O panorama das Eliminatórias na CONCACAF e na Conmebol

As 3 vagas diretas da CONCACAF e a 3 vagas restantes na Conmebol estão em aberto e tem muita gente atrás delas nessas eliminatórias

O Brasil caçou todo mundo e passou para a Rússia (foto: ESPN)
Diego Giandomenico, PR

As Américas já estão muito próximas de conhecerem seus representantes na Copa do Mundo. Aliás, como já foi dito no primeiro texto, o Brasilzão já está com algumas rodadas de antecedência. As 3 vagas diretas da CONCACAF e a 3 vagas restantes na Conmebol estão em aberto e tem muita gente atrás delas. A princípio não teremos grande surpresas. Não será dessa vez que a Venezuela dará o ar da graça em um Mundial, muito menos Kluivert conseguiu levar Curaçao à elite. Vamos verificar como está a situação em cada um destes rincões.

CONCACAF

Das 35 seleções que começaram a peleja, apenas 6 continuam firme e forte na disputa. Dos eliminados, nenhuma grande surpresa. Apenas a Jamaica despontou como decepção, pois tinha ótimos resultados recentes, como o  bi vice-campeonato consecutivo da Copa Ouro. Canadá continua a ser uma eterna evolução que nunca se aproxima do hexagonal final, Guatemala deu um ótimo salto e por pouco não tomou a vaga de Trinidad e Tobago. Outra novidade foi a inédita classificação de São Vicente e Granadinas para uma fase de grupos. Os seis que restaram são os seguintes times: México, EUA, Costa Rica, Panamá, Honduras e Trinidad e Tobago. Comecemos a falar dos mexicanos.

Kluivert ajudou Curaçao a subir de patamar (foto: Plano Tático)
Kluivert ajudou Curaçao a subir de patamar (foto: Plano Tático)

Os comandados de Juan Carlos Osório  estão passando por um ótimo momento. Mesmo tendo sido eliminados de maneira dura para a Alemanha na Copa das Confederações, teve bons momentos no torneio. Nas eliminatórias, no entanto, a coisa vai de vento em popa. Estão invictos e no hexagonal final ganharam fora de casa dos seus maiores rivais, EUA. Apesar de não estar com a vaga 100% garantida, só uma hecatombe tira o México da Rússia. Os destaques da equipe são Chicharito Hernández, Giovani dos Santos, Rafa Marquez (sim, ele), Miguel Layún, Diego Reyes, Guillermo Ochoa. Outras boas peças são os nacionais Jurgen Damm e Javier Aquino, que se apresentaram muito bem na Rússia.

Chicharito é a grande referência mexicana (foto: Sporting News)
Chicharito é a grande referência mexicana (foto: Sporting News)

Em segundo lugar vem uma Seleção que tem se tornado uma das forças da região, a Costa Rica. Se o México está invicto, a Costa Rica tem apenas uma derrota em seu cartel. A equipe de Oscar Ramírez tem como base o elenco que fez história aqui no Brasil em 2014, ao chegar nas quartas de final da competição, caindo pra Holanda nos pênaltis. Navas (Real Madrid), Ruiz (Porto), Campbell (Arsenal), fazem parte do esquadrão europeu que alçou a Costa Rica à potência do continente. Dificilmente estará de fora da Rússia.

O grande craque de Costa Rica vem do gol (foto: Marca)
O grande craque de Costa Rica vem do gol (foto: Marca)

Os EUA. Ah, os EUA. Começaram pessimamente o hexagonal final, dando mostras que a geração vencedora dos anos 2000 tinha chegado ao seu fim. Donovan não existe mais, Howard parece não estar mais nos seus melhores dias, Dempsey está cansado, Bradley chegando ao fim de carreira, Altidore não marcando mais gols. Mas eis que no fim do túnel surge uma luz e ela se chama pelo nome de Christian Pulisic. De ascendência croata, o jovem Pulisic, com apenas 17 anos já vestia a camisa dos EUA. E não à toa. O  jogador já tem seu espaço na equipe do Borussia Dortmund, ora de lateral, ora de ponta. A entrada de Pulisic deu um salto de qualidade ao American Team e se começou o hexagonal com duas derrotas, enfrentando a lanterna, hoje já está em terceiro lugar, o que lhes daria a vaga. Claro que com 8 pontos e mais 4 jogos pela frente, nada está garantido, porém não parece ser dessa vez que veremos o Tio Sam fora da Copa. Ainda mais que já são 4 jogos sem derrotas. Além de Pulisic, o zagueiro John Brooks (Wolfsburg), o meia Fábian Johnsson (Borussia Mönchengladbach) e os atacantes Bobby Wood (Hamburgo) e Aron Johánsson (Werder Bremen) formam a trupe germânica que tenta levar os EUA à oitava Copa consecutiva.

