Os 53 minutos de Ali Dia: 20 anos do maior MIM ACHER da história

Dia, o jogador de fim de semana que jogou pela Premier League

Ali Dia, um doa fundadores do MIM ACHER (foto: Bleach Report)
Ali Dia, um doa fundadores do MIM ACHER (foto: Bleach Report)
Texto: Diego Giandomenico, PR

Quem nunca sonhou em ser um jogador de futebol? Essa pergunta é retórica e sua resposta é óbvia: todos. Eu, você, seu primo que agora acha futebol um porre. Todos um dia, por um minuto de sua vida ao menos, sonharam com isso. Porém, um dia você cresce, se apaixona por outras profissões e vê que pode ser um pouco melhor fazendo o que sabe de verdade do que sendo jogador. É a rotina da maioria. Só que teve um cara que levou esse sonho um pouco além e conseguiu construir uma das histórias mais CL de todas. Ali Dia conseguiu de maneira absurda jogar na Premier League, entrando no lugar de uma das maiores lendas do Southampton, Matt Le Tissier, e protagonizando uma das maiores lendas do futebol inglês. Hoje se completam 20 anos desse feito. Se você não conhece o caso, senta que lá vem história. Daquelas bem malucas.

O Southampton é um dos clubes mais tradicionais da Inglaterra e tem uma das torcidas mais inflamadas. Porém, os anos 90 não estavam sendo lá muito bondosos com os Saints e o clube que hoje briga sempre por competições europeias, estava sempre brigando para não cair. O clube tinha até bons talentos, mas vinha sofrendo muito com lesões, principalmente no ataque e isso fez o famoso técnico escocês, Graeme Souness, cair feito um patinho quando recebeu uma suposta ligação de George Weah, indicando que seu primo estava disposto a jogar pelo Southampton. Ali Dia, era o nome da fera. Segundo o suposto Weah, Dia tinha jogado com ele no PSG e estava jogando nas divisões inferiores da Alemanha, além de recentemente ter marcado duas vezes pela seleção senegalesa. Os predicados pareciam bons e uma dica do melhor do mundo da época nunca poderia ser jogada fora. Isso, somado aos problemas de lesão, serviram para que o Southampton contratasse Dia por um mês como um teste.

Ali Dia pouco tocou na bola no jogo (foto: Mirror)
Ali Dia pouco tocou na bola no jogo (foto: Mirror)

Nos primeiros testes com campo reduzido, parecia que Dia era apenas um jogador um pouco abaixo da média, mas quando decidiram treinar o campo todo viram que era horrível. Matt Le Tissier achou que se tratava de um ganhador de algum prêmio do Evening Telegraph de tão ruim que era. Porém, a sorte estava ao lado de Dia. Ele seria testado de verdade em uma partida contra os reservas do Arsenal, porém as péssimas condições do gramado impediram a realização da partida. Além disso, não tinha mais nenhum atacante à disposição para ficar no banco de reserva e então eles tiveram que apelar para Dia, mesmo sem conhecer quase nada do atacante. Terry Cooper, membro da equipe técnica do Southampton na época, disse que hoje em dia é possível conhecer melhor a situação dos jogadores, mas na época eles tinham que fazer apostas. Quando Dia apareceu no vestiário, Matt Le Tissier achou legal dar uma chance para o cara assistir o jogo de perto. Mal sabia ele o que estava por vir.

O jogo de sábado era contra o Leeds, em casa. Porém aos 32 minutos de jogo, o craque Le Tissier sente a coxa e pede substituição. Souness, olha para o banco, pensa, pensa e não vê outra saída, chama Ali Dia para entrar no lugar de Le Tissier. O craque dos Saints quando vê a cena, mal consegue acreditar. E Dia entra tão animado como se tivesse ganhado na mega-sena. O que se vê a seguir, quase transforma a história em uma lenda ainda maior. Dia se desloca pelo lado direito da grande área e recebe a bola, num efeito quase natural para se livrar dela, chuta de primeira e obriga o goleiro Nigel Martyn a fazer uma boa defesa. E foi só. O jogador senegalês mal tocou na bola depois disso. Le Tissier conta que ele parecia uma galinha sem cabeça correndo no campo, sempre do lado contrário da bola. Parecia que ele queria fugir dela. Aos 40 minutos do segundo tempo, Dia é substituído, já que o Southampton perdia o jogo por 2 a 0. O jogador alegou uma lesão. Na segunda-feira, apareceu para ir ao departamento médico e depois disso nunca mais foi visto. Ficou conhecido entre os jogadores do Southampton como Bambi sobre o gelo, devido a sua peculiar maneira de se movimentar.

Souness ligou para Weah para perguntar sobre seu primo senegalês e se surpreendeu ao saber que o liberiano não tinha parentes em Senegal. Pior, a farsa foi descoberta por completo. Ali Dia não era jogador de futebol, mas estudante de economia. Quem ligou para Souness, foi um amigo de faculdade, que por sinal ligou para outros dois clubes com a mesma história: Coventry e West Ham. Ali Dia não tinha os 22 anos que informou, mas 31. Ele obviamente nunca jogou no PSG e nem na Alemanha, mas já havia disputado partidas por equipes amadoras da Inglaterra.

Weah, "primo" de Ali Dia, pelo PSG (foto: But Football Club)
Weah, “primo” de Ali Dia, pelo PSG (foto: But Football Club)

As TVs foram atrás dele para conseguir mais informações sobre o caso, ele disse que havia recebido um telefonema para ir ao Southampton e foi. Simples assim. Depois disso, nunca mais o encontraram. Apenas em 2008, 15 anos depois do ocorrido, a Four Four Two conseguiu conversar com ele por um minuto. Veja a conversa:

FFT: Como você chegou a jogar futebol na Inglaterra?

Ali Dia: Através de um telefonema.

FFT: Você ficou contente por estar no Southampton?

Ali Dia: Sim.

FFT: Você está ciente que sua breve passagem pelo clube foi uma das coisas mais bizarras que já aconteceram na Premier League?

Ali Dia: Eu duvido disso. Como?

E a ligação subitamente caiu. Foram feitas outras diversas tentativas e nunca mais encontraram nada. Aliás, ninguém mais conseguiu contato com ele. Seja através da Universidade que ele se formou, seja pelo clubes amadores que ele jogou. Ninguém sabe mais do seu paradeiro. O que todos se lembram é do dia 23 de novembro de 1996, no qual o maior MIM ACHER da história foi aplicado.

Referências: DailyMail, FourFourTwo

 

3 Comentários em Os 53 minutos de Ali Dia: 20 anos do maior MIM ACHER da história

    • Cenas Lamentáveis, tenho uma vaga memória de um mim acher que existiu no Paraná no ano de 2002. Quem tiver a Guia Placar do Brasileirão 2002 vai poder ajudar. Eu tinha, mas não sei que fim deu.

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