O último suspiro da Libertadores da América

No tenga vergüenza, Libertadores, la culpa no es suya

Grêmio x Peñarol pela Libertadores de 83.(Foto: Site do Grêmio)
Por: Daniel Bravo, MG e Wagner Ponce, SP

Amigo torcedor, amigo leitor. Já estou chegando, ou já cheguei, em uma etapa da vida em que tudo de bom era na minha época de infância: minha e de quem já tem alguma vivência. Acho triste e mesmo inadmissível, alguém que tenha acompanhado campeonato brasileiro mata-mata, Supercopa da Libertadores e Mundial Interclubes com dois jogos, um em cada país, não ser saudosista. Somos um livro de história futebolística ambulante. Não fossemos essa geração, tudo sairia do controle, mais do que já aparenta estar. O futebol, obviamente, jamais voltará a ser o que um dia foi, mas ainda dava mostras de sua raiz, sobrevivendo na tão apaixonante Copa Libertadores da América. Eu jamais gostaria de falar da “morte” desse torneio, mas julgo necessário.

sinalizadores-morumbi-foto-folha-de-sp
Morumbi lotado e com sinalizadores (Foto: Reprodução/ Folha de S. Paulo)

A Libertadores em seu princípio era uma competição formada apenas pelos campeões nacionais de cada país sul americano, tinha apenas sete equipes: San Lorenzo, Jorge Wilstermann, Bahia, Universidad de Chile, Milionarios, Olimpia e Penãrol, sendo que mexicanos não disputavam o torneio. O Penãrol foi o primeiro campeão e de lá pra cá, muita coisa aconteceu. Como em um tempo onde as finais não eram decididas por saldo de gol, mas por vitória, caso cada time vencesse uma partida, o terceiro jogo era disputado em campo neutro (somente assim campo neutro era necessário e fazia sentido).

Havia outra época em que o número de equipes passou a ser maior. Vinte clubes brigando pelo maior título continental. Depois, em 2000, passaram para 32 equipes, em 2003 passaram a ser 36 times em 2005 aumentaram para 37 clubes até chegarmos a marca de 38 equipes. Lembrando que somente em 1998 os clubes mexicanos passaram a integrar esse seleto grupo de times.

Na América do Sul nenhum torneio de futebol é comum, sempre é um campo de batalha para gigantes, de fazer gente grande temer, colocar as mãos sobre o estômago, olhar para a torcida adversária como quem pede piedade e pensar em partir rumo ao vestiário, por vezes sujos, sem luz e com água gelada.

chilavert-libertadores-foto-reproducao-site-velez
O Eterno Chilavert com a tão sonhada Copa (Foto: Site do Velez)

Pode-se imaginar um jogo na Bombonera ou no Defensores del Chaco. Vi jogador, que até saiu com a vitória, que confessou ter medo de jogar e vencer o Cerro Porteño no General Pablo Rojas. Comigo, que sempre fui telespectador, a situação sempre foi melhor, eu assistia aos jogos no estádio sempre escoltado pela policia ou separado por grades de ferro, situação de que diminuía a insegurança e era necessária.

Essa competição criou verdadeiros monstros: Independiente, Boca Juniors e River Plate na Argentina, com São Paulo, Internacional, Grêmio e Cruzeiro representando o Brasil com louvores, Colo-Colo no Chile, Atlético Nacional na Colômbia, no Paraguai o respeitado Olimpia e no Uruguai os tradicionais Nacional e Peñarol. Dentre tantos outros grandes que fizeram e, fazem, essa uma das maiores competições de futebol.

fernandao-liberadores-reproducao-jornal-lance
Fernandão, o capitão América, Colorado (Foto: Jornal Lance)

Mas, como tudo na vida, esse apaixonante e visceral campeonato não ficaria para trás de toda a modernização, palavra que serve para esconder mudanças que beneficiam o ganho de dinheiro e desvaloriza a história. Foi assim com o campeonato brasileiro, foi assim com nossos estádios, hoje arenas que por vezes são palcos para show de rock e não de bola e, agora, é assim com a querida e sagrada Libertadores. Querem tirar de nós a possibilidade de celebrar uma final em casa, transformar em Europa um continente que ainda não nos possibilita, de forma fácil, longas viagens. O sentimento daqueles que libertaram nosso continente do domínio europeu não está mais contido na essência do principal e mais caloroso torneio de clubes do mundo. Podem mudar o nome do troféu, pois ele não representa mais a liberdade dos sul americanos frente aos seus colonizadores.

Fonte: campeoesdofutebol

5 Comentários em O último suspiro da Libertadores da América

  1. O charme da Libertadores é esse mesmo: pode jogar em casa e meter medo no adversário só pelo grito da torcida. Depois daquele tropeço fora de casa poder acreditar que “em casa a gente resolve”. Não estamos na Europa. A América do Sul é enorme e não é só pegar um trenzinho e ir parar em Bogotá, La Paz ou Buenos Aires. Libertadores não é Liga dos Campeões e isso não é uma coisa ruim.

  2. A Libertadores da América é empolgante, emocionante, mas, como tudo no mundo, não pode fugir a modernização. Se isso será bom, ou ruim, saberemos em breve. O mundo gira, a evolução é lei. Antigamente, olhando a Libertadores com olhar estrangeiro, e principalmente europeu, a mesma era uma várzea com certa grife.

  3. Pra mim a libertadores tem dois lados, o bom que é os estádios caldeirões, a festa da torcida, os jogos pegados e com muita provocação e infelizmente o lado ruim que é as brigas de torcidas, essas brigas generalizadas de jogadores e todas as coisas de varzéa que se faz no extra campo pra tentar prejudicar o adversário, eu sinceramente não acho que apedrejar o onibus da equipe rival, os colocar em um vestiário sem luz ou ameaçar os jogadores seja algo “charmoso” da competição.

  4. ESSE ULTIMO PARAGRAFO AE DISSE TUDO, MUDA A PORRA DO NOME, BANDO DE CORRUPTO SEM PERSONALIDADE! VOU GASTAR MINHAS QUARTAS VENDO JOGOS ANTIGOS E QUANDO ACABAR OS JOGOS ANTIGOS COMEÇO TUDO DE NOVO, VAI SE FUDE FUTEBOL GURMÊ

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*