Pulisic: 18 anos e já carrega uma seleção nas costas (foto: Deadspin)
Pulisic: 18 anos e já carrega uma Seleção nas costas (foto: Deadspin)

O Panamá tenta há anos chegar na fase final da Copa do Mundo. Depois de muito bater na trave, sem sequer ir à repescagem mundial, desta vez parece que vai. Em quarto lugar com 7 pontos, o time precisa apenas das próprias forças. O que sabemos que não quer dizer muita coisa, já que nas eliminatórias passadas Los Canaleros perderam a vaga na última rodada para o México, que na sequência despachou a Nova Zelândia e deu olá ao Brasil. A disputa contra Honduras e Trinidad e Tobago parece ser mais simples. A grande referência da equipe é Gabriel Gomez, de 33 anos. O jogador do Atlético Bucamaraga da Colômbia já possui 135 jogos pela Seleção, sendo o que mais usou essa camisa em todos os tempos. Outro veteranos é Baloy, conhecido das torcidas do Grêmio e do Atlético Paranaense. Aos 36 anos já vestiu a camisa panamenha por 96 vezes. Outros destaques são os “americanos” Román Torres (Seattle Sounders), Fidel Escobar (New York Red Bulls) e Aníbal Godoy (San Jose Earthquakes). Já Gabriel Torres, do Lausanne-Sport, é um dos poucos com experiência europeia.

Honduras tenta repetir o sucesso de 2014 e, pela primeira vez em sua história, ir a três Copas do Mundo de maneira consecutiva. A parada para Los Catrachos desta vez está mais difícil. Com 5 pontos e em quarto lugar, Honduras precisará, ao mínimo, vencer alguma de suas partidas e contar com o azar panamenho. O problema é que a equipe tem pela frente México, EUA e Costa Rica, além de Trinidad e Tobago fora. É a tabela mais complicada. Izaguirre, Acosta, Quioto e Elis, além do experientíssimo Maynor Figueroa são o alicerce para continuar sonhando.

Trinidad e Tobago está em último lugar, com apenas três pontos. Pode parecer ruim e que já estão descartados, porém seus dois próximo jogos é que definirão seu futuro de verdade. Enfrentam seus rivais diretos no começo de setembro, Honduras e Panamá. Se tiver sorte e vencer os dois jogos, poder praticamente assegurar a sua vaga na repescagem. Se antes o trinitinos tinham a estrela Dwight Yorke em seu selecionado, agora pouco sobrou além de muitos jogadores que sequer saíram de sua terra natal. Kenwyne Jones, que teve larga passagem pelo futebol inglês, é a principal referência desta equipe. Outro jogador importante é Kevin Molino, que atua pelo Minnesota United.

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Com as eliminatórias da CONCACAF quase decididas, veremos o que está rolando na minha, na sua, na nossa América do Sul.

Conmebol

Somos os únicos a ter campeões mundiais fora da Europa, muitas de nossas seleções estão no top 10 da FIFA. Os craques que recheiam os maiores campeonatos do mundo são daqui. Me desculpe, resto do mundo, mas 4 vagas diretas e uma na repescagem ainda é pouco para o que podemos fazer. Ao todo, 10 seleções brigam por essas vagas. Isso na teoria. Pois na prática, acabamos descartando Venezuela, Bolívia e Peru. O Paraguai, apesar de mal das pernas, ainda tem um bom histórico recente e sabemos que é melhor não ignorá-los. Pois bem, vamos analisar aqui de maneira diferente e deixar o melhor para final. Comecemos com a lanterninha Venezuela.

