O primeiro argumento foi derrubado, Conmebol. Qual a próxima bravata?

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Na tarde de ontem, foram anunciadas algumas alterações no formato do maior torneio de clubes do mundo, a Copa Libertadores da América, aquela que mais reúne elementos originais do futebol, que, dentre as grandes competições do futebol mundial, é a única que concentra componentes raiz do esporte bretão.

É compreensível a busca por valorização do produto que é a Taça Libertadores. Os anseios de que o mundo assista a nossa Copa como assistimos a Liga dos Campeões são louváveis, afinal, qualidade de futebol temos em sobra, nada mais justo que nossos clubes arrecadem mais com isso. No entanto, em busca dessa valorização, costumamos pegar formatos e modelos europeus como solução/aplicação imediata e, como de costume, copiamos errado, trazendo para o nosso futebol aquilo que não lhe é característico, gerando perda de identidade. E não, isso não atrai público, fica artificial pra nós e desinteressante pra quem está vendo.

Boca venceu o Grêmio no Olímpico e conquistou a taça de 2007. (Foto: Reprodução/Internet)
Boca venceu o Grêmio no Olímpico e conquistou a taça de 2007. (Foto: Reprodução/Internet)

Mas, com o vira-latismo que caracterizam os cartolas sul-americanos, os gênios da Conmebol se reuniram e tiveram a maravilhosa ideia de nos tirar as sensacionais finais da Libertadores em jogos de ida e volta. O Presidente da Conmebol defendeu a medida por questões de JUSTIÇA. Segundo ele, das últimas 10 finais, tivemos 7 campeões em casa. Entretanto, é necessário que ele amplie esse universo comparativo para que tenhamos uma comparação, olhe só, JUSTA, por isso buscamos alguns dados informativos.

É fato que tivemos uma sequencia de campeões em casa nos últimos anos, foram 7 consecutivos. No entanto, antes dessa série caseira, até então INÉDITA, tivemos 6 campeões em domínios adversários num intervalo de 10 anos (2000-2009). Logo, antes desse período (2010-2016), o cenário era de EQUILÍBRIO, quando tínhamos:

– 16 campeões FORA
– 20 campeões em CASA

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Flu consegue a virada no Maracanã mas deixa o título escapar nos pênaltis em 2008 (Foto: Reprodução/Internet)

Considerando, EM TESE, que quem decide em casa tem melhor campanha e, geralmente, melhor time, a diferença de 4 jogos nessa comparação se torna ainda menos significativa. Outro dado importante é o de que dentre os 20 campeões em CASA, quatro já haviam vencido o jogo de ida FORA de casa, o que atenua o fator casa na decisão e, mais uma vez, reduz em importância o argumento de que a decisão em casa é algo expressivo a ponto de causar considerável desequilíbrio às finais da competição.

Portanto, se o argumento do excelentíssimo senhor Alejandro Domínguez, Presidente da entidade, for JUSTIÇA, a CL acaba de derrubá-lo com facilidade e pouco tempo de pesquisa, sem aprofundar demais, Futpedia e alguns outros sites já resolvem. Há um claro e manifesto equilíbrio na Copa Libertadores, negar isso é desinformação ou má vontade.

Cruzeiro fez excelente partida em La Plata e levou a decisão para o Mineirão, onde abriu o placar mas permitiu a virada pincharrata
Cruzeiro fez uma partidaça em La Plata e levou a decisão para o Mineirão, onde abriu o placar mas permitiu a virada pincharrata, em 2009 (Foto: Reprodução/Internet)

Se, e somente se, essa sequencia de campeões em casa perdurar, é que esse argumento poderá ser usado. Mas ainda longe de justificar uma decisão dessas já que números serão apenas acessórios e não absolutos, numa decisão que ainda deve levar em conta fatores passionais, culturais e originários do futebol sul-americano.

2 Comentários em O primeiro argumento foi derrubado, Conmebol. Qual a próxima bravata?

  1. Complementando, na Europa faz sentido porque é relativamente fácil ir para outro país ver o jogo. Mas imagina uma eventual final deste ano sei lá no Monumental de Nuñez em Buenos Aires, quantos torcedores será que teriam condições de sair de Medellín e Quito para ver o jogo.

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