Pai Santana, uma lenda vascaína

De massagista à Pai de Santo, uma figura histórica do Vasco da Gama

Pai Santana e Edmundo (Foto: Reprodução / Webvasco)
Por: Wagner Ponce, SP

A história dessa figura mística chega a se confundir com a própria do time. Com certeza podemos dizer que no Clube de Regatas Vasco da Gama, tivemos uma divisão de eras com Antes e Depois de Eduardo Santana, ou melhor, Pai Santana, alcunha que imortalizou um dos massagistas mais conhecidos do Brasil.

Santana tendo suas mãos importalizadas nos muros de São Januário (Foto: Diculgação/Vasco da Gama)
Santana tendo suas mãos importalizadas nos muros de São Januário (Foto: Divulgação/Vasco da Gama)

Ele nasceu na pequena cidade de Andrelândia, em Minas Gerias, mas passou a maior parte da sua vida no Rio de Janeiro. Santana foi lutador de boxe, dos bons, chegou a ser campeão carioca e brasileiro na categoria meio-médio ligeiro. Também foi treinador do Vasco em uma ocasião e, após o jogo, disse que nunca mais retornaria àquela função, mas foi misturando a vida de massagista e pai de santo que ele se consagrou. Começou no Vasco em 1953, acabou indo para o Bahia anos depois, onde conseguiu sua primeira grande conquista, a Taça Brasil de 1959 em cima do Santos de Pelé, que ficou de fora da partida graças a um dos seus trabalhos, dizia ele.  Depois de passagens pela Seleção Brasileira, Botafogo e Fluminense, Pai Santana voltou para o Vasco para agradar a sua namorada, com que se casou e viveu junto por mais de 50 anos.

As histórias são muitas em torno dessa figura lendária. Uma delas aconteceu na véspera de uma decisão de Taça Guanabara contra o Flamengo, onde Santana, teria descido de helicóptero no meio da madrugada no gramado da Gávea, sede do Rubro-Negro, e feito um “trabalho” para que rival não ganhasse do Vasco. Se é verdade ou não, o que aconteceu foi que o jogo acabou empatado em 0 a 0 e o time de São Januário bateu o adversário por 5 a 4 nos pênaltis, com Zico perdendo a cobrança para o Flamengo.

Durante o quadrangular final do Campeonato Brasileiro de 74, Pai Santana teria atirado ovos no gramado do Mineirão na partida contra o Cruzeiro.  Durante o jogo, o meia vascaíno Pérez pisou em um dos ovos e torceu o tornozelo, sendo substituído por Ademir, autor de um dos gols da vitória por 2 a 1 do Vasco da Gama.  Entre os muitos rituais que envolviam cada partida, o pai de santo acendia velas e fazia várias orações antes dos jogos, tudo isso com o objetivo de abrir os caminhos e trazer bons fluídos ao seu time, além de entrar em campo vestindo uma roupa branca de gala, trazendo consigo a bandeira vascaína, que estendia e a beijava de joelhos diante sua torcida. Sempre tendo seu nome gritado a plenos pulmões pelos torcedores.

Vasco Tricampeão Carioca em 1994, com a presença de Pai Santana na foto do título
Vasco Tricampeão Carioca em 1994, com a presença de Pai Santana na foto do título

Pai Santana não entrou na história do Vasco da Gama apenas pelo seu lado espiritual, ele marcou época sendo um dos primeiros massagistas profissionais da história do futebol brasileiro, algo que mudou uma era dentro da medicina esportiva por aqui. Se realmente suas curas e rezas faziam efeito, isso não podemos confirmar, mas a magia que ele despertava no olhar de cada torcedor vascaíno que via aquele senhor negro, todo vestido de branco, carregando e beijando com orgulho a bandeira do seu time, ah sim, isso era muito real e inesquecível.

Hoje, dia 01 de novembro, completa-se cinco anos que esse grande personagem nos deixou. Mas os inúmeros “causos” e façanhas enchem de orgulho o peito do torcedor vascaíno, e de muitas torcidas. O futebol com certeza perdeu um pouco da sua magia no dia em que o grande Pai Santana deixou os campos.

Fontes: Globoesporte, IG, Folha e Vasco da Gama.

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