Se tem algo em sua defesa, é que a instabilidade econômica e política que vem vivendo ultimamente tem prejudicado os venezuelanos em todos os aspectos. Não dá pra negar que houve evolução no futebol de lá e também não dá pra ignorar que os resultados atuais parecem não ser condizentes com a qualidade do time. Só alguns nomes: Guerra, Otero, Seijas, Arango, Rondón, Rincón, Peñaranda. La Vinotinto tem ótimo jogadores, alguns melhor fase que Seleções da sua altura, como Bolívia e Peru. Mas os resultados não vieram e não será desta vez que teremos a Venezuela numa Copa. Porém, há esperança. A seleção venezuelana conseguiu um excepcional resultado na Copa do Mundo sub-20 e pode ser que a nova geração dê um bom trabalho por aqui.

Em meio a crise, sub-20 da Venezuela fez história (foto: Trivela)
Em meio a crise, sub-20 da Venezuela fez história (foto: Trivela)

Outra Seleção precocemente eliminada foi a Bolívia. Mesmo as recentes vitórias contra a Argentina e Paraguai foram inúteis para mudar o resultado pra La Verde. Marcelo Moreno, muito famoso por aqui, Juan Carlos Arce, também conhecido no Brasil, Alejandro Chumacero, atual artilheiro da Libertadores e dor de cabeça para muitas equipes brasileiras, e Smedberg-Dalence, sueco que decidiu representar a terra de seu pai, são os pilares desta equipe. 

O Paraguai parece ter parado no tempo. Apesar de ter chance de classificação, uma Seleção que já chegou às quartas de final em 2010, não pode ficar em oitavo lugar nas eliminatórias sul-americanas, mesmo que tenha um alto nível. Com 18 pontos, estão 4 atrás da Argentina, que atualmente ocupa a quinta colocação, indo para a repescagem. A missão do Paraguai não é nada fácil. Pega Chile fora, Uruguai em casa, Colômbia fora. Só terá um pouco de paz quando pegar a Venezuela na última rodada, mas aí pode ser tarde demais. A equipe conta com os irmãos Romero (Óscar e Angel), Diego Lezcano, Juan Iturbe, e os experientes Lucas Barríos, Haedo Valdez, Victor Cáceres. A Albirroja tenta voltar aos bons tempos. Outros “brasileiros” em grande fase que compõe a equipe são Balbuena e Gatito Fernández.

Qual é a diferença entre os irmãos Romero mesmo? (foto: Conmebol)
Qual é a diferença entre os irmãos Romero mesmo? (foto: Conmebol)

Os tempos de glória do Peru são mais distantes do que os dos paraguaios. Se encontram na década de 70, para sermos mais exatos. Em 1982 foi a última participação em uma Copa do Mundo. Desde lá, muita coisa mudou e o Peru deixou de ser uma das forças do continente. Porém o trio de “brasileiros” Guerrero, Trauco e Cueva pretendem deixar de lado o histórico recente e classificar a Blanquirroja para um Mundial novamente. As próximas quatro partidas o Peru começará com a Bolívia em casa, o rival direto Equador fora, outro rival direto Argentina fora e por último, Colômbia em casa. Terá que remar muito se quiser se classificar.

Paolo Guerrero, nome e sobrenome da esperança peruana (foto: Globoesporte.com)
Paolo Guerrero, nome e sobrenome da esperança peruana (foto: Globoesporte.com)

O Equador está acostumado a sempre brigar por uma vaga na Copa do Mundo. Nunca teve vida tranquila. Mas desta vez o sexto lugar com 20 pontos parece ser mais desafiador aos Amarillos. Contando com craques como Antonia Valencia, Felipe Caicedo, Christian Noboa e Jeferson Monteiro, o time tentará chegar à sua quarta Copa do Mundo. Além de craques, há “brasileiros” para ajudar na tarefa, como Erazo, Arboleda, Orejuela, Miller Bolaños e, claro, Juan Cazares. As próximas partidas são: Brasil (fora), Peru (casa), Chile (fora) e Argentina (casa). Nada fácil a situação dos equatorianos.

Poucas vezes a Argentina esteve tão ameaçada quanto está agora.Talvez se puxarmos na memória vamos nos lembrar de 1994, quando precisaram das eliminatórias para viajarem até aos EUA. A crise da AFA é o principal catalisador dos problemas da Albiceleste, mas outros fatores também cooperaram. O fato é que a Argentina precisará e muito de seus craques. Messi, Di Maria, Pastore, Dybala, Higuain, Mascherano e afins para se garantir na Rússia. O caminho dos hermanos começa com um clássico de grande rivalidade, Uruguai em Montevidéu. Na sequência, uma vida mais mansa, Venezuela e Paraguai em casa. Por último, Equador fora. Será que veremos a Argentina fora da Copa do Mundo? A última vez que isso aconteceu foi em 1970 e de lá nós só temos boas lembranças.

