Os outros clubes do Pará: Tuna Luso

A história da águia guerreira do Souza.

Torcedor apaixonado da águia guerreira (foto:reprodução/anotandofutbol.blogspot.com)
Por: Ramón Cordeiro, PA.

Quando se fala em futebol paraense, quase sempre os outros estados lembram da dupla Re x Pa. Embora estes sejam os clubes com maiores torcidas, maiores investimentos e maior apelo televisivo existem outros que também fazem parte do futebol no Pará. O que poucos conhecem é que alguns desses times são vitoriosos em suas histórias.

Esta série tem o objetivo de mostrar um pouco da trajetória de criação, títulos e formação do futebol em alguns clubes paraenses que são menos conhecidos no cenário nacional. E iniciaremos em grande estilo, pela bicampeã brasileira Tuna Luso.

História

A Tuna Luso Brasileira é um clube esportivo fundado em Belém do Pará no ano de 1903 pela colônia portuguesa. Apesar do seu sucesso no futebol na década de 80 e 90, a tuna não é um clube exclusivamente de futebol, a agremiação é forte em outras modalidades esportivas. A cidade das mangueiras é um reduto tradicional dos portugueses. Diferente de outras capitais, Belém foi quase exclusivamente colonizada por portugueses, e o fato está impresso na cidade: da maneira de falar até a arquitetura, passando pelo futebol.

No ano de 1902, o comércio na cidade era dominado pelos lusitanos. O domínio e a saudade de casa permitiu que esses comerciantes criassem um clube para que pudessem socializar e relembrar a cultura da boa terra. A ideia nascia quando D. Carlos, um explorador português, aportou em solo paraense. Num dia, os caixeiros (empregados do comércio) participaram de uma orquestra a bordo do navio de Carlos e surgiu a ideia de criar a Tuna Luso Caixeiral. O nome tem significado para o momento: Tuna era um grupo de orquestra popular, e caixeiral tem ligação com a função dos participantes.

Em 1903 a ideia saiu do papel e foi fundada a agremiação. Em 1926, o clube mudou de nome para Tuna Luso Comercial e finalmente em 1968 adquiriu o nome de Tuna Luso Brasileira.

Frente da Sede do Clube (Foto:reprodução/dabase.com.br)
Frente da Sede do Clube (Foto:reprodução/dabase.com.br)

Como inicialmente,  a Tuna não era um clube de futebol, primeiramente foi criado um espaço de dança onde os melhores artistas do estado frequentavam o espaço.

Posteriormente, em 1906,  foi desenvolvida a área náutica e em 1920 o clube já era chamado de Rainha do Mar (alcunha que persiste até hoje). No voleibol e na natação, a Águia do Souza continua sendo uma potência regional. Noutros tempos, atletas tunantes chegaram a fazer parte da seleção brasileira.

Piscina de competição (foto:reprodução/tudaoetudinho.blogspot.com)
Piscina de competição (foto:reprodução/tudaoetudinho.blogspot.com)
Ginasio (foto:reprodução/dabase.com.br)
Ginasio (foto:reprodução/dabase.com.br)

Titulos e História no Futebol

Em 1915 os lusitanos incorporaram o futebol como modalidade, mas permaneceu amador até 1935. Em julho do mesmo ano foi inaugurado o Estádio Francisco Vasques (nome atual), ou simplesmente: Estádio do Souza, que possui capacidade para 5760 pessoas.

A construção está localizada no terreno da sede da social e atualmente é utilizado para treino e jogos da equipe profissional, categoria de base, torneios de Rugby e futebol americano. Dois anos após a inauguração do Souza, o primeiro caneco foi colocado na sala de troféus da equipe. O título era do campeonato paraense daquele ano. Ao longo da história, mais nove títulos estaduais foram para o Souza até 1988 (título mais recente do estadual). Mas a última conquista da equipe foi primeiro a Taça Cidade de Belém (primeiro turno do Parazão), em 2007.

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Além dos regionais, o clube do Souza é bicampeão Brasileiro, com uma série B em 1985 (taça de Prata) e uma série C em 1992. A propósito, o clube foi o primeiro campeão da série B no norte do Brasil e disputou a primeira divisão do Brasileiro, feito que deu origem ao apelido de Elite do Norte.

No título de 1992, bicolores e azulinos se juntaram no baenão para torcer pelo título da série C daquele ano, por conta da simpatia sempre cativada pelas duas principais torcidas do estado — ao ponto das organizadas participarem do jogo sem violência.

Time Campeão Série B de 1985 (foto:reprodução/atat.blogspot.com)
Time Campeão Brasileiro da Série B de 1985 (foto:reprodução/atat.blogspot.com)

Revelando jogadores.

Além dos títulos e glória, o departamento de futebol lusitano deixou um grande legado para o futebol Paraense e Brasileiro. De lá sairam jogadores importantes como Manoel Maria (ex- ponta do Santos), Giovani (ex- Barcelona e seleção) e Paulo Henrique Ganso. Regionalmente, revelou ou mostrou para o futebol paraense jogadores como Vélber, Zé Augusto, Jóbson (Volante) e Sandro Goiano.

Ganso quando jogava na tuna (foto:reprodução/anotandofutbol.blogspot.com)
Ganso quando jogava na Tuna (foto:reprodução/anotandofutbol.blogspot.com)

 

Giovani vestindo a camisa da Seleção (foto:reprodução/globoesporte.com)
Giovani vestindo a camisa da Seleção (foto:reprodução/globoesporte.com)

Coincidentemente, depois que a Tuna entrou em crise financeira e decadência no departamento de futebol no início dos anos 2000, as duas locomotivas do Pará também passaram a ter dificuldades para montar times competitivos. O último time com jogadores regionais e forte nacionalmente foi o Paysandu, entre 2001 e 2004, que possuía muitos jogadores revelados na Tuna Luso,  e conseguiu vencer uma divisão nacional em 2001. Como também a Copa dos Campeões e participar da Libertadores de 2003 com os jogadores já citados aqui.

Velber revelado na Tuna brilhou em Remo e Paysandu (foto:reprodução/tunaluso.net)
Vélber revelado na Tuna brilhou em Remo e Paysandu (foto:reprodução/tunaluso.net)

Nota: O clube está se preparando para disputar a segundinha em outubro, divisão de acesso do Campeonato Paraense.

Fontes: Globo Esporte, DOL, ATAT, Campos de Futebol, Campos de Futebol, Futebol do Norte, DOL

3 Comentários em Os outros clubes do Pará: Tuna Luso

  1. Linda matéria é muito emocionante falar da lusa muita saudade. Tuna volta a brilhar é muito bom te ver em campo a jogar lembrança de minha infância quando meu pai levava para os jogos da eterna cruz de Malta.

    Tuna luso brasileira precisamos de vc no futebol brasileiro

  2. Mt bom o texto e q falta faz a Tuna nas disputas contra Remo e Paysandú, o q engrandecia nosso Parazão.
    Só uma correção, sobre título de 1992, o jogo contra o Flu de Feira foi disputado no Baenão, e não Mangueirão como foi mencionado.

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