O pré-jogo nos estádios do Rio de Janeiro

O esquenta dos cariocas

Bernardo Argento, RJ

Ir ao estádio de futebol não é chegar ao local da partida, entrar e assistir ao jogo. Há todo um ritual para aproveitar a experiência ao máximo. Muitas vezes o período antes do duelo é mais divertido do que o embate nas quatro linhas. É a hora de discutir a tática, cornetar o jogador, arriscar o placar, e relaxar ao lado de amigos. Os cariocas sabem como desfrutar deste momento. Seja no Maracanã, Engenhão ou São Januário.

No antigo maior estádio do mundo há dois pontos de encontro dependendo da torcida. Vascaínos e tricolores se concentram no lado sul,  na rua Professor Eurico Rabelo, em frente às entradas C e B (logicamente isso só não ocorre quando eles se enfrentam). A maioria cai dentro da promoção dos ambulantes (latão de cerveja a R$5) e solta o gógó entoando músicas de apoio. Em confrontos com grande público, a rua precisa ser fechada devido ao fluxo de pessoas. Já os flamenguistas costumam bater ponto no “Bar dos Chico’s”, na rua General Canabarro. Fica a uma quadra do Maracanã, mas o panorama é o mesmo. Muita gente fazendo festa, conversando, degustando aquela gelada e soltando fogos. O mesmo acontece na recém-inaugurada Ilha do Urubu.

No caso do Maraca, também há quem prefira um pouco mais de conforto. Famílias aproveitam para almoçar em restaurantes da 28 de Setembro, em Vila Isabel, ou em centros gastronômicos da Tijuca, como a região o Buxixo. Depois, vão caminhando até a cancha.

Em São Januário o entorno é mais apertado. Por isso o esquenta é mais intimista. Na porta do estádio há barracas vendendo o famoso litrão por R$10. Os ambulantes também marcam presença, assim como o famoso churrasquinho — o aroma toma conta da Rua General Almério de Moura. Faixas e produtos falsificados do Vasco são vendidos em longos varais. Os bares ficam cheios e a trilha sonora fica por conta dos funks. A maioria em apoio ao Trem-Bala da Colina. Para quem prefere algo mais refinado o restaurante do Almirante serve um bacalhau dos deuses e acomoda toda família.

Já no Engenhão há uma peculiaridade. Por ficar no Engenho de Dentro — bairro estritamente residencial — muitos moradores aproveitam para vender cerveja e aperitivos aos botafoguenses. Os alvinegros fazem a festa e alguns até levam carne para fazer o próprio churrasco nos bares dos arredores. Chegar ao estádio Nilton Santos de trem é uma atração à parte. A torcida faz do transporte uma verdadeira arquibancada.

O fato é que independente do local o carioca sabe como explorar as horas e tirar a tensão antes do time entrar em campo. Principalmente porque o preço praticado fora dos estádios é muito mais atrativo do que dentro deles.

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