Messi e Argentina, entre tapas e beijos (foto: EITAN ABRAMOVICH)
Messi e Argentina, entre tapas e beijos (foto: EITAN ABRAMOVICH)

O Chile já esteve melhor, é verdade. Bi-campeão da Copa América, com craques de nível mundial e que vinha numa eliminatória tranquila. Mas derrotas para Equador e Argentina e uma Copa das Confederações longe de ser brilhante e que culminou com uma derrota na final para a Alemanha. Deixou o sinal de alerta ligado em Santiago. La Roja tem 23 pontos, mesma pontuação do Uruguai, um menos que a vice-líder Colômbia. Só que por outro lado, tem apenas um ponto a mais que a Argentina e três a mais que o Equador. Nada simples. A equipe precisará de Vidal, Sanchéz, Aránguiz e Bravo nos seus melhores dias. Daqui pra frente enfrentará: Paraguai (casa), Bolívia (fora), Equador (casa) e Brasil (fora). Se tudo der certo, poderá enfrentar o Brasil já classificado. Isso facilitaria e muito as coisas. Tem boas chances de passar.

Chile teve vida dura na Copa das Confederações (foto: Torcedores.com)
Chile teve vida dura na Copa das Confederações (foto: Torcedores.com)

O Uruguai é garra, tradição e muito disposição. Imaginar um Uruguai fora quando estão lá embaixo já é difícil. Agora, pensar que irão largar osso depois de passar praticamente toda a eliminatória na zona de classificação, é duvidar do espírito lutador dos charruas. E isso não se faz. Se Suárez, Cavani e Godín não te convencem do contrário, deixarei que a tabela faça isso. Tirando o grande confronto de Montevidéu contra a Argentina, o Uruguai terá pela frente Paraguai e Venezuela fora e fechará em casa contra a Bolívia. Não me parece ser tão difícil assim. Porém, o duelo contra os hermanos pode ser decisivo em quem classifica direto e quem vai para a repescagem.   

Time cascudo que dificilmente perderá a vaga (foto: Conmebol)
Time cascudo que dificilmente perderá a vaga (foto: Conmebol)

A Colômbia está na vice-liderança, mas nem por isso está mais garantida que Uruguai, Chile ou até mesmo Argentina. Está tudo bem parelho e o aproveitamento com seleções fora do páreo pode decidir tudo. O time vem bem. É o que menos perdeu nos últimos 5 jogos, somente atrás do Brasil, é claro, com uma derrota. James Rodríguez, Falcão Garcia, Carlos Bacca, Juan Cuadrado, Zapata, Yerry Mina  são os craques que podem levar a Seleção à sua sexta participação em mundiais. Nas próximas 4 partidas, Los Cafeteros enfrentarão Venezuela (fora), Brasil (casa), Paraguai (casa) e por último Peru (fora). Não parece ser difícil de se classificar, mas todo cuidado é pouco aqui na América do Sul.

James pretende voltar ao bom futebol e ajudar a Colômbia (foto: Futebolete)
James pretende voltar ao bom futebol e ajudar a Colômbia (foto: Futebolete)

Por último, mas não menos importante, temos a nossa Seleção. O Brasil saiu de uma possível eliminação inédita à classificação antecipada em pouquíssimas rodadas. Tudo isso se deve ao fator Tite. Depois de sofrermos com alguns técnicos mais ou menos, parece que o Brasil ganhou corpo e voltou a ser temido no cenário mundial. Foram 8 vitórias consecutivas que lançaram o Brasil de sétimo a primeiro lugar com nove pontos de vantagem para o segundo lugar. Um passeio. Com Neymar em alta, Coutinho, Jesus, Casemiro, Marcelo e companhia, o Brasil é um dos candidatos ao título na Rússia. O hexa pode sim estar chegando. Resta agora assistirmos de camarote a briga pelas vagas restantes.

Fiquem com o Canarinho full pistola pra lembrar que o hexa é nosso (foto: CBF)
Fiquem com o Canarinho full pistola pra lembrar que o hexa é nosso (foto: CBF)

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