBF

Um novo suspiro em meio a falta de apoio da CBF a modalidade no Brasil

A luta agora é para o futebol feminino ser observado e desenvolvido como nunca. (Reprodução: Museu do Futebol – Exposição “Visibilidade para o Futebol Feminino”).
Por: Victor Portto, CE.

No último mês de setembro, discutimos aqui no site do Cenas Lamentáveis a injustiça e o machismo por trás da decisão de demitir a primeira treinadora na história da Seleção Brasileira de futebol feminino de nosso país. Por uma série de motivos que não justificavam a saída tão precoce de Emily Lima do comando da equipe canarinha, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) demonstrou o quão arcaica é a sua forma de pensar e gerir a modalidade no Brasil.

De lá para cá,  Vadão foi reconduzido ao cargo de técnico do qual havia sido dispensado um ano antes (demonstrando total falta de planejamento) e, o mais importante, iniciou-se um movimento de protestos e medidas das jogadoras e ex-jogadoras brasileiras para demonstrar todo o descontentamento com os caminhos que a CBF indica a modalidade. Nada menos que cinco atletas com um vasto currículo de contribuições para a Seleção (Cristiane, Rosana, Fran, Andreia Rosa e Maurine) resolveram aposentar-se das chamadas internacionais para representar o país por não concordarem com a saída de Emily Lima e por várias outras discordâncias em relação à Confederação e ao Coordenador de Futebol da CBF, Marco Aurélio Cunha.

Primeira Seleção Brasileira de Futebol Feminino em 1988, a luta por melhores condições é bem antiga. (Reprodução: Site "trofeusdofutebol.blogspot")
Primeira Seleção Brasileira de Futebol Feminino em 1988, a luta por melhores condições é bem antiga. (Reprodução: Site “trofeusdofutebol.blogspot”)

Eis que chegou o mês de outubro e algumas ex-jogadoras (Juliana Cabral, Sissi, Marcia Tafarel, Cristiane e Formiga) juntamente com a professora e pesquisadora, da realidade do Futebol Feminino, Silvana Goellner formaram um comitê para ir a Confederação Brasileira de Futebol levar uma série de propostas visando mudar o panorama da modalidade no Brasil e falar a quem nunca quis escutar de verdade (o alto escalão da CBF) as agruras e as dificuldades de ousar sonhar em viver da bola sendo mulher no Brasil. Foram debatidos a extinção da Copa do Brasil da categoria, algo que enfraquece o calendário dos clubes, o pouco incentivo financeiro no cenário das mulheres, os direitos de imagem das atletas da seleção que nunca foram definidos de forma unitária e correta, uma série de críticas ao manejo da coordenação do futebol feminino pelo dirigente Marco Aurélio Cunha e, por fim, a necessidade da abertura da Confederação a entrada das mulheres em sua estrutura para o desenvolvimento proposto por elas para elas.

Ao final do encontro, a primeira ponta de esperança para o futebol feminino surgiu. Ficou decidido que este Comitê será criado e formado, inicialmente, pelas mulheres que iniciaram o debate com a Confederação, mas há a vontade de expandir esse debate para todas as regiões do país trazendo pessoas desses locais e as ouvindo, as colocando para participar da fomentação de propostas e melhorias para o jogo. É um pequeno passo, mas extremamente importante por ser uma iniciativa que nunca ocorreu dentro da CBF desta maneira e que precisa ser acompanhada de perto por quem briga pelo fortalecimento da modalidade no país. Houve há poucos anos, muito mais para atender a recomendação da FIFA de mais mulheres em todos os espaços do futebol do que por vontade própria, a criação de um espaço similar a este para desenvolver o futebol feminino, mas tudo que foi discutido não passou de promessas que não saíram do papel.

Para que essas e outras tantas meninas possam viver da bola. (Reprodução: Portal "acritica.com")
Para que essas e outras tantas meninas possam viver da bola. (Reprodução: Portal “acritica.com

O comitê recém-formado está atento a esta situação de promessas vazias da CBF e sabe bem com quais dirigentes está lidando. Resta às meninas fazerem uma boa e grande articulação com os interessados em mudar a realidade do futebol feminino do país e apertar a entidade para as mudanças ocorrerem de fato com o apoio também da imprensa neste momento. É de suma importância que as reformas venham propostas por quem já esteve inserido na realidade do esporte, sentindo na pele todas as dificuldades e que sabem por onde deve ser melhorado o nosso futebol feminino. Para que deixemos finalmente as meninas jogarem, que o machismo e o preconceito por quem chuta a bola caia por terra e, enfim, sejamos o país do futebol também para as meninas.

Fonte: Dibradoras.com.

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