Once Caldas: a história do clube que derrubou gigantes

Com apenas uma derrota em toda competição, Once Caldas foi o segundo time colombiano a vencer a Libertadores

Once Caldas campeão da Copa Libertadores da América 2004(Foto: AFP)
Por: Bruno Todaro, RJ

O ano de 2004, futebolisticamente falando, foi um tanto quanto bizarro. Na UEFA Champions League, Monaco e Porto foram os finalistas, com vitória dos portugueses por 3 a 0, gols de Carlos Alberto, Deco e Alenichev. Na Libertadores não podia ser diferente, que teve como vencedor o surpreendente Once Caldas.

O formato da Copa Libertadores da América naquele ano era bastante diferente do que temos hoje. Os times eram distribuídos em nove grupos, onde os primeiros colocados e os cinco melhores segundos avançavam para a próxima fase. Os quatro piores segundos disputavam uma repescagem, em jogo único, de onde saiam os dois últimos classificados. As oitavas de final também eram definidas pelo chaveamento do grupo, e não pela campanha individual dos times. Gols fora de casa não eram critério de desempate. Nessa edição, o Brasil era representado por: Cruzeiro (campeão mineiro, nacional e da Copa do Brasil), Santos (do trio Robinho, Diego e Elano), São Paulo (de Rogério Ceni, Luís Fabiano e Grafite), São Caetano e Coritiba.

No entanto, quem roubou a atenção foi o, até então, inexpressivo time de Manizales, na Colômbia. Com apenas dois campeonatos nacionais em sua história (1950 e 2003), o Once Caldas-COL terminou em primeiro no Grupo 2, desbancando o poderoso Vélez Sársfield-ARG. Na primeira fase, a equipe venceu quatro partidas, empatou uma, e perdeu uma. Com 13 pontos, e a primeira colocação garantida, o adversário nas oitavas foi o Barcelona-EQU. No Equador, empate sem gols, enquanto na Colômbia, novo empate, dessa vez um 1 a 1. Como gols fora de casa não eram critério de desempate, a decisão ficou para os pênaltis, vencida pelo time da casa. Na fase seguinte, Los Albos enfrentariam os Meninos da Vila.

Once Caldas x Santos

O Santos, vice campeão nacional no ano anterior, melhor time da Libertadores na fase de grupo, e com melhor ataque da competição, enfrentaria o pobre Once Caldas. Caminho mais do que livre para a tão sonhada semi final Santos x São Paulo, certo? Errado! Após abrir o placar na Vila com Basílio, já aos 38 minutos do segundo tempo, os colombianos buscaram o empate cinco minutos depois, após lambança da zaga santista. Na Colômbia, o Santos teve boas chances de gol, inclusive uma finalização de Robinho na trave, mas não conseguiu balançar as redes adversarias pela primeira vez na competição. Aos 25 da segunda etapa, Valentierra cobra falta com perfeição e carimba a vaga para a fase seguinte. Era a vez da sensação da Libertadores enfrentar o São Paulo.

Once Caldas x São Paulo

Se o Santos não conseguiu cumprir a sua parte, o São Paulo o fez com muita facilidade. Após vencer o Deportivo Táchira duas vezes (3 a 0 e 1 a 4), era a vez dos comandados de Cuca enfrentarem a maior zebra da competição. No Morumbi, o tricolor bombardeou o time visitante, que contava com um inspiradíssimo Henao para garantir um empate sem gols. No jogo da volta, após muita confusão na área são paulina Alcázar abre o placar. Cinco minutos depois, Danilo pega de primeira e empata o jogo. No segundo tempo o São Paulo viu uma falta claríssima do goleiro Henao em cima de Gustavo Nery ser completamente ignorada pelo árbitro Jorge Larrionda. Nos acréscimos Agudelo recebe em velocidade, limpa o marcador e marca o gol da classificação histórica. O Once Caldas iria disputar a final da Libertadores contra o atual campeão Boca Juniors.

Once Caldas x Boca Juniors

Como de costume, La Bombonera estava pulsando no primeiro jogo da decisão. Já no primeiro tempo, os argentinos mandaram duas bolas no travessão. Os colombianos foram valentes e conseguiram segurar a pressão argentina durante os 90 minutos. Em cobrança de falta venenosa, o Once Caldas quase sai da Argentina com 1 a 0 no placar. Na volta, o Estadio Palogrande lotado viu a história ser feita. Logo aos sete minutos, Viáfara acerta um chute de rara felicidade e abre o placar. Novamente aos sete minutos, dessa vez do segundo tempo, o Boca chega ao empate com gol de cabeça de Burdisso. Uma das histórias mais inacreditáveis da Copa Libertadores da América seria decidida nos pênaltis. O que foi visto naquela decisão foi um tremendo show de horrores (pelo menos para os torcedores xeneizes). Das quatro cobranças argentinas, uma foi parar na arquibancada, outra no travessão, e duas nas mãos do goleiro Henao. Do lado colombiano, duas cobranças foram defendidas pelo arqueiro Pato Abbondanzieri, e outras duas foram parar no fundo do gol (Soto e Agudelo).

Durante a caminhada até o título, o Once Caldas passou por: Vélez Sarsfield (1 libertadores e 1 mundial), Santos (2 libertadores e 2 mundiais até então), São Paulo (2 libertadores e 2 mundiais até então), Boca Juniors (5 libertadores e 3 mundiais até então). Somando tudo, foram 10 libertadores e 8 mundiais contra o time de Manizales, que até então só havia vencido dois campeonatos nacionais. A coroação do ano perfeito ficou a centímetros, já que na decisão do Mundial contra o Porto, Fabbro desperdiçou a cobrança que daria o título aos Blancos. Mas isso de forma alguma tira o brilho da temporada antológica da Corporación Deportiva Once Caldas.

Fonte: Veja, GloboEsporte.com 

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