O preconceito na Europa e a indignação pela impunidade

Autoridades parecem fechar os olhos para o problema

(Foto: JUSTIN TALLIS/AFP/Getty Images)

O debate sobre o racismo no futebol vem à tona todo ano, não pelo fato de ser necessária a discussão sobre o assunto, mas sim, por ser, infelizmente, comuns os episódios racistas em um esporte tão democrático. No Brasil, a questão da discriminação é histórica, sendo tardia a inclusão feita por parte de alguns clubes.

Mais presente na Europa, o continente reserva inúmeros casos de discriminação dentro de campo, seja por parte de jogadores, seja por parte da torcida. Basta uma rápida pesquisa para se constatar o grande quantidade de casos de racismo por lá que, aliados com a xenofobia, dão um duro golpe na imagem do futebol.

Os casos são recorrentes e na maioria das vezes há punição, mas sempre inócua. Esses acontecimentos parecem um espiral de mesmice, mudando somente os personagens. Dirigentes dos clubes e a alta cúpula das federações internacionais (dominados por uma elite branca) convocam uma coletiva para repudiar e deixar claro que não irão medir esforços para encontrar o agressor, mas o resultado é sempre o mesmo: Multa inexpressiva para o clube. Abaixo, citarei dois casos no mundo da bola:

1-Boateng

Em um jogo amistoso entre Milan e Pro Patria, o jogador foi alvo de insultos racistas por parte da torcida adversária; muito irritado, chutou a bola em direção à arquibancada e saiu de campo. O restante do time do Milan o acompanhou e o jogo foi cancelado. A punição foi somente 1 jogo com os portões fechados para o Pro Patria.

Kevin Prince Boateng (Foto: Reprodução/Telegraph)

2-Yaya Touré

Contra o CSKA, o jogador sofreu com parte da torcida fazendo som de macacos. Chegou a reclamar com o juiz, mas nada foi feito. Após o jogo, cobrou uma posição dura da UEFA, mas a punição mais uma vez foi inexpressiva: o estádio foi fechado parcialmente por 1 partida.

Yaya Touré reclama ao árbitro ofensas racistas por parte da torcida do CSKA (Foto: Reprodução/Mirror)

Em ambas as situações, a relação ”gravidade x punição” foi absurdamente desproporcional, dando a entender que as autoridades fecham os olhos para o problema. É preciso punições rigorosas e campanhas de conscientização, somente a promessa de uma elite branca que comanda o esporte não adianta. Futebol é para promover a inclusão.

Felipe Cavalcante @felipecss

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