O renascimento do Barcelona pelos pés de Ronaldinho Gaúcho

Quando os "culés" voltaram a sorrir

A glória européia desse grande time do Barcelona (Foto: Reprodução/imortaisdofutebol.com)
Por: Victor Portto, CE

Relembrar a trajetória de um grande time é sempre um pouco arriscado. Seja pelo saudosismo que temos pelas lembranças dos grandes jogos, o fascínio de ter acompanhado aquela trajetória ou a idolatria nutrida pelos ídolos, podemos exagerar nas palavras e nos sentimentos. Pode parecer que tentamos passar ao leitor o quanto aquele momento foi muito maior nos textos do que na realidade. De fato, em alguns casos talvez aconteça, mas já alerto que nestas linhas isto não ocorrerá. Falaremos hoje do Barcelona de 2003 a 2006, o período em que os “culés” voltaram a sorrir.

Até a  chegada da década de 90 os catalães não possuíam grandes glórias continentais. Em 1992, com o time dos sonhos comandado pelo gênio Yohan Cruyff, a equipe quebrou este jejum ao vencer a Sampdoria-ITA, na final da Liga dos Campeões. Depois, engatou quatro títulos espanhóis, nas temporadas 1992/1993, 1993/1994, 1997/1998 e 1998/1999. Esta seria a última boa fase Barça. Depois da era de ouro, a agremiação passou por períodos marcados por más contratações, poucos bons momentos e o renascimento europeu do maior rival: o Real Madrid. Os merengues conquistaram a Champions League duas vezes durante este período, em 1999/2000 e 2001/2002.

Tudo parecia muito ruim, a equipe perdia jogadores importantes e não fazia reposições à altura (como a saída de Figo e Rivaldo), as contratações não rendiam o esperado (casos de Quaresma e Vítor Baía) e em meio a essa sucessão de erros o clube chegou a não ir para a Champions League em 2003. Foi o estopim para uma virada de ideias, a busca por novas decisões e uma estratégia de mercado mais ousada e baseada no que Yohan Cruyff fez anos antes: jogar bonito. Para tudo mudar, foi necessário antes passar um pouco pelo “purgatório” (disputar somente competições nacionais com um time ainda fraco em algumas posições).

Laporta assumiu a presidência do Barça em meio ao caos de um time grande sem vencer e apostou todas as suas fichas em uma dupla para tentar recuperar a imagem de equipe temida mundialmente alcançada na década de 90: Ronaldinho Gaúcho e Frank Rijkaard. O brasileiro tinha uma proposta financeira muito melhor do Manchester United-ING, mas preferiu a Catalunha por um acordo apalavrado com o vice-presidente dos culés (se ele ganhasse as eleições) e ajudou a resgatar a força do Barça. Já o técnico holandês iniciava sua carreira fora das quatro linhas e queria alcançar o mesmo sucesso que teve como jogador. Una toda essa vontade de se provar como grandes dos dois personagens e o resto é história.

Dá a 10 pro pai que ele resolve (Fotos: Reprodução/getty images)
Dá a 10 pro pai que ele resolve (Fotos: Reprodução/getty images)

Na primeira temporada (2003/2004), viriam por empréstimo Edgard Davids e Gio van Bronckhorst, além da contratação em definitivo do zagueiro mexicano Rafa Marquez e de Ronaldinho Gaúcho (como a estrela maior do time). Em campo o time sofreu no início, quase teve o treinador demitido, mas conseguiu atingir um bom padrão de jogo e com atuações brilhantes, principalmente do brasileiro, conseguiu ao menos voltar as competições europeias. Em 2004/2005,  querendo ainda mais resultados, o time foi ao mercado novamente para trazer as engrenagens que faltavam para o time começar a virar um esquadrão. Vieram os laterais Belleti e Sylvinho, o volante/zagueiro Edmílson, o meia Deco, o ponta Ludovic Giuly e os atacantes Samuel Eto’o e Henrik Larsson… a festa iria começar. Digno de registro: foi a primeira temporada de Lionel Messi no elenco titular, ainda alternando partidas pelo Barça B e o time principal.

Nas oito primeiras partidas do Campeonato Espanhol seriam 7 vitórias e o arranque para a quebra do tabu de títulos, deixando o Real Madrid em segundo lugar. Na Champions League, o time seria eliminado pelo Chelsea em Stanford Bridge nas oitavas de final, mesmo com uma das grandes pinturas de Ronaldinho Gaúcho na sua carreira. Foi o ano do camisa 10, ao abocanhar o prêmio de melhor do mundo, fazendo dos jogos do Barcelona os mais assistidos do planeta no período por conta de suas grandes atuações.

Na temporada 2005/2006 a Europa não escaparia do fantástico time do Barça. Chegariam para completar o esquadrão o holandês Van Bommel e a ascensão definitiva de um tal Lionel Messi para a equipe profissional. O time iniciaria o Campeonato Espanhol um pouco de ressaca e sem conseguir convencer, mas da 8ª a 21ª rodada a equipe só ganhou e partiu para o bicampeonato. Com direito a um show de Ronaldinho e um baile coletivo no Real Madrid em pleno Santiago Bernabeu, veio a consagração até pela torcida do maior rival que aplaudiu o R10, após o 3º gol do Barcelona. Nas oitavas de final da Champions daquele ano viria a vingança sobre o Chelsea e a consequente classificação em cima dos ingleses para as quartas de final, com direito a mais um show do craque brasileiro.

A final européia seria contra o time do Arsenal (não tão forte quanto os “Invincibles” de outrora, mas ainda assim muito bom) e consagraria o personagem mais inusitado da equipe blaugrana. Belleti sairia do banco e viraria o herói dos Catalães, faria o gol do título e desabaria no choro. Terminaria assim a epopeia daquele elenco.

Segue abaixo alguns vídeos de Ronaldinho falando de quando jogou no Barcelona, alguns gols desse grande esquadrão blaugrana e um vídeo ressaltando a importância do R10 para a história do Barça:

 

Fontes: Imortais do Futebol; O Globo; Futebol Europeu; Espnfc; simplificandofutebol.

1 Comentário em O renascimento do Barcelona pelos pés de Ronaldinho Gaúcho

  1. A epopéia desse elenco terminou nos pés de Gabiru, no dia 17/12 de 2006. Era o time mais caro da história e tinha no elenco 17 jogadores que eram titulares em suas seleções